terça-feira, 10 de novembro de 2009

MÚSICA - mais da TAL

Conforme prometido no post abaixo, aqui vai o primeiro álbum de Tal Wilkenfeld, "Transformation", gravado em maio de 2006, onde ela compôs, arranjou, produziu e tocou baixo acompanhada nas sete faixas por Wayne Krantz na guitarra, Keith Carlock na bateria, Geoffrey Keezer no piano e Seamus Blake no sax tenor.


É jazz fusion da melhor qualidade e que impresiona com a precocidade e o talenta musical da menina.


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Essa menina é a TAL - TAL WILKENFELD


Apresentada por um baixista amigo, Morg, numa noite de tempestade e vinho, surtei. A menina manda MUITO.

"Tal Wilkenfeld iniciou aos 14 anos tocando guitarra e aos 17 trocou pelo baixo já estudando em New York. Aos 21 fez uma excursão com o gigante do jazz Chick Corea. Um mês depois acompanhou Jeff Beck em seu giro pela Europa, culminando com sua aparição no festival Crossroads."
Confiram a excelência da menina no festival Crossroads junto com Jeff Beck:



Tocando nada menos que STEVIE WONDER, "Cause We've Ended as Lovers "



Esta foi escolhida em homenagem ao Chico e seu Godot.
Em breve vamos escutar tudo que ela tem a nos oferecer aqui ao lado.

sábado, 31 de outubro de 2009

Igrejas

+ Igrejas

Mais estradas e mais cliques de Igrejas. Desta vez são todas do Estado do Rio de Janeiro. Andamos vistoriando as estradas em tempo de chuva.



Arraial do Cabo

Essa Igreja é de 1503. Vamos adiante, quer dizer, vamos voltando. Não sei se vinha ou ia.






Campo Coelho

Não sabia da existência desse lugarejo simpático.





Cascata

Essa eu lembro. Fica numa estrada linda chamada Serramar. A caminho de Sana.








Lumiar

Isso aí, foi antes.






Miguel Pereira

Já isso, foi na outra semana. Coisa curiosa... Na última postagem das Igrejas falei que queria desapropoiar algumas para servir à Cultura. Aí está. Não sei como, mas essa virou Teatro. Juro.




Paty do Alferes

Na mesma semana, estradinha bonita também, entre M. Pereira e Paty.


Sana

Finalmente em Sana, retrocede uma semana, continua a mesma maresia por lá.





São João da Barra

Linda essa Igreja. Casimiro de Abreu está enterrado no cemitério atrás dela. Agora não sei mais em que semana estamos.



São Pedro da Serra
Essa é fácil, do lado de Lumiar.



Saquarema

Muito bonito o lugar. Essa também é fácil, estamos voltando.



Teresópolis

Ih! Agora estamos indo.






Vassouras

Deixa pra lá. Desisto.



Rio de Janeiro

Opa, voltamos. Estamos no Largo do Machado, perto de Casa. Ufa! Valeu a viagem.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Artes Plásticas

Auto-Retrato

Outros



Leonardo da Vince

Privilegiar sua própria imagem? Privilegiar sua própria alma? O que leva um artista a realizar o seu auto-retrato? Várias são as teorias. Várias também são as formas e os estilos. Encanto-me com eles, os artistas e os auto-retratos. Não que eu tenha conseguido uma resposta satisfatória para minha pergunta.
O auto-retrato é uma conversa do artista com ele mesmo. Mas, o que o artista quer de fato nos mostrar? Ora, uma conversa com a gente mesmo é uma coisa complicada, depende de muitas variantes e variáveis, quando então, se coloca que essa conversa interior, vai ser objeto de analise e de apreciação pelo outro, aí a coisa complica mesmo. Eu não me arriscaria, nem a uma conversa muito franca nem a ser mentiroso.
Acho que independente da forma, do estilo, da época, das texturas, cores, etc., um bom historiador ou especialista sempre verá que o artista mostra mais do que pretendeu ao realizar a obra, e que às vezes, eles nos colocam frente a frente com nos mesmos.
Mesmo sem resposta, admiro e me envolvo. Os teóricos escrevem coisas lindas sobre os motivos dos artistas, algumas poéticas, outras de fundo psicológico, estudam a época, os meios, as modas, as aspirações, etc., e algumas de suas teorias até fazem sentido, mas, mesmo assim, não me convenço de todo. Fico procurando talvez, um motivo comum a todos os artistas ou a um grupo de artistas e acho que não existe.
Talvez porque não exista um ser humano igual ao outro, não vai haver um auto-retrato igual ao outro. Sendo assim, através das épocas e das suas urgências, cada caso é um caso e independente dos seus estilos, cada um dos artistas teve e tem o seu próprio motivo. Motivos confessáveis ou não, simples ou complicados, não importa, com certeza são enriquecedores, inspirados e fundamentalmente humanos.







Uma coisa é certa, o ser humano sempre teve prazer em se retratar. No Renascimento, com o homem se tendo como (e se achando) “o centro do universo”, os artistas se serviram do auto-retrato para deixar sua imagem para posteridade, sempre deixando um rastro dos seus estados d’alma.

Mas já no Antigo Egito, Ni-Ankh-Ptah, fez questão de deixar registrada sua fisionomia em um monumento que construiu. O Grego Fídias, na Grécia Clássica se imortalizou numa das esculturas do Partenon.






“O auto-retrato se tornara uma questão de orgulho para os mestres de ateliê durante o sec. XV. Suas fisionomias eram dissimuladamente inseridas na orla de uma multidão pintada ou esculpidas. No auto-retrato, o artista reflete sua imagem externa, assim como estados emocionais, contextos sócio históricos, que circunscrevem a obra, além dos questionamentos sobre maneiras de se ver e de se lidar com arte”.




Peter Paul Rubens





















”A “Ressurreição”, obra de por Piero della Francesca em 1490, pintada para prefeitura de Borgo San Sepolcro, sua terra natal. Na sua visão contemplativa, fatos observáveis são naturalmente simbólicos. Essa imagem suprema traduz a transição do dia para noite, do adormecer para o despertar, do inverno para primavera (a esquerda da pintura os ramos parecem mortos, os da direita pulsam com vida), da morte para vida. O guarda que inclina a cabeça para trás contra o tumulo pode ser um auto-retrato, o que faria dessa pintura um sonho (um desejo) de Piero”.














“Em 1656, Velasquez pintou “as meninas”, não se sabe a quem retratou ou quem era o centro das atenções: Os reis de Espanha, suspeitados em um espelho ao fundo? A Infanta real, no centro? A si próprio, no canto esquerdo? Ou o observador ao fundo? Opção pelo ambíguo, um discurso indireto, da retratação ausente. Esse também é um distintivo da arte moderna e contemporânea”.











Do outro lado do mundo, o auto-retrato também era uma pratica comum. Veja o Coreano Yun-Du-So em 1710, membro da nobreza rural que se dedicava a promover a ciência e a inquirição intelectual. Além de pintar e compunha poemas e musica.







Auto-retrato de Shitao (ou Daoji) 1700, ele praticava um monasticismo budista e explorava a antiga tradição taoísta. No auto-retrato, se coloca como um solitário no cimo da montanha (esse motivo tinha pelo menos uns dois mil anos de historia). Nas curvas e borrões que compõem a montanha, repousa o principio cósmico duradouro ou a força vital. Está em contraposição ao de You-Du-So, que tem uma forte influencia do comércio entre oriente e ocidente. O escrutínio interior simbolizado por Dürer fora retomado por um polígrafo aristocrático envolvido num movimento de reforma que vinha modernizando a variante coreana do confucionismo num diálogo com textos ocidentais. A Coréia, nessa época, havia algum tempo, não era importunada por seus vizinhos dominadores, a China e o Japão”.






































Philip Guston

Philip Guston, pintor abstrato de Nova York em 1969. A sua imagem ironiza o auto-retrato filosófico de um velho mestre – Velasquez, “as meninas” – A tela se chama “o estúdio” e o pintor se veste em um traje sinistro e ridículo da Ku Klux Klan. A tradição como um todo se tornara absurda, cúmplice do mal político.- que tipo de homem sou eu, sentando-me em casa, lendo revistas, nutrindo uma fúria frustrada por causa de tudo – e então indo ao meu estúdio para ajustar um vermelho a um azul - ”

Pensando bem, as pessoas sempre deram um jeito de aparecer ou se expressar. Nós, artistas de hoje (nem todos são assim e nem todos são artistas), com os meios que dispomos para nos expor, fazemos tudo isso e mais alguma coisa, podemos dizer até que, comparados com a gente, eles são muito discretos.
De qualquer forma e independente do que se diga a respeito do auto-retrato, ele continua encantando, levantando questões e me deixando curioso. Agradeço e fico com Rembrandt quando ele diz:

“Quererão saber que espécie de pessoa eu fui”.

Os textos em verde foram retirados ou inspirados na obra “UMA NOVA HISTORIA DA ARTE” de Julian Bell.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

PRETA MARIA

domingo, 4 de outubro de 2009

MERCEDES SOSA

Morre Mercedes Sosa

Aqui nossa homenagem

sábado, 26 de setembro de 2009

livros


Graça Veloso

É com um prazer imenso que apresento através da Porta 5, um amigo, um meu irmão de Brasília, o Graça Veloso. O Graça é uma daquelas pessoas que se não existissem a gente inventava só pra ter uma lembrança boa.
Caboclo goiano, da roça, cheio de graça, de repente lhe cai na cabeça e na dos seus, a ocupação, que hoje é o Distrito Federal e Brasília se fez. Em vez de se intimidar com aquela grandeza toda, ele a assimilou, e persistente, e talentoso como ele é, foi lhe comendo pelas beiradas e se fez também, e hoje lhe transforma e lhe influencia com suas idéias e reflexões.
Tenho um orgulho muito grande de ter começado a aprender o oficio junto com ele lá em Brasília, ainda amadores. O conheci na Faculdade de Comunicação, ainda em 1974 e nunca mais larguei do seu pé. Fazíamos publicidade, mas acabamos optando pelo teatro e fundamos nosso primeiro grupo juntos. Hoje, continuamos seguindo o mesmo caminho, mas por estradas diferentes. Ele enveredou por caminhos acadêmicos e hoje é uma referência nos assuntos que pesquisa.
O Graça além de autor é também ator, diretor de teatro e dramaturgo e lançou mais duas graças esse ano, livros que apresento aqui com enorme satisfação e agradecendo ao “Benedito” e ao “Divino” por ser seu amigo.

Chico Expedito




















domingo, 13 de setembro de 2009

Igrejas


Mais cliques e mais viagens.
Não sei de onde veio esse hábito de fotografar igrejas, nem religioso eu sou. Talvez seja alguma compensação por ir contra tudo o que a minha família acredita e pratica, ou lá no fundo, medo de ir pro inferno.
Talvez seja porque gosto dos prédios, alguns eu até já sonhei em desapropriar e transformar em outras coisas... O normal, o que todo mundo sonha... Teatros, Museus, Bares, etc.
Talvez seja também porque toda cidade tem uma, e normalmente ela é central, a cidade converge para ela, é onde acontecem às festas, e normalmente seus fundos são mais animados do que suas frentes.
Antes das cidades terem uma delegacia ou um banco do Brasil, certamente tiveram uma igreja. Alguém já disse que, como não tinha jeito da policia estar em todo lugar, inventaram Deus, que tudo vê. Aí, tiveram que fazer uma casa para ele.
O certo é que tai o resultado, as fotos não são lá essa coisas porque os cliques foram feitos ou por mim ou pela minha companheira, mas sempre com muita animação e pouca fé.

Chico Expedito

Porto Seguro - BA


Santa Cruz de Cabrália - BA



Itacaré - BA


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Artes Plásticas

Modernistas
auto-retratos








James Ensor



Textos pinçados do livro “MODERNISMO” de Peter Gay






Eram contra a censura, a crítica e a burguesia, estes, com seus gostos e hábitos ultrapassados, e a muito, "sentados com suas bundas enormes em cima da segurança", (não lembro de quem é a frase).



Além de se relacionarem com suas épocas, eles deveriam extrair delas o que elas tinham a oferecer, sem apegos e sem ficarem presos a antiguidade clássica e aos medievalismos





Duchamps

Estavam sempre em guerra contra os estilos ditos “oficiais”, e decididos a se libertarem do peso do passado. Davam sentido ao que Baudelaire já havia antes colocado sobre ...”o heroísmo da vida moderna”.

Chico Expedito

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Reflexões


Reflexões...
Nós, os humanos







Tela de Modigliani


Este Artigo foi publicado no dia 27 de agosto de 2009 na


FOLHA DE S.PAULO Ilustrada

Achei não só interessante como muito pertinente. Reproduzo aqui no 4 Portas para alimentar nossas reflexões e debates.

Chico Expedito, com a colaboração da Clara Solon e do Denis leão.



CONTARDO CALLIGARI



Saber e experiência

Por que visitamos museus?
Procuramos experiência estética
ou queremos nos cultivar?

Na sua próxima visita a um museu de arte, esqueça-se das obras e considere apenas os visitantes.
Um bom número, talvez a maioria, não para diante de uma tela (por exemplo) sem antes ter lido a pequena placa com nome do artista, título e data.
Bom, eles querem se cultivar, saber quem pintou, quando e o quê.
Mas, dessa forma, muitos acabam, sobretudo, limitando sua experiência: ao constatar que o autor lhes é desconhecido, eles mal olham para a tela e passam à obra seguinte, enquanto, se o pintor for uma celebridade, contemplam com dedicação - as más línguas dirão que eles sentem-se assim "autorizados" a parar e contemplar.
Os mais divertidos são os que adotam estratégias bizarras para dar uma espiada na placa sem que o amigo que os acompanha se dê conta e logo exclamam em voz alta, como se tivessem reconhecido a obra sem auxílio algum: "Aqui está o quadro de...".
E há os grupos de turistas, forçados a correr de uma "obra-prima" a outra, atropelando obras menores, que talvez fossem para eles (quem sabe, só para eles) decisivas.
De fato, o saber pode aprimorar nossa experiência estética; por exemplo, é bom apreciar uma tela de El Greco tendo conhecimento do fato de que ele pintou no século 16, pois talvez, sem isso, sua incrível ousadia expressionista nos comova menos.
Inversamente, se privilegiarmos demais o saber, tenderemos a nunca sair de caminhos trilhados e, pior, a forçar nossa experiência no molde do pouco que sabemos.
A primeira vez que visitei o Museu do Prado, em Madri, aos 14 anos, eu só queira ver a pequena sala onde estavam os quadros de Hieronymus Bosch. Ao entrar, fui hipnotizado pelo azul estranho e intenso do céu numa paisagem de Joachim Patinir, um pintor flamengo da mesma época, que eu desconhecia. Não li a placa, "atribuí" a Bosch o quadro de Patinir e saí feliz de ter descoberto "meu Bosch preferido", que era tão diferente dos quadros de Bosch mais conhecidos e reproduzidos.
Se tivesse lido a placa, provavelmente eu teria me sentido na obrigação de esquecer o céu de Patinir e destinar minha atenção só aos quadros de Bosch; em obséquio ao meu saber, que era modesto e trivial, eu teria renunciado a uma experiência cuja lembrança ainda me encanta.
Recentemente, visitei a exposição "In-Finitum", no Palazzo Fortuny, em Veneza (até 15 de novembro), que reúne obras e objetos de todas as épocas ao redor de um tema, "In-finitum", que, cá entre nós, é suficientemente vago para que qualquer coisa possa ser incluída na exposição.
Instalações e quadros emprestados por museus e coleções particulares são assim misturados com objetos que enfeitavam a casa de Mariano Fortuny, quando ele estava vivo.
Há de tudo: de um "conceito espacial" de Lucio Fontana a um banal ovo de avestruz.A regra (inusitada e atrevida) das exposições do Palazzo Fortuny quer que os objetos não sejam identificados por placa alguma, como se a gente estivesse visitando a casa de alguém. Para quem não aguenta o tranco, está disponível uma espécie de mapa que deveria permitir identificar os objetos expostos, mas cuidado: a duras penas.
Para alguns, a visita se torna assim uma caça ao tesouro (as crianças adoram). Outros rejeitam o mapa e testam sua própria capacidade de atribuir algumas das obras a seus respectivos autores.
Outros ainda, fiéis ao espírito da exposição, percorrem os andares do palácio permitindo-se uma experiência estética e meditativa, sem se preocupar em saber direito quais são os objetos nos quais eles esbarram.
O catálogo obedece ao mesmo princípio da exposição: começa com as reproduções das obras expostas, sem nada que as identifique.
Seguem os ensaios e, só em apêndice, a lista das reproduções.Antes de deixar o palácio, li o caderno em que os visitantes são convidados a escrever suas impressões.
O leque vai de "Experiência única, por uma vez pensei e senti, em vez de querer saber quem fez o quê" até a (mais frequente) "Os curadores estão bêbados? Não se entende nada no mapa. Que tal uma plaquinha de vez em quando?".
Pergunta: o que aconteceria em nós, visitantes, se os museus escondessem toda informação sobre as obras expostas?
Moral da história: o debate entre saber e experiência, por mais que seja um clássico do pensamento pedagógico, é sem solução. A falta de saber compromete e empobrece a experiência, mas, sem a liberdade da experiência imediata, o saber se torna chato, estupidamente repetitivo e, no fundo, frívolo.

ccalligari@uol.com.br