segunda-feira, 3 de novembro de 2008

POR UM INSTANTE...

Foto: Herbert Macário
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POR UM INSTANTE...

Estou a caminho de uma nova terra
desconhecida e temida
me ensinaram a temê-la

Num instante toda minha vida
Um filme passando rápido
Vejo num piscar
Muito já não lembrava

O que eu era não importa
passou...
é passado
estou numa nova estrada
e à minha frente o desconhecido

Num instante
o medo se transforma
vira curiosidade

A poucos instantes...
Não importa
é passado

Não sou velho
não sou criança
vivi muito
muito mais que muitos

Agora sei
O tempo não passa
Nem mesmo anda
nós sim

O vento rosna ao passar
me ralando como uma parede
agora somos iguais

No passado que passou
fui um tolo
Agora sei as respostas
as certas e as erradas
- sei tudo -

só mais um instante
o chão vem em minha direção

Como pode?
Em poucos instantes...
aprender tanto

Agora sei
Tudo
tudo que existe
não é vivo
não é morto
Vida é uma definição humana
científica
referencial

Não importa
estou quase chegando

Agora sei
quem amei
quem me suportou
Quando fui amado e a pressa...
- como fui cego -

Fui muito tolo
no passado
mas agora é diferente
sei tudo
sou sábio

Falta pouco
meu corpo tocará o chão
num instante

Não importa
agora eu sei
porque faço parte de tudo
tudo que existe
existiu
existirá
é uma coisa só
inclusive eu
com todos os defeitos
sou parte do todo
fiz minha parte

Nesta viagem não controlo nada
nem meu próprio corpo
Aliás...
acho que o perdi em algum lugar

Agora me junto à pedra e ao vento

Agora sei
Por um instante...
estive vivo

Herbert M. Macário
24 nov93

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Foto: Herbert Macário


sábado, 25 de outubro de 2008

Panorâmicas

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Foto: Herbert Macário
Vista da Praia do Adão
Niterói, RJ
Brasil
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Foto: Herbert Macário
Vista do Parque da Cidade
Niterói, RJ
Brasil
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Foto: Herbert Macário
Vista da Praia de Icaraí
Niterói, RJ
Brasil
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Mistérios da Pedra Doce...

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Foto: Herbert Macário

Pão de Açúcar
Pôr-do-sol visto da Praia de Icaraí
Niterói, RJ
Brasil
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domingo, 19 de outubro de 2008

Opinião

Teatro

Nenê Bonet



Está em cartaz no CCBB à peça Nenê Bonet, encenada pela Cia. Quem São Esses Caras?. Uma companhia estável e atuante da cena carioca, fato em si já promissor para o nosso teatro, sendo este o seu 14º trabalho. O grupo coleciona prêmios e algumas indicações a prêmios importantes do teatro Brasileiro. Esses Caras são: Antonio Fragoso, Carla Faour e o diretor Henrique Tavares , os três formam desde o começo o núcleo do grupo.
Desta vez a Cia. encena um romance de Janete Clair, nossa novelista mais famosa e que revolucionou a teledramaturgia na sua época, seus trabalhos estão envoltos em um clima de conflitos, amores dramáticos e impossíveis, revelações bombásticas, tramas e reviravoltas mirabolantes. Janete Clair sempre se serviu do melodrama para desenvolver nossos temas do dia-a-dia e sempre com alguma crítica social. A adaptação feita pela Carla Faour foi rigorosa e correta, um belo trabalho de dramaturgia que consegue transportar para cena todos os elementos existentes na obra original.
Nenê Bonet é uma adaptação de seu único romance (publicado em 2005), mas escrito semanalmente, capitulo a capitulo na década de 70 para Revista Manchete, é puro folhetim.



A montagem de Henrique Tavares tem uma virtude, ela não critica o estilo de Clair e os seus clichês (aliás, como eles próprios se propõem no programa). Só este fato em si já é muito bom, estamos um pouco cansados de atualizações estéreis de estilos e gêneros literários fixados com piadinhas da zona sul e com posturas e expressões em moda. Em vez disso a direção e elenco conseguem manter o discurso da cena a sério, sempre no limite do ridículo para os padrões de hoje, mas conservando as tensões do gênero e da trama, com o tom, posturas cênicas e estilo interpretativo corretos para o gênero encenado, mantendo em todos os momentos, vivo, o interesse do público. Acompanho esta Cia. a algum tempo, o Grupo não ousa, não faz espetáculos mirabolantes, mas sempre manteve um padrão de qualidade nas suas montagens que correspondem de uma maneira geral as expectativa do seu público. Aliás, é visível o crescimento e o domínio que Henrique Tavares vem mantendo com o seu trabalho de direção nas suas encenações, sempre apoiado por um elenco que sabe muito bem o que quer e que corresponde com um trabalho cada vez mais maduro e de muita qualidade.
“O desafio maior era levar para o palco uma historia com vários cenários, passagens no presente e no passado, e 62 cenas curtas de tirar o fôlego...” Palavras escritas no Programa.
De fato este era o maior desafio e que foi vencido pela direção com uma solução cênica eficiente e engenhosa, mas que acabou, na minha opinião, por ser o maior problema do espetáculo. A solução encontrada acaba, por força da sua repetição, cansando a platéia e o maior prejuízo talvez ainda não tenha sido este. Com um time de técnicos de primeira linha como José Dias na cenografia e Aurélio de Simone na luz, a mesma razão (a linha expressa pelo diretor como solução do espetáculo), faz com que estes artistas formidáveis percam o brilho próprio, eles pouco puderam contribuir ou criar soluções que se adequassem a linha de direção. Infelizmente o figurino de Ney madeira, descolado deste problema e que poderia ser uma excelente contribuição para o espetáculo, não corresponde e não dá a devida textura cênica para a época e estilo do espetáculo, isso se traduziu com clareza na escolha da maioria das cores, tecidos e tons do espetáculo.




No mais, temos um grupo em cena com muito vigor e um espetáculo com rigor interpretativo comovedor, que abraçou um projeto difícil, mas que faz jus e presta uma homenagem justa e merecida a obra da nossa grande novelista. O elenco bastante equilibrado, talentoso e sempre eficiente é formado ainda por Amélia Bittencourt, Alex Nader, Isaac Bardavid, Márcio Ricciardi, Priscila Assum e Viétia Zangrandi, com deliciosas narrações de Glória Menezes, Francisco Cuoco e Tony Ramos.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Exposição

O Fotografo Hans Sylvester fotografou durante seis anos as Tribos do Omo nos confins da Etiópia. Distantes da civilização, os homens mulheres e crianças dessas tribos são verdadeiros gênios de uma arte ancestral, a pintura corporal.
Vivem no grande vale do Rift, em um triangulo entre a Etiópia- Sudão e Quênia, uma região vulcânica que fornece uma imensa paleta de pigmentos naturais, ocre vermelho, caulim branco, verde, amarelo, etc.
Esguios, belos e sensuais são os seus corpos e eles os transformam em imensas telas móveis que se confundem com a natureza em sua volta.
A liberdade com que trabalham seus temas é comovedora. Sabe-se que trabalham com gestos rápidos, vivos e espontâneos, usando os dedos, as mãos abertas, unhas, extremidades de madeira e caules esmagados. A grande simplicidade do traço e a combinação de cores nos seus trabalhos são de uma essencialidade só conseguida por crianças ou os grandes mestres contemporâneos, aqueles que aprenderam muito e que tentam esquecer tudo depois.
Além da pintura, decoram suas cabeças e corpos com flores, folhas e sementes colhidas na natureza, este ato criativo é realizado com uma naturalidade, uma dignidade, um rigor, um equilíbrio e também uma simplicidade e um bom gosto impressionantes que os estilistas famosos de moda nem sempre conseguem.
O que os move é apenas o desejo de decorar-se, de seduzir e de serem bonitos em um jogo de prazer permanente. Viva a celebração da vida.
Conheça a Música da África e veja essa obra de arte.

Denis Leão & Chico Expedito

























O link abaixo é para quem gostou da músicas e quer escutar sem entrar no Blog: http://www.4shared.com/file/67183220/8a19341a/Explorer_Afrique.html

Mas lembrem-se "pirataria é crime" se gostou mesmo compre os discos


domingo, 12 de outubro de 2008