sábado, 20 de março de 2010

Cinema - Entre Macacos e Anjos

Os vídeos, são ensaios (make off) de cenas do filme ENTRE MACACOS E ANJOS, a ser lançado, se os Deuses permitirem, em 2010.

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No Primeiro, sou eu quase louco, decorando falas de uma cena que não estava roteiro do dia.

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No segundo, com meu amigo Alcione Araújo. Um dos melhores dramaturgos e roteiristas do País. Aqui mostrando que também é um bom ator.

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No terceiro, além da voz do diretor, estou muito bem acompanhado da bela e excelente atriz, Danny Olliveira.

O Filme é do amigo e diretor Elizeu Ewald, com quem já rodei outros.

Vamos torcer e aguardar então.

Chico Expedito

quinta-feira, 18 de março de 2010

Cidades

5a Porta
Está na internet. A 5a Porta entra nessa.
Chico Expedito

Casas Casadas

Estamos nos mobilizando pela revitalização das Casas Casadas. Este abaixo-assinado será encaminhado em breve ao prefeito Eduardo Paes e à secretaria municipal de Cultura, Jandira Feghali.

Se você apóia essa luta, clique no link no final do texto para assinar o documento.

Beatriz Cintra Martins
Cecília Jucá de Hollanda
Luciaurea Oliveira Cavalcanti


Casas Casadas - abandono mais uma vez, não!
Abaixo assinado

Construídas em 1883, as Casas Casadas foram tombadas pelo INEPAC – Instituto Estadual de Patrimônio Cultural, em 8 de fevereiro de 1979, por suas qualidades estéticas e arquitetônicas intrínsecas e por constituírem um exemplar único de residência multifamiliar do século XIX. Apesar disso, a construção permaneceu abandonada pelo poder público por muitos anos, deteriorando-se e correndo o risco de desabar, inclusive com a ocorrência de um princípio de incêndio na década de 90, que por pouco não destruiu esse importante patrimônio da arquitetura carioca. Depois de muita luta da comunidade de Laranjeiras, através de sua associação de moradores (AMAL), finalmente conseguiu-se sensibilizar a prefeitura, que providenciou a desapropriação e restauração da edificação.


Restauradas e inauguradas em 2007, belas e majestosas, as Casas Casadas foram abertas para laranjeirenses e demais cidadãos cariocas. Dois terços de seu espaço interno foram cedidos à RIOFILME que disponibilizou à população todo o seu acervo de filmografia brasileira. Completando o projeto de fazer do lugar um pólo irradiador de cultura, as áreas restantes foram ocupadas por uma livraria, café e espaço para música ao vivo, o Espaço Rio Carioca. No projeto original, há a previsão de duas salas de cinema, que já estão prontas e dependem apenas de alvará de funcionamento para receberem o público.


No entanto, hoje, pouco mais de dois anos depois de sua inauguração, em vez de consolidado, o projeto dá sinais de decadência e abandono que causam apreensão: o casarão praticamente fechado; as atividades da RIOFILME paralisadas e vetadas ao público; o Espaço Rio Carioca, isolado e fragilizado pelo funcionamento parcial do projeto cultural aprovado pela prefeitura, já que o cinema, a grande âncora do empreendimento, não pode funcionar.


No momento em que o governo, sistematicamente, apresenta a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016 como propulsores de grandes investimentos na cidade, causa espanto que um conjunto arquitetônico e cultural parte do entorno do Corcovado e do Cristo Redentor, símbolo do Rio de Janeiro e uma das sete maravilhas do mundo, esteja em nítido esquecimento. Muito dinheiro público e privado já foram investidos nas Casas Casadas, e a população de Laranjeiras não aceita que nosso patrimônio, pelo qual tanto lutamos, seja fenecido.


Diante do exposto, urge a reativação da RIOFILME, com a reabertura das salas e estações de exibição de filmes brasileiros oferecidas ao público em geral, à pesquisa de criadores, diretores, produtores, estudantes e estudiosos da sétima arte, e dos laboratórios de restauração de filmes. Também é urgente a inauguração dos cinemas do Espaço Carioca, como forma de movimentar o local e viabilizar o empreendimento, que merece prosperar, não só por representar um lugar para o encontro e o lazer dos moradores, mas notadamente pelo serviço que tem prestado à divulgação da música brasileira, com a realização de shows memoráveis.

É um direito dos moradores de Laranjeiras reivindicar, e é obrigação do poder público realizar, no seu todo e de maneira efetiva, o projeto cultural aprovado para o pleno funcionamento das Casas Casadas. O Rio, Cidade Maravilhosa, merece.

Para assinar o documento, clique aqui: http://www.PetitionOnline.com/ccasadas/petition.html

quarta-feira, 17 de março de 2010

Natureza






5a Porta

Aí... Sujou!


A nossa 5a Porta não podia deixar essa passar.


Chico Expedito




O fundo da folia


Dez dias após o carnaval, resolvi mergulhar com dois amigos na área do Farol da Barra para confirmar a notícia de que havia uma quantidade absurda de lixo espalhada pelo fundo do mar naquela área.


Mesmo com a água um pouco suja por causa das chuvas do dia anterior, logo identificamos o local. Na verdade o lixo não estava espalhado, mas concentrado em um canal provavelmente em razão do movimento das marés. Uma cena lamentável! Eram pelo menos mil e quinhentas latinhas metálicas e garrafas plásticas.


Da superfície o visual parecia com as imagens áreas que vemos dos blocos de carnaval durante a festa momesca. Só que ao invés de estarem pulando, dançando e se beijando ao som frenético e ensurdecedor dos trios elétricos, os foliões do fundo do mar estavam rolando de um lado para o outro numa mórbida coreografia, empurrados silenciosamente pelo balanço do mar, sem dança, sem alegria, sem vida e sem poesia.



Assustados, decidimos não retirar o material naquele dia na esperança de tentar sensibilizar algum veículo de comunicação para fazer uma matéria com imagens subaquáticas. A intenção era compartilhar aquela agressão carnavalesca com nossa população e os donos da folia.

Fizemos contato com pelo menos três emissoras e todas pediram que enviássemos e-mails com fotos, o que fizemos imediatamente. Aguardamos respostas por dois dias e como não tivemos qualquer retorno, optamos por retirar o lixão de lá para evitar maiores danos.

A bem da verdade estávamos super desconfortáveis com nossas consciências por termos testemunhado aquela cena e deixado para resolver o problema dias após. Mas tínhamos que tentar a matéria para que a ação não se resumisse somente à coleta do material.

Tínhamos em mente que a repercussão sensibilizaria os empresários e artistas do carnaval, os órgão públicos, a imprensa, as empresas financiadoras e nossa gente. A tentativa foi boa, mas não rolou…

Fomos então, no terceiro dia após o primeiro mergulho, retirar o material. Antes, porém, fiz questão de chamar um amigo que tem uma caixa estanque para filmarmos a ação e guardarmos o documentário visando trabalhos futuros e até mesmo a matéria que queríamos na TV.



Sem cilindro de ar e contando apenas com duas pranchas de SUP (Stand Up Paddle) e alguns sacos grandes, éramos quatro mergulhadores ousados retirando do fundo do mar tudo o que podíamos naquela tarde.



Pouco antes de o sol se pôr conseguimos finalmente colocar todo o lixo na calçada.
Muitos curiosos, inclusive turistas, olhavam intrigados a nossa atitude e a todo o instante nos questionavam sobre a origem daquele resíduo. A resposta estava na ponta da língua: Carnaval
!


Vou logo informando aos amigos leitores que não sou contra o carnaval, muito pelo contrário, sou fã por diversos motivos, mas acho que a realidade da festa não guarda a menor relação com as belíssimas cenas, as informações rasgadas de elogios e a excessiva euforia amplamente divulgada pela mídia.

Sei que o comprometimento com os patrocinadores e aquela velha guerrinha de vaidades contra os carnavais de outros estados como Pernambuco e Rio de Janeiro, acabam conspirando para isso. Mas vejo aí um modelo cansado, super dimensionado, sem inovações socialmente positivas e remando na direção oposta ao desenvolvimento sustentável da nossa cidade.

Aquele lixo submarino é um pequeno sinal deste retrocesso. Pior, patrocinado solidariamente pelos grandes empresários, artistas e principalmente pelo poder público que tem o dever de melhorar nossa segurança, nossa saúde e educação.

Aproveito o embalo para incluir indignação semelhante sobre os eventos realizados na praia do Porto da Barra durante o verão.

O “Música no Porto” e o “Espicha Verão” não tem trazido nada de bom para nossa cidade, além da oportunidade de vermos ótimos artistas de perto e de graça. De resto, o lixo, o mau cheiro, a degradação ambiental, o xixi pelas ruas, a impressionante quantidade de ambulantes amontoados por todos os espaços públicos e a agressão aos patrimônios históricos, são um grande “pé na bunda” do turista de qualidade.

É o mesmo que olhar para uma bela maçã com a casca brilhante e aspecto suculento, porém, apodrecida por dentro…

Naquele final de tarde acabamos contemplando um por do sol diferente. O monte de lixo empilhado na calçada do Farol da Barra virou atração. E como Deus é grande, fomos brindados com a presença de valorosos catadores de rua para
finalizar a limpeza.



Desta ação, além das ótimas imagens documentadas em vídeo, resta rezar para que os donos do carnaval, dos eventos no Porto da Barra e nossos queridos foliões se toquem que algo tem que mudar.

O fundo do mar não merece aquele bloco reluzente e, ao contrário do asfalto, o oceano costuma revidar violentamente as agressões sofridas.
Não tem alegria alguma no fundo da folia!

Galeria de fotos
Slideshow
Fotos: Francisco Pedro / Projeto Lixo Marinho - Global Garbage Brasil
Fotos do Espicha Verão: Manuela Cavadas e Luciano da Matta / Agência A Tarde

Outros artigos de Bernardo Mussi
Carnaval longe da praia
O lixão precisa de música

Do Bacia

Tenho um amigo que é um santo secular, absolutamente sem religião, que concilia as façanhas de ser homem de família, artista irretocável e portador das boas novas aos pobres (sendo que naturalmente, não sou nenhuma dessas coisas).

Certa vez esse sujeito estava falando comigo sobre outro cara, amigo dele, que ele considera ser ao mesmo tempo artista mais notável e muito mais engajado nas questões sociais do que ele mesmo, um cara que meu amigo tem por seu herói pessoal.

 Nesse momento ele parou o seu relato para perguntar:

 – E você, Paulo, tem heróis?

 Apanhado de surpresa, ocorreu-me responder de modo ao mesmo tempo provocativo e sincero. Ergui uma sobrancelha e arrisquei, como se estivesse em grande dúvida:

 – Jesus?

 – Jesus não vale – exigiu meu amigo. – Jesus é o herói de todo mundo.

 Achei aquilo fascinante, tanto a noção de que Jesus pudesse ser o herói secreto daqueles que não usurpam o seu nome quanto a ideia subjacente, de que mesmo quem admira Jesus carece sensualizá-lo, encontrar-se efetivamente com ele numa pessoa de carne e osso que adequadamente encarne os seus valores e desafios. Eu conhecia uma pessoa assim, o Néviton Marci, mas antes que pudesse mencionar o nome dele meu amigo avançou seu argumento. Sabendo que minha menção a Jesus tinha sido em grande parte uma provocação sobre sua postura arreligiosa, ele prosseguiu:

 – E você sabe muito bem que eu tenho um relacionamento de amor platônico com o cristianismo – e, para explorar todas as possibilidades da metáfora, arrematou: – Eu não fodo com o cristianismo como vocês fazem.

 Eu, que nunca tinha visto meu amigo recorrer a um palavrão, tive de render-me imediatamente a sua lógica, sua lucidez e sua indignação. Porque quanto mais nós cristãos tentamos foder com o cristianismo, no sentido de conhecê-lo (biblicamente falando) e de nos relacionarmos intimamente com ele, mais acabamos fodendo com ele, no sentido de arruiná-lo juntamente com a sua reputação. Deveria nos parecer evidente que ler, escrever, estudar e tagarelar incessantemente sobre Deus e sobre a Bíblia, seja em livros ou blogs, no rádio ou na tv, na igreja ou no local de trabalho, não tem absolutamente qualquer relação de fidelidade com a herança de Jesus ou com os desafios deixados pela sua mensagem. Gente sem religião como meu amigo e seu herói, que não usurpa publicamente o nome do Filho do Homem, é capaz de levar adiante a sua boa nova e honrar a sua herança de forma muito mais aperfeiçoada do que o mais inatacável e articulado dos cristãos. Porque, muito evidentemente, o reino de Deus não consiste em palavra, mas em poder.

 Aplica-se aqui, de forma irretocável e como sempre, a parábola do fariseu e do cobrador de impostos. Por um lado, os cristãos somos os fariseus que agradecem em voz alta, na luz de um palco que construímos para nós mesmos, a dádiva de não sermos pecadores como os irreligiosos; por outro, os irreligiosos que fazem avançar secretamente o reino são como o cobrador de impostos, que não ousam assumir a ribalta e não se consideram dignos de levantar a cabeça nem mesmo para proferir o nome do herói cuja herança poluímos. Fique muito claro, porque esse mesmo Jesus deixou-o muito claro, que não seremos nós a merecer o abraço de confidência do mestre.

 O que fode com o cristianismo somos nós.


Paulo Brabo

terça-feira, 16 de março de 2010