quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Teatro

RÁPIDO DICIONARIO DO TEATRO

JERZY GROTOWSKI





Jerzy Grotowski nasceu em 1933, em Rzesnow - Polônia em uma família de universitários e artistas. Em 1951 foi aluno da Escola de Arte Dramática de Cracóvia. Em 1955 estuda encenação em Moscou, viaja pela Azia Central, pela China e pela Índia e fica impressionado com a técnica e virtuosismos do teatro oriental. Aos 26 anos é nomeado diretor do Teatro das Treze Filas de Opole na Polônia e dedica-se a pesquisa sobre o trabalho do ator. Essa companhia é institucionalizada em 1965, transferida para Wroclaw onde se transformaria no Teatro Laboratório que ganhou fama internacional. Morreu na cidade de Pontedera na Itália em 1999, em minha opinião precocemente.




Depois da obra de Bertolt Brecht que caiu como uma luva para o teatro do chamado Terceiro Mundo, muito pelas nossas urgências políticas e sociais da década de 60 e 70, outra revolução nos palcos veio com Jerzy Grotowski. Dessa vez pelas nossas carências de recursos. O Teatro de Grotowski se denomina Teatro Pobre e seu livro “Em busca de um Teatro Pobre” tornou-se a mais importante publicação teatral contemporânea, não só para nós como para o todo mundo. Suas teorias e práticas influenciaram e seguem influenciando inúmeros encenadores e grupos em todos os continentes. Embora jovem, sua obra foi o foco de um numero sem precedentes de análises e polêmicas. Segundo Peter Brook, ele introduziu na arte dramática as mais profundas modificações desde Constantin Stanislavski.
Devemos entender o que é o Teatro Pobre de Grotowski. Na verdade é uma convenção teatral adequada a pobreza de recursos, mas só isso não traduz a sua essência. É claro que o termo pobre em seu teatro significou a eliminação de tudo que achava que era desnecessário em um espetáculo, deixando um ator ou atriz vunerável e sem qualquer artifício, seus espetáculos eram representados num espaço pequeno, com as paredes pintadas de preto e com vestimentas simples, muitas vezes toda em preto, mas o seu trabalho abriu caminhos e conceitos muito mais inovadores do que isso.




Em seu processo de ensaio desenvolvia exercícios que procuravam levar ao ator um pleno controle de seus corpos, exigência criada para o tipo de espetáculo que iria desenvolver, um espetáculo onde nada deveria ser supérfluo, sem luzes, sem efeitos de som, sem uma área que delimitasse a representação, enfim um espetáculo que subvertia o cenário tradicional.
A relação com os espectadores deveria ser direta, no campo da mais pura percepção e comunhão. Com o seu trabalho, Grotowski desafiou a convenção de que o teatro era somente uma síntese de todas as artes como a literatura, escultura, pintura e iluminação.
Grotowski procurava um tipo de ator especifico, um ator que seria fundamental e necessário para realizar seu projeto. Rompe a principio com o circulo obrigatório de ensaio-espetáculo, essa roda viva que prende o ator em uma carreira de rotina sufocante, achava que pressionado pela profissão o ator deixava de ser criativo. Com mais tempo de treinamento, pretendia que o seu ator adquirisse e aperfeiçoasse não só os elementos técnicos, mas também os éticos na sua formação, esses valores seriam fundamentais para sua atividade criativa. Dizia Grotowski:

"o ator se capacita para a artificialidade e a elaboração formal, aprendendo, antes de mais nada, a superar os limites do cotidiano e o naturalismo psicológico, para conseguir, depois, a expressividade física total - a única que pode estar em condições de restituir o ator total”.


Exercicios corporais de Grotowski


“A palavra nasce do corpo e não poderia ser usada corretamente sem uma preparação física adequada”, daí a atenção ao trabalho corporal, sem isso a palavra seria “um clichê estéril, naturalista, declamatório”. Para isso usou técnicas como Hatha-yoga, acrobacia, dança, pantomima, esgrima, exercícios plásticos, mentais e de composição do teatro oriental, máscara facial, etc.
Era a preparação para o que ele chamava de corpo memória, corpo vida que produz imagens para além do teatro e da representação – "o homem não quer esconder mais nada: nem sobre a pele, nem a pele, nem embaixo da pele." Deixemos Grotowski falar:


O que é gesto se olharmos do exterior? Como reconhecer facilmente o gesto? O gesto é uma ação periférica do corpo, não nasce no interior do corpo, mas na periferia. Por exemplo, quando os camponeses cumprimentam as visitas, se são ainda ligados à vida tradicional, o movimento da mão começa dentro do corpo (Grotowski mostra), e os da cidade assim (mostra). Este é o gesto. Ação é alguma coisa mais, porque nasce no interior do corpo... É preciso compreender que há uma grande diferença entre Sintomas e Signos/Símbolos. Existem pequenos impulsos do corpo que são Sintomas. Não são realmente dependentes da vontade, pelo menos não são conscientes - por exemplo, quando alguém enrubesce, é um Sintoma, mas quando faz um Símbolo de estar nervoso, este é um Símbolo (bate com o cachimbo na mesa). Todo o Teatro Oriental é baseado sobre os Símbolos trabalhados. Muito freqüentemente na interpretação do ator estamos entre duas margens. Por exemplo, as pernas se movem quando estamos impacientes. Tudo isso está entre os Sintomas e Símbolos. Se isto é derivado e utilizado para um certo fim se transforma em uma ação... Existem gestos profissionais - como os do padre. Sempre assim, muito sacramentais. Isto são gestos, não ações. São pessoas nas situações de vida.
Palestra proferida por Grotowski em 1988







Sobre a voz e respiração ele diz -“O ator deve decifrar todos os problemas de seu próprio organismo que lhe sejam acessíveis. Deve saber qual o meio de dirigir o ar, conduzindo o som para determinada parte de seu corpo, produzindo sonoridades que parecerão ter sido ampliadas por diferentes tipos de ressoadores.” Isso resume uma das técnicas mais estudadas pela gente de teatro, as caixas de ressonâncias físicas. Para ele o corpo possuía várias caixas de ressonância e o ator poderia controlá-las, usá-las de acordo com a sua necessidade e posição no palco.
No terreno do espetáculo Grotowski se inspirou em obras dramáticas clássicas, ele as recria-a para exprimir o nosso tempo. Para o seu repertório prefere os “rituais primordiais”, segundo ele os mitos, a Bíblia e os Clássicos. Por exemplo, em o Príncipe Constante, tirado de Calderon, retrata o homem perseguido que faz frente aos seus perseguidores: Em Akropolis do escritor polaco Wyspianski, a ação é transportada do palácio real da Cracóvia para o campo de extermínio de Auschwit . Essa montagem foi a primeira realização completa de sua formulação de Teatro Pobre. Nela a companhia de atores, representando prisioneiros de um campo de concentração, construíam a estrutura de um crematório em volta da platéia, enquanto representavam histórias da bíblia. Esta concepção teve particular ressonância para o público de Opole, já que o campo de concentração de
Auschwitz se localiza apenas a cerca de cem quilômetros de distância. Hamlet de Shakespeare e Faustus de Marlowe são outras obras representadas e recriadas por Grotowski. Em Faustus, além do uso de poucos objetos na cena, Grotowski orientou os atores a representarem diferentes objetos. Numa cena, onde o papa está presente num jantar, um ator representava a sua cadeira e outro a comida. Estes dois atores também assumiam o papel de Mephistopheles em outra parte da peça, demonstrando o caminho que Grotowski desenvolveu colocando diferentes camadas de significados em suas produções.
Outro elemento marcante do Teatro Pobre foi a limitação do espaço da ação, a preferência pelos pequenos públicos, procurando assim estabelecer uma interação mais profunda entre os atores e a assistência. O espaço sempre estava em função do conteúdo da peça, do que ela queria dizer. Por exemplo, - Em uma de suas montagens o cenário era uma mesa em forma de “U” onde a platéia se sentava como se fosse comensais convidadas para uma refeição. As cenas do espetáculo, que se desenrolava em cima da mesa seriam os pratos oferecidos.A idéia básica era envolver o espectador num clímax perturbador que o levaria a se conhecer melhor. Decorre daí a preocupação com um espetáculo que se caracterize pela intensidade e perfeição.


Esboço do espaço para o Príncipe Constante. Repare que o espectador assiste ao espetáculo como se estivesse espiando por cima de um muro, isso continha uma significação.

Sobre esses assuntos e outros que vamos comentar, é interessante ler um trecho do artigo “Elos de uma mesma cadeia” de Ismael Scheffer que diz:

Seu Teatro é Teatro Pobre, porque a arte dramática é reduzida à sua mais rígida essência e realizado praticamente sem material. Grotowski, apesar de ter-se interessado em discutir suas idéias, nunca se interessou por escrever um livro, repudia qualquer referência aos “métodos”. Resiste enfaticamente a qualquer tentativa de categorizar e ‘normalizar’ os resultados de sua investigação teatral, com a finalidade de criar um método comercializável semelhante aos de Stanislavski e Brecht. Para o grupo do Teatro Laboratório não existe nenhuma técnica, exercício ou método de valor absoluto, como tampouco existe um traço permanente em seu treinamento. Mesmo assim, não foram, nem são poucas as montagens feitas que se auto-proclamam “grotowskianas”, que se apropriam de técnicas e estéticas, cometendo equívocos tremendos.
Grotowski é um cidadão da Polônia, que foi arrasada e dizimada pela invasão nazista e pelos campos de concentração. Nascido em 1933, ele é testemunha e herdeiro, assim como a maioria de seus atores, da devastação de seu país. A marca daquela carnificina está no trabalho deles. É um monumento abstrato às conseqüências espirituais daquele evento horrendo. E é por isso que a maioria das produções feitas à La Grotowski são necessariamente em sua maioria fraudulentas... E continua, Grotowski delineia o Teatro Pobre optando por uma encenação de extrema economia de recursos cênicos (cenográficos, indumentários, etc.), eliminando tudo o que não seja extremamente essencial à cena. Com isso, ele também apresentou uma proposta que não deixava de ser a eliminação de uma dependência tecnológica e de um pensamento de competitividade com o cinema e com a TV.




primeiros espetáculos – As Cadeiras



Sakuntala














Apocalypis cum Figures

O Teatro Laboratório viaja pelo mundo, apresentando seus espetáculos, Grotowski participa de seminários, dirige estágios e o seu teatro se torna a febre dos artistas influenciando encenadores em todo mundo. Finalmente a partir de 1970, recusa o espetáculo, apresenta de quando em quando seu espetáculo “Apocalypis cum Figuris”. Em 1976, suas atividades, chamadas por Grotowski de “Holiday” (a Festa, o Encontro), visam essencialmente à rejeição da representação da comédia quotidiana e do medo que a acompanha. Afinal nos seus anos de teatro, Grotowski pretendia e imaginava em última análise, que a transparência, honestidade, desnudamento e a entrega do seu ator, em um trabalho sem nenhuma máscara, que o espectador entrasse em um processo de autoconhecimento e que acabasse por tomar a mesma atitude na sua vida diária. A partir daquele ano rejeita qualquer ensino da profissão. O seu teatro sem público consiste numa formação puramente psicológica e ética. Aos 39 anos, anuncia que não voltará a preparar novos espetáculos, preferiu mudar sua atividade profissional para áreas inexploradas até ali, na interseção entre a performance, a antropologia e os estudos rituais. Volta a falar Ismael Scheffer:

A partir de então não serão criados novos espetáculos para o público. . Além dos integrantes do período dos espetáculos, foram incluídas pessoas novas, além de atores, também músicos, pintores, psicólogos, psiquiatras, sociólogos, antropólogos, estudantes, etc. Os eventos eram cuidadosamente estruturados e duravam dias, às vezes semanas, ocorrendo em espaços fechados ou em florestas e montanhas. Robert Findlay diz que “Grotowski insistiu que tais projetos não deveriam ser considerados treinamento de ator, psicoterapia, misticismo secular ou, necessariamente, como arte per se. Disse que as experiências simplesmente criavam um meio de possibilitar a indivíduos criativos uma “reunião” em uma atmosfera cuidadosamente estruturada para esses encontros. A condição do homem (ator ou não) e a relação entre os homens são interesses que acompanham Grotowski. “Interesso-me pelo ator porque ele é um ser humano” Embora não destinado a espectadores, o trabalho de Pontedera era aberto de tempos em tempos para “testemunhas”, especialistas e artistas convidados, assim como muitos grupos teatrais, cerca de 150 companhias até 1996, promovendo a discussão e estabelecendo uma dinâmica de compartilhar. As pesquisas, dessa maneira, mantêm uma relação viva com o campo teatral.


Os espetáculos brasileiros, de qualquer forma, sofreram sua infuência, mesmo sem realiza-lo, estuda-lo ou entende-lo plenamente. Dentre suas influências mais visiveis podemos identificar: As recriações dos classicos, onde o espetáculo busca uma aproximação e pretende discutir a realidade próxima; A questão do espaço, passando a servir ao espetáculo, ou seja, existindo em função do conteudo do espetáculo e não ao contrário, isso se tornou o fim da prisão do palco a italiana. Agora o espaço da ação se adequa ao discurso da peça que se quer montar e em função disso também escolhemos quantas pessoas devem ver o espetáculo e de que angulo deverá ser visto, tudo isso, é claro, carregado de significações; A leitura economica em figurinos e cenários, onde um elemento apenas serve para identificar quem é o personagem e onde a ação se passa; E finalmente uma contribuição das mais importantes, o trabalho de pesquisa corporal, vocal e gestual do ator, a busca pelo gesto significante de emoções, estados físicos profissões, classes sociais, etc., ou seja, de composição do personagem e a preocupação com sua clareza. Composição que deve preencher todas as informações que não aparecem em forma de cenário, figurino, luz ou som. Mesmo sem desenvolver ou entender sua obra com plenitude, o adaptamos a nossa realidade e crescemos com isso.
O Teatro Pobre configurou-se na reinvenção do teatro. Grotowski queria um teatro que refletisse um pouco do mundo contemporâneo e ganhou vários seguidores que continuaram a desenvolver a sua técnica. Os mais conhecidos deles são o inglês Peter Brook e o italiano Eugenio Barba que foi seu assistente, eles procuram estreitar os laços entre o teatro e a vida, colocando a arte como fator essencial para o convívio humano.


















segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Bons Amigos, uma visão Machadiana

Pedi ajuda a minha amiga, companheira e mulher, Lígia, para selecionar algumas frases de Machado de Assis para postar hoje, dia do centenário de sua morte.
Ela descobriu uma poesia e preparou um texto para enviar por e-mail para todos os seus amigos. Tanto o texto de Lígia quanto a poesia são tão bonitos que não resisti, abri a 5ª Porta para ela e Machado.
Denis

"Hoje, 29 de setembro de 2008, é o centenário da morte de Machado de Assis, um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. Fundador da Academia Brasileira de Letras e primeiro presidente daquela Casa, sua importância para a literatura nacional é tão grande que 2008 foi instituído como “Ano Nacional de Machado de Assis”, com comemorações por todo o país e, até, pelo mundo afora. Sim, pelo mundo afora, pois Machado é universal!
Como disse Tolstoi, "Se queres ser universal fala da tua aldeia". E foi isso que Machado de Assis fez. Carioca típico, mulato de origem humilde, filho de um operário e uma lavadeira, neto de escravos libertos, autodidata... Machado amou e retratou o Rio de Janeiro em seus romances, contos, peças de teatro. E mesmo sem nunca ter saído desta cidade durante toda sua vida, a literatura de Machado é universal.
E eu, orgulhosa e apaixonada carioca, moradora do Edifício Machado de Assis, na Rua Machado de Assis, próxima ao Largo do Machado (que, aliás, não tem nada a ver com o escritor), não poderia deixar de falar dele neste dia.
Mesmo não sendo leitora voraz de seus livros, é impossível não me identificar com a fina ironia e a irreverência de Machado. Impossível não simpatizar com suas famosas personagens femininas. Iaiá, Helena, Capitu... Mulheres misteriosas, complexas e principalmente, imperfeitas, como eu. Ah, Capitu! “Nosso totem tabu/ A mulher em milhares... Feminino com arte/A traição atraente/Um capítulo à parte/Quase vírus ardente... Capitu ”*
Então, neste dia de Machado, brindo meus amigos com um poema de Assis. Meus amigos próximos e distantes, amigos novos e antigos, amigos que falo todos ou quase todos os dias e aqueles que não tenho muito contato. A todos os queridos, especiais e benditos amigos..."

“BONS AMIGOS

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!”


Um grande beijo
Lígia

“Rio de Machado”, 29/09/08
*citação da música "Capitu" de Luiz Tattit

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Cidades

Sobral


Olhar de Quase Estrangeiro








Já foi dito que gosto muito de Sobral, terra dos meus e dos tremores da terra. Por isso mesmo me dou o direito de falar tudo o que me passa pela cabeça sobre ela e no tom que me aprouver. Isso, porém, não quer dizer que todo mundo possa fazer o mesmo, aí eu e um magote de gente pode não gostar.
Minha família é toda daqui, eu por capricho não nasci aqui e nunca morei aqui, meus irmãos mais velhos costumavam passar férias aqui, nem isso eu fiz. Então porque essa paixão pela terra e pela Serra da Meruoca? Estou descobrindo aos poucos.
Meus pais e meus irmãos nasceram e moraram aqui, depois foram morar em Fortaleza e depois ainda se espalharam pelo Brasil. Depois foram voltando um a um. Faltam três ainda pra voltar, como sou o mais novo, devo ser o último, ou não. Coisa de Cearense, vai explicar.
Voltando a Sobral. Essa é uma terra estranha, de gente desconfiada, mas muito boa, carinhosa e amiga, convencida do seu valor e do valor que a terra tem.... Às vezes até metida um pouco. As gentes daqui tem lá suas diferenças como em todo lugar, mas também eles tem uma coisa em comum que é um amor incomum pelo seu lugar de nascença ou de adoção pra viver, e isso dá gosto de ver. Aqui tem um termo que os define, eles possuem Sobralidade, que acredito ser a tradução de um cidadão sobralense atuante e compromissado com a sua cidade. O povo de Fortaleza fica meio atravessado com o povo de Sobral, dizem que não nos visitam muito porque não sabem falar inglês, isso nos valeu até o apelido de United States of Sobral... Mas, como é que vou explicar que em pleno sertão cearense, em Sobral, tem um Arco do Triunfo, um Cristo Redentor, uma praça de nome Cuba, tem aqueles ônibus amarelos das Escolas Americanas (School Bus) e até uma Liga de Beisebol? Difícil... Mas tem também uma Universidade que nos orgulha muito e um Teatro com uma história que nos orgulha mais ainda. Daqui se viu um eclipse que foi muito importante para ciência, tem terremoto, tem o Museu Madi, único nas Américas e etc. Vou aos poucos.
De lugares bonitos, históricos ou importantes tem aos montes, vou citar alguns. Às vezes são só bonitos, às vezes são bonitos e históricos e às vezes ainda são bonitos e históricos que viraram importantes, vamos começar com um pouco de historia.
Marque ai o ano de 1712 como sendo o ano em que uma Fazenda chamada Caiçara começou a ser vista como uma povoação. Seu dono doou parte de suas terras para a construção da capela de Nossa Senhora da Conceição que hoje é a Matriz da cidade de Sobral.









No dia 5 de Julho de 1773, a povoação Caiçara foi elevada à Vila Distinta e Real de Sobral. Em 12 de Janeiro de 1841, a Vila de Sobral foi elevada à categoria de Cidade, com o título de Fidelíssima Cidade Januária do Acaraú e em 25 de Outubro de 1842, a Cidade Januária passou a se chamar Cidade de Sobral.
Sobral é um municipio do
estado do Ceará, fica a 235 Kms de Fortaleza e é a segunda cidade mais importante do estado em termos economicos, o clima é quente e seco e com muriçoca, as vezes muita muriçoca, mas nada que atrapalhe a vida gente.
Foi um dos centros abolicionistas do Ceará desde 1871. Quando foi proclamada a libertação dos escravos em 1888, a cidade já não tinha nenhuma pessoa escrava. A cidade tornou-se o mais importante pólo comercial do norte do estado e foi o palco de uma importante confirmação da física. A Expedição Britânica do Eclipse Solar, liderada por Arthur Stanley Eddington procurava comprovar (graças ao eclipse) a distorção que a luz sofre ao chegar no Planeta Terra e só em Sobral foram obtidas boas imagens do fenômeno.Graças a essa confimação foi que o físico Albert Einstain pode comprovar sua Teoria da Relatividade. Einstain não esteve em Sobral, mas até hoje é comemorado por aqui.
Como lembrança de tal fato, foi construído na praça da Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio, um monumento e posteriormente um museu, chamado de Museu do Eclipse, que homenageia a cidade e os físicos e astrônomos que participaram da descobert
a.


eclipse total do sol em 29/06/1919



acampamento em frente a Igreja do Patrocinio onde foram montados os equipamentos





Muitos ingleses da equipe que vieram comprovar a teoria em Sobral não voltaram com a equipe, alguns ficaram e casaram, constituindo família na cidade, onde ainda hoje nota-se a presença de sobrenomes ingleses e traços britânicos em muitas famílias da região.

Na Educação Sobral é referencia nacional, desde 2001 ampliou o ensino fundamental para nove anos e no ensino superior possui um dos nossos maiores bem querer, que é Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA.
Itálico
Reitoria

Tem também uma
Faculdade de Tecnologia - FATEC, a Universidade Federal do Ceará - UFC que também funciona aqui, além de Faculdades no ramo privado.
Tem Ainda Instiruto Educare , que realiza cursos de Graduação em parceira com a UNIDERP intertiva e a UNIMES Virtual , Cursos de Pós-Graduação, Lato Sensu e cooperação com a Universidade Autónoma de Assunção e outras , através do Instituto Postgradosparaguay , e conta com várias Instituições de ensino a distancia, como a Unoparvirtual – Universidade Norte do Parana.

Na área da Saúde os planos e projetos são avançados e as vezes pioneiros, isso faz com que Sobral sempre fique a frente da grande maioria de municípios Brasileiros. Como exemplo podemos citar o programa do CAPS – Centro de atenção Psicossocial que primeiramente foi implantado aqui e depois espalhou-se pelo Brasil. É caso também do Projeto Quatro Folhas que faz o monitoramento das mães e bebes desde o momento da gravidez até os primeiros anos de vida da criança, isso fez com que em menos de cinco anos a mortalidade infantil recuasse em mais de 60%. Além disso o Município de Sobral é pólo de referência em saúde para 62 municípios do estado do Ceara, com uma vocação para o desenvolvimento de estratégias e transformações no processo de trabalho. São 27 centros de Saúde da Família que dão cobertura a 175 mil pessoas. Conta ainda com Centros de Especialidades Médicas e Odontológicas formando um sistema de saúde integrado e convincente.

Sobral foi considerado pela revista especializada em turismo da Editora RMC de
São Paulo como uma das melhores cidades do Brasil quanto a qualidade de vida, saindo do padrão da maioria das cidades cearenses. Essa qualidade de vida é demostrada pelo baixo indice de violência e alto nivel cultural.




Sobral é culturalmente rica, aqui equilibram-se diversas manifestações populares com um um movimento artístico moderno, atuante, persistente e antenado com o mundo, mas que ainda carece da atenção de todos.Com o que realizaram já fizeram por merecer sua casa que é essa ai de cima.
A Casa da Cultura mantem um moderno acervo de arte e cultura e principalmente um carinho especial com a revitalização do patrimônio histórico-cultural.





Do Lado, na mesma praça tem a Escola de Musica, onde o municipio mantem uma orquestra sinfonica e um coro, além de vários cursos de canto e de variados instrumentos musicais.



Biblioteca

Essa é a Biblioteca Municipal Lustosa da Costa, ele foi um jornalista cearense e grande divulgador da cidade de Sobral, onde funciona um cybercafé para pesquisas e um setor de referência do professores da rede municipal.



Escola de Cultura Comunicação Oficios e Artes - ECOA

Esse prédio bonito aí é a ECOA, ainda em fase de implementação, um projéto para o futuro. Pensado para ser polo irradiador de cultura com cursos de formação em artes e oficios. Possui espaço para oficinas de montagem e ensaio para dança, musica, fotografia, cinema, cenografia, figurino e outros oficios como jardinagem e etc., Além disso já funciona um restaurante popular e um Teatro que está em fase de acabamento, mas que já recebe espetáculos.



O Museu Madi e a concha acústica no mesmo prédio

Esse é o primeiro Museu Madi brasileiro fica às margens do rio Acaraú. Cerca de setenta obras doadas por artistas do mundo inteiro, pertencentes ao movimento, compõem o acervo. São esculturas, pinturas e desenhos. O Madi significa movimento, abstração, dimensão e invenção e foi Criado pelo artista plástico
uruguaio Carmelo Arden Quin em meados de 1940, na Argentina, o Madi desconstruiu a forma tradicional da arte geométrica, fazendo-a sair dos ângulos retos.



Esse é o Museu D. Jose, nele estão as preciosidades que ajudam a entender a nossa história.



Centro de convenções
Espaço para feiras, congressos, seminários, simpósios, exposições, convenções e outros eventos.




Esse é o Teatro São João, orgulho nosso. Esse Teatro é mais antigo pelo menos em um quarto de século do Jose de Alencar em Fortaleza. Aproximadamente da mesma época do Santa Isabel de Recife, do da Paz em Belém, do Amazonas em Manaus e o do Municipal em Niterói no Rio de Janeiro. Foi construido por um grupo de amigos, amantes da arte. Dizem que para assistir as operetas que vinham da Europa antes que elas se apressentassem na capital, para isso eles as contratavam e as faziam atracar em Camucim, porto perto de Sobral, dizem ainda que muitas delas passavam direto e não paravam nem em Fortaleza.
Palco do tipo italiano, com platéia em ferradura abaixo do nível externo, caracteristica dos grandes teatros da época no Brasil e na Europa. O Teatro São João foi inaugurado no dia 26 de setembro de 1879, com a encenação do drama A honra de um Taverneiro.



Essa é a Praça Cuba com o seu bonito monumento, homenagem Sobralense para aquele bravo povo.





A Serra da Meruoca, minha paixão

Pra terminar vamos falar de gente. De filhos ilustres vou citar alguns: Tem o Belchior, cantor e compositor, Cosme Bento, l
íder quilombola da Balaiada, Os escritores Domingos Olimpio e Isabel Lustosa,Luiz Carlos Barreto, cineasta e o Didi Mocó é daqui (acho que ele não gosta muito não porque não fala, mais é). De religiosos proeminentes tem um monte, todos mortos: Destacam-se o Padre Ibiapina nos primórdios de Sobral, considerado o Apostolo do Nordeste, Dom Jose Tupinambá , primeiro Bispo de Sobral e figura importante na sua formação e tem também o D. Expedito Lopes, meu tio, Bispo de Garanhuns que foi assassinado por um padre, todos eles em processo de beatificação ou canonização.
De gente que mora ou não passa muito tempo fora daqui tem muita e gente muito boa. Vou falar de quem me lembro e admiro de verdade, com quem convivi. Vai ter gente de fora por esquecimento, o que não lhes tira o valor, me desculpem. Pra começar tem o Cícero, dono do Bar Cíceros (o melhor de Sobral), grande figura, é lá que fica meu escritório quanto estou aqui.

Bar do Cícero



Artistas de teatro e dos bons,
tem o Thyago, o Toni, fora o elenco todo do Godot, que era o Pretinho, o Glaidson, A Marcyh, o Sergio, o Emanuel, O Emidio, O Jamacaru, o Luis Renato, a Laiany, a Tânia, A Lita,a Ana Angélica, a Nalu e o Zeca
foto do ensaio

A musica e canto estão muito bem representados com o Maestro Brasil e a Kelly, esse casal tem um trabalho formidável.
De poeta e escritor vivo tem o Luciano Bonfim (que vocês já conhecem), o Daniel Glaydson, grande promessa e mais um tanto que não me vem à memória, mas que li e conheço. Há também um pessoal muito interessante que já se exercita na dramaturgia, uma literatura muito especifica e que necessita de uma formação mais rigorosa e principalmente muita prática, cito o Carlúcio e o Denis Melo. Todas essas pessoas merecem ser mais valorizadas.
Na Politica, como em todo lugar tem de tudo, mas tem uma turma que vale a
pena citar, pela seriedade e principalmente pelo amor incondicional que eles tem por Sobral e o seu projeto de futuro. Estou falando do Veveu e a Isolda, casal bacana, ele vice-prefeito e ela hoje Secretária de Estado, o Leônidas Cristino, prefeito competente, meu candidato nas próximas. O Ciro Gomes, cabra bom que sempre teve o meu voto e não se pode deixar de citar o Cid (grande Prefeito de Sobral e que hoje é Governador do Estado) e o Ivo, seus irmãos.
De gostar de Sobral e por me sentir daqui eu agradeço a todo esse povo de que falei e em especial a meus pais João e Suzete que já se foram e meus irmãos por existirem, Valda, Neida, Luis, Miltinho e Noeme e uma penca de cunhadas, cunhados e sobrinhos que me acolhem (tenho paixão por eles) com um carinho desmesurado e desproporcionado até hoje, Também né? Sou o caçula e o mais bonito.
Chico Expedito

A maioria das fotos são minhas. As melhores são de profissionais, algumas da internet que não consegui identificar o fotografo, agradeço e peço desculpas. A do ensaio do Godot é do Denis Leão ( uma das Portas).
Pós Postagem - Desculpem, A foto da Reitoria não é da Reitoria, é da Santa Casa, fico devendo.

sábado, 20 de setembro de 2008

Literatura


série contos de fora


Luciano Bonfim





Mais uma lasquinha da literatura do meu amigo poeta Luciano Bonfim lá de Sobral. Dessa vez é do livro Dançando com Sapatos que incomodam, edição de 2002, e pode contar que vem mais. Aliás, quem quiser conhecer mais da escrita do Luciano, pode fazer uma visita no seu Blog que é o lucianobonfim.blogspot.com. Eu como posso, vou visitar ele pessoalmente na semana que vem e a minha próxima postagem vai ser lá de Sobral, terra dos meus e que gosto que faz gosto. Vou tentar apresentar um pouco da cidade e dos seus, pra vocês conhecerem um pouco mais do lado de lá.

Chico Expedito


Acontecimento

Meio-dia: o tempo. O mês: janeiro, setembro...não recordo.
Creio não haver relevância de precisão para o que me proponho contar. Lembro, isto sim, que o sol ardia desde as primeiras horas da manhã. O guarda, me disseram, regava as flores dos canteiros da praça. Já possuía maioridade, e constavam alguns pêlos em meu rosto e tórax. Ela procurava uma blusa lilás, sapatos pretos - pois combina com tudo, dizia, - e um álbum de fotografias. Não sei se encontrou os três, apenas os sapatos ou nenhum deles, esquivo-me. Estava deitado, quase dormindo. Ela beijou a ponta de meus dedos com a sua boca úmida e frugal (carinhosa e lentamente). Meus olhos, frágeis delatores, naufragaram em íntima sensação.
Poucas mães realizam este acontecimento... - Imagino.



Cartaz da peça “As Mulheres Cegas” do Bonfim

LUCIANO BONFIM [Crateús/CE.]. Publicou: Dançando com Sapatos que Incomodam - Contos[2002]; Móbiles – Contos [2007]; Janeiros Sentimentos Poético[1992] e Beber Água é Tomar Banho por Dentro[2006] – Poesia ; escreveu e montou as peças: Auto do Menino Encantado[2002] e As Mulheres Cegas[2000 e 2004]; criador da revista Famigerado – Literatura e Adjacências[2005]; professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA[desde 1996]; aluno do mestrado em Educação Brasileira[FACED-UFC/2006]
e-mail:
luciano.bonfim@yahoo.com.br

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

OBITUÁRIO II

Calma, não fui rebaixado para a coluna de obituário, nem é a intenção do 4Portas ter tal coluna, mas acho importante registrar as pessoas que fizeram diferença nesta vida.
Nesta 2ªfeira, um dos fundadores da Banda Pink Floyd, Richard Wright, foi morar no "lado escuro da lua", compor e tocar com os Deuses do Rock.
Rick Wright conheceu Roger Waters e Nick Mason na faculdade. Juntos eles formaram a banda Sigma 6, com a chegada de Syd Barrett viria a se tornar o Pink Floyd.





Compositor e instrumentista talentoso, em “Dark Side Of The Moon” (1973), Wright participou do processo de composição de seis das nove músicas, entre elas “Time”, "The great gig in the Sky" (prá mim a mais emocionante) e "Us and them". “Dark Side” que se tornou um dos discos mais vendido da história da música e ficaram 14 anos na parada dos 200 mais populares da “Bilboard”.


Outro grande sucesso que teve participação de Wright foi “Shine on You Crazy Diamond”, do LP “Wish You Were Here”.
Lançou seu primeiro álbum solo em 1978, batizado de "Wet Dream", destaque para "Pink's Song" e formou a banda Zee.
Seu segundo disco solo, “Broken China”, em 1996, teve "Breakthrough" com participação da cantora Sinead O’Connor.

O tecladista voltaria a participar do processo criativo do Floyd no álbum “Division Bell”, de 1994, compondo em parceria com David Gilmour entre outras músicas “What Do You Want From Me”.

Richard Wright, você que ajudou a embalar “viagens” de tantas gerações tenha uma boa viagem.

O link abaixo é para quem quer escutar sem entrar no Blog:
http://www.4shared.com/file/63527873/c9fcfdc0/Richard_Wright_mp3.html
Mas lembrem-se "pirataria é crime" se gostou mesmo compre os discos


quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Teatro

RECOMENDAÇÃO

Edwin Luise
em
Eu Sou Minha Própria Mulher




Estou um pouco atrasado, mas não poderia deixar de registrar nesse Blog o excelente trabalho de Edwin Luisi no excelente espetáculo do excelente texto de Eu Sou Minha Própria Mulher.
É uma daquelas montagens inesquecíveis e que enchem de orgulho os profissionais de teatro. A direção do Herson Capri e da Susana Garcia é segura e discreta, é também inteligente ao ponto de não tentar aparecer e tem a clareza de valorizar e deixar fluir e o trabalho de Edwin Luise, que é de uma qualidade impressionante para os padrões apressados e mal pagos dos nossos trabalhos teatrais. Mesmo o bom ator brasileiro,nem sempre tem o tempo a seu favor ou acha necessário um trabalho de composição muito esmerado, talvez pense que não valha à pena e acaba se defendendo como pode, utilizando velhos truques ou tirando cartas da manga como se fosse um mágico. Isso tudo passa longe diante do trabalho desse ator que se não o vermos no teatro (e não na televisão), nunca poderemos saber da extensão do seu talento e da sua capacidade de nos emocionar, encantar e embevecer. Se tivéssemos na sua interpretação, um pouquinho mais de rigor em algumas transições e construção de uns poucos personagens (parece ser mais de quinze ao todo), na verdade coisas muito sutis e pequenas, que de forma alguma compromete o trabalho ou que público perceba ou se incomode (talvez até fruto de cansaço dos muitos dias de apresentação ou tensão da hora); e se tivéssemos no cenário, um traço mais clássico, menos presente e melhor acabado, teríamos um ator e um espetáculo que não deveriam a nenhum outro no mundo, mesmo os melhores que a gente conhece e tanto cultua. Mesmo assim, está muito acima do nível corrente.
Ouvi comentários de que o tema da peça não nos interessaria, com o seu fundo histórico tão gasto e repetido. A peça não trata disso. Como não se interessar pelo que é humano? Como não se interessar por um personagem, homem ou mulher, que independente da época ou lugar que viveu nos encanta e nos fala tão de perto das nossas fraquezas e que acaba por transformá-las em virtudes, nos orgulhando e ao mesmo tempo nos deixando perplexos pelo fato de sermos gente? Parabéns.

Chico Expedito



“Eu Sou Minha Própria Mulher” é baseada na história verídica da simpática Charlotte Von Mahlsdorf, uma extravagante personagem de Berlim Oriental, conhecida por colecionar relógios, fonógrafos e móveis antigos da época de Guilherme II e que conseguiu sobreviver aos dois mais opressivos regimes do século XX, o nazismo e o comunismo, na Alemanha Oriental, montando e preservando um museu inusitado com peças antigas de casas abatidas na segunda guerra. O museu existe até hoje em Berlim e está aberto à visitação pública. Charlotte Von Mahlsdorf nasceu em 1928 e vivenciou a desumanidade dos dois regimes sem tirar as longas saias e seu colar de pérolas. Charlotte era, na verdade, Lothar Berfeld, um homem que desde a sua adolescência se travestia de mulher. O texto da peça é baseado numa série de entrevistas que ela concedeu ao autor Doug Wright.



Texto e imagens do programa da peça

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Obituário

No dia 4 de setembro perdemos dois símbolos da cultura brasileira, morreram no Rio de Janeiro o ator Fernando Torres e o cantor Waldik Soriano.
Fernando sempre foi respeitado como ator, diretor e produtor de teatro, cinema e televisão, e comemorado por todos. Dispensa maiores comentário, Foi GRANDE e ponto.

Waldik sempre foi chamado pela crítica de “Rei do Brega” e cafona. Destacou-se pelas suas canções e boleros sobre dor-de-cotovelo.

Alguns podem achar estranho colocar Fernando Torres e Waldik Soriano numa mesma homenagem, um representante da “Arte Maior” e o outro (para muitos críticos) da “Arte Menor”.

Particularmente, não gosto do estilo das músicas do Waldik, mas são sinceras e genuínas e não buscavam o sucesso fácil. Algo que todos os pagodes e sertanejos, elogiados pela crítica hoje em dia, não são. Estas "músicas" são totalmente comerciais e banais.

A estes dois homens que, em vida, realizaram seus trabalhos com dignidade e respeito. OBRIGADO!!

Filmografia - Fernando Torres:
Redentor (2004)
Ação Entre Amigos (1998)
A Ostra e o Vento (1997)
Veja Esta Canção (1994)
O Beijo da Mulher Aranha (1985)
Inocência (1983)
Tudo Bem (1978)
Marília e Marina (1976)
O Descarte (1973)
Eu Transo...Ela Transa (1972)
Os Inconfidentes (1972)
Matei Por Amor (1971)
A Penúltima Donzela (1969)
Golias Contra o Homem das Bolinhas (1969)
Em Busca do Tesouro (1967)
Jerry - a grande parada (1967)
Engraçadinha Depois dos Trinta (1966)
Estrella sin luz (1953)
La Duquesa del Tepetate (1951)
A Mulher de Longe (1949)
Música

Canta Waldik Soriano, começando por Eu não Sou Cachorro Não, Tortura de Amor (acreditem, censurada pela ditadura), Garçon por Gentileza e três músicas de Roberto Carlos em uma interpretação abolerada.



O link abaixo é para quem gostou da músicas e quer escutar sem entrar no Blog:
http://www.4shared.com/file/62338843/f7fc7f4c/Msica_Waldik.html

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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Foto: Herbert Macário
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O AUTO-RETRATO

No retrato que me faço
- traço a traço ­-
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...

às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...

e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco- ­
minha eterna semelhança,

no final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!

Mario Quintana

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