(da internet)
terça-feira, 3 de junho de 2014
domingo, 20 de abril de 2014
Homenagem
Toni Newmam
Nossa
homenagem a Toni Newmam, Ator e Produtor Cultural. Deixa um vazio
na cultura em Sobral e no coração dos amigos.
Tenho
boas lembranças e orgulho da nossa convivência em diversas oficinas e no
espetáculo "Esperando Godot", um trabalho brilhante do
Toni. Vamos lembrar dele no palco como deve ser.
fotos originais de ensaio
"Denis Leão" (cortadas e modificadas em licença poética)
fotos do espetáculo "Wellington
Macedo"
terça-feira, 18 de março de 2014
Opinião
Serendipidade
Um
artigo sobre um livro sobre a Serendipidade, bom pra refletir.
(Chico
Expedito)
Em um mundo cada vez mais racionalizado e programado, que limita a liberdade na
ciência, nas relações sociais e na internet, pesquisadores defendem o retorno à
serendipidade, a arte de descobrir o inesperado
Por Bolívar Torres
Inventado em 1754 pelo inglês Horace Walpole, o termo serendipidade expressa um
conceito velho como o mundo: a arte de encontrar o que não se está procurando.
Sua origem está na milenar lenda oriental “Os três príncipes de Serendip”,
sobre viajantes que, ao longo do caminho, fazem descobertas felizes sem nenhuma
relação com seu objetivo original. Trata-se de um estado de espírito, um poder
de percepção aberto à experiência, à curiosidade, ao acaso e à imaginação, que
ao longo dos séculos esteve na origem de grandes eventos históricos (como a
invenção acidental da penicilina por Alexander Fleming ou a descoberta da
América por Cristóvão Colombo).
Embora obscura e de difícil pronúncia, a palavra está cada vez mais presente em
pesquisas acadêmicas. Esquecido por muito tempo, o conceito virou bandeira de
diversos especialistas, que encontraram na antiga lenda oriental um contraponto
a uma sociedade demasiadamente controlada e programada, que não deixa margem
para o risco e as descobertas fortuitas. Em artigos, livros e conferências,
eles lamentam a perda da capacidade de se deixar levar pelo acaso, seja na
pesquisa científica, nas relações sociais e até mesmo na internet, onde os
caminhos antes sinuosos do hipertexto se encontram ameaçados.
Autora de “Serendipité: Du conte au
concept” (“Serendipidade: Do conto ao conceito”, em tradução livre),
lançado em janeiro na França pela Éditions du Seuil, Sylvie Catellin acredita que a história de Serendip nos devolve uma
maneira mais livre de apreender o mundo e de se relacionar com o conhecimento.
Em todos os campos, seja científico, pessoal ou artístico, vivemos uma
ditadura do número, da rentabilidade, dos modelos fechados e
hiperracionalizados — aponta Sylvie, professora de ciência, cultura e comunicação
na universidade de Versailles-Saint-Quentin-en-Yvelines. — O sucesso da
serendipidade é uma resposta a este mal-estar contemporâneo. É algo muito
forte, porque vem lá de trás, de um conto milenar, que viajou por todas as
culturas, línguas e épocas. Com a serendipidade, você inventa suas regras e
desvia dos caminhos batidos. Ela reumaniza o mundo e nos devolve a fantasia, a
imaginação, a consciência, o prazer de ver aquilo que os outros não veem.
Segundo Sylvie, há um mal-entendido recorrente quando o assunto é
serendipidade. Ao contrário do que muitos pensam, a palavra não remete apenas a
achados acidentais, mas a uma mistura de sagacidade e acaso. Para fazer grandes
descobertas, é necessário prestar atenção aos sinais — e saber interpretá-los.
Afinal, as revelações dos príncipes de Serendip só foram possíveis porque eles
sondaram as surpresas à sua volta, expandindo seus horizontes com a mente
preparada.
Todas as grandes descobertas tiveram em seu processo de origem a
serendipidade, porque nunca sabemos exatamente onde é preciso pesquisar —
afirma Sylvie. — E isso mostra que não podemos programar as descobertas. Por
outro lado, há toda uma corrente da ciência atual que trabalha com objetivos,
resultados e calendários pré-definidos. São pesquisas que acabam seguindo
apenas uma única direção.
A própria lógica do mundo contemporâneo, dividido em nichos e grupos de
afinidades, não promoveria o espírito explorador. Diretor do Centro para Mídia
Cívica do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e autor de diversos
livros sobre a liberdade na internet, o americano Ethan Zuckerman é um dos
principais críticos da homofilia — a tendência das pessoas em criar vínculos
com aqueles que compartilham os mesmos interesses, valores,cultura, etc. Um
fenômeno crescente tanto na estrutura de nossas cidades, fragmentada em guetos
sociais, culturais e econômicos, quanto na mentalidade comunitária que tomou
conta da internet. Como os sistemas de pesquisa, os aplicativos para celular e
os filtros das redes sociais nos oferecem a possibilidade de buscar exatamente
aquilo que queremos (ou, pelo menos, aquilo que acreditamos que queremos),
estaríamos, em todos os aspectos de nossas vidas, trocando o risco pela
segurança, sugere Zuckerman.
Serendipidade e risco estão intimamente conectados — explica Zuckerman. — E
um dos problemas do mundo contemporâneo é que não há estímulo para o risco.
Deslocamentos previsíveis
Zuckerman vê semelhanças entre a evolução dos espaços urbanos e do
funcionamento das redes digitais. Em sua origem, ambos se apresentavam como um
motor de serendipidade ao ligar diferentes tipos de pessoas e promover o
encontro com o estranho e o inesperado. Mas, assim como até mesmo os moradores
das capitais cosmopolitas se isolam em guetos, a internet passou a fechar seus
usuários em bolhas de afinidades. As redes sociais conectam cada vez mais
indivíduos — só que a maioria deles com interesses muito parecidos.
A maior parte dos moradores das cidades se desloca por um número muito
pequeno de lugares — analisa. — Poucas pessoas experimentam o que uma cidade
pode oferecer. E essa tensão entre a oportunidade de diversidade oferecida pela
cidade e a realidade do nosso isolamento é muito próxima do nosso uso da
internet. Por exemplo, eu me considerava uma pessoa muito plural. Mas, quando
George W. Bush foi reeleito, me dei conta que quase todos os meus contatos nas
redes tinham posições políticas parecidas com as minhas.
Segundo Zuckerman, nossa perspectiva é muito menos diversa do que pensamos — e
a limitação não data de agora. Em 1952, o sociólogo francês Paul-Henry Chombart
de Lauwe já mostrava que os deslocamentos de uma estudante parisiense podiam
ser bastante previsíveis; ao transcrever os percursos cotidianos da jovem em um
mapa da cidade, notou que se sobressaía um triângulo ligando o apartamento dela
à universidade em que estudava e à residência da sua professora de piano. O
esquema traduzia “a estreiteza da verdadeira Paris em que cada indivíduo vive”.
Algo parecido aconteceu com a internet. Até pouco tempo, o hipertexto era, de
fato, uma ferramenta notável de serendipidade. Em um simples clique, pulava-se
livremente de uma página a outra, viajando sem muita lógica entre conteúdos
discrepantes. Partia-se de uma busca sobre física quântica na Wikipedia e acabava-se
em um blog anônimo sobre complôs alienígenas. Nos últimos anos, porém, a
navegação se tornou menos dispersa e mais centralizadora. Um punhado de grupos
como Yahoo, Google, Facebook e Microsoft formaram uma espécie de condomínio, do
qual poucos usuários costumam se afastar.
Ao entregar nossos dados para essas empresas, permitimos que elas
personalizassem nossa experiência na web. Baseando-se num histórico pessoal de
navegação, sites como Google e Facebook criam uma hierarquia de conteúdo,
priorizando aquilo que eles consideram mais pertinente para seus usuários. É o
que muitos chamam de “ditadura do algorítimo”: as máquinas teriam criado uma
ilusão de serendipidade, nos fazendo acreditar que nossos achados na internet
são obra do acaso, quando na verdade foram guiados por um robô.
Autor de “O filtro invisível — o que a internet está escondendo de você”
(Zahar), o ativista Eli Pariser acredita que nossa experiência na web se tornou
uma espécie de “bolha de filtro”. Em um mundo com sobrecarga de informação, os
algorítmos praticariam uma forma muito sutil de censura, escolhendo as notícias
às quais estamos interessados — mas que não são necessariamente aquela que
precisamos ver. Esta curadoria, admite Pariser, sempre existiu: a diferença é
que ela não é mais feita por humanos, e sim por máquinas. Outro problema é que
se trata de uma edição invisível, que se apresenta como neutra quando na
verdade não é.
O que estamos vendo agora é a passagem de tocha dos editores humanos para os
algorítimos — lembrou Pariser, em uma de suas palestras no TED. — Só que os
algorítimos não têm o mesmo tipo de ética embutida dos editores. Se são mesmo
os algorítimos que vão fazer a curadoria do mundo para nós, então precisamos
nos certificar que eles não irão apenas se basear em relevância. Precisamos nos
certificar que eles também nos mostrarão coisas que nos deixam desconfortáveis,
coisas que são desafiadoras e importantes.
Terra incógnita
O próximo desafio do mundo digital, acredita Ethan Zuckerman, é repensar uma
internet que, de fato, nos conecte com estranhos e nos faça descobrir o
impensado.
É possível construir ferramentas que aumentem a serendipidade — avalia
Zuckerman. — No momento, tenho uma aluna que está trabalhando em um projeto
chamado Terra Incógnita. Com sua permissão, a ferramenta entra no seu browser,
olha para os artigos que você lê e percebe quais tópicos você se interessa de
forma geral, e em que países você está procurando por eles. Digamos que, depois
de uma semana, a ferramenta descobre que você se interessa por direitos
humanos, mas também pelo Brasil. Ela então lhe propõe artigos sobre este
tópico, mas em diferentes partes do mapa, oferecendo uma maior diversidade.
Para se ter serendipidade, você precisa saber o que a pessoa quer, mas também aquilo
que ela não sabe, e tendo consciência de que há partes do mundo que ela não
conhece.
O futuro promete novas ferramentas, mas nem todas parecem estimular a
serendipidade. Sylvie Catellin teme a popularização do Google Glass, um
acessório em forma de óculos que possibilita a interação dos usuários com
conteúdos em realidade aumentada (“Como o ‘1984’, de George Orwell, vão nos
dizer o que devemos ver”, justifica) e de sites e aplicativos de
relacionamento, como o Lulu e Tinder, que reduzem os encontros afetivos à
efetividade da lógica de mercado.
Todo progresso traz junto uma regressão — opina Sylvie. — Mas não é a técnica
em si que nos desumaniza, e sim a maneira como a usamos. O importante é que a
técnica não nos simplifique, não nos coloque em padrões e números. Por isso a
serendipidade é um chamado para a liberdade, para a desprogramação da nossa
vida. É algo que não podemos modelizar, mas podemos assimilar para ir além das
nossas vontades, além dos nossos encontros.
(Da coluna PROSA de O GLOBO)
Serendipismo:
Descoberta por Acidente e Sagacidade
A
LENDA ORIGINAL
“No
país de Serendip (hoje Sri Lanka) há muito tempo atrás, havia um rei chamado
Giaffer, o qual tinha três filhos. A estes, proporcionou o monarca a melhor
educação sob a tutela dos mais sábios mestres, tanto em matéria de ciência
quanto de moral. Ao final do processo educacional, quis Giaffer testar os
filhos e lhes chamando disse:
– Filhos, estou velho e já governei por muito tempo; vou me retirar do governo para viver uma vida de busca espiritual. Quero que vocês tomem conta do Reino.
Um a um, os três renunciaram à oferta, dizendo não serem dignos desse poder. Surpreendido com a sabedoria deles, mas não satisfeito, o Rei finge-se furioso com a negação e os manda para uma longa jornada.
Aconteceu que, mal haviam chegado ao exterior, resolvem descobrir pistas para identificar com precisão um camelo que jamais haviam visto. Concluem, então, que o camelo é coxo, cego de um olho, sem um dos dentes, transportando uma mulher grávida, e carregando mel de um lado e manteiga do outro.
Quando, depois, encontraram um comerciante que procurava um camelo, relataram as suas observações. O comerciante, pasmo, acusa-os de terem roubado o camelo e leva os três príncipes diante do Imperador Bahram, exigindo punição.
Os três príncipes negam qualquer crime, ao que Bahram indaga como poderiam ter sido capazes de descrever com tanta precisão um camelo sem nunca o terem visto. A partir das respostas, baseadas em evidências somadas em pequenas pistas, dadas pelos três príncipes, percebe a inteligência dos herdeiros de Serendip na identificação do camelo.
Os príncipes disseram que, como a grama havia sido comida pelo lado da estrada onde estava menos verde, haviam deduzido que o camelo era cego do outro lado. Também falaram que havia pedaços de grama semi mastigados na estrada, do tamanho de um dente de camelo, eles deduziram que haviam caído através do espaço deixado por dente perdido na boca do animal.
Como as faixas de marcas na estrada deixavam as impressões de apenas três patas, a quarta estava sendo arrastada, indicando pelo que devia ser coxo.
A questão da carga tinha sido muito simples, posto que haviam formigas de um lado indicando que foram atraídas pelo mel, de um lado da estrada, e o outro lado mostrava nódoas de manteiga derramada.
Quanto ao transporte da mulher, um dos príncipes disse: “Imaginei que o camelo transportava uma mulher, porque havia notado, próximo à trilha, onde o animal deixara marcas de ajoelhar-se, o rastro visível de pés, claramente femininos, onde tinha resquícios de urina humana que, pelo seu próprio odor, denotava ter sido deixados por uma mulher que tinha mantido relações sexuais há algum tempo.
O outro príncipe, esclareceu que concluíram a gravidez da mulher, pois próximo às marcas dos pés, haviam marcas de mãos femininas, denotando que ela havia se apoiado com as mãos para urinar o que configurava o peso da gravidez.
No momento que terminavam o relato ao Imperador, adentrou à corte, um viajante que discorreu ter encontrado o camelo vagando pelo deserto e que o havia reconduzido ao dono, bem como sua carga e transporte.
O Imperador Bahram, além de, evidentemente, poupar as vidas do três príncipes, os encheu de ricas recompensas e os elegeu conselheiros do Império.
– Filhos, estou velho e já governei por muito tempo; vou me retirar do governo para viver uma vida de busca espiritual. Quero que vocês tomem conta do Reino.
Um a um, os três renunciaram à oferta, dizendo não serem dignos desse poder. Surpreendido com a sabedoria deles, mas não satisfeito, o Rei finge-se furioso com a negação e os manda para uma longa jornada.
Aconteceu que, mal haviam chegado ao exterior, resolvem descobrir pistas para identificar com precisão um camelo que jamais haviam visto. Concluem, então, que o camelo é coxo, cego de um olho, sem um dos dentes, transportando uma mulher grávida, e carregando mel de um lado e manteiga do outro.
Quando, depois, encontraram um comerciante que procurava um camelo, relataram as suas observações. O comerciante, pasmo, acusa-os de terem roubado o camelo e leva os três príncipes diante do Imperador Bahram, exigindo punição.
Os três príncipes negam qualquer crime, ao que Bahram indaga como poderiam ter sido capazes de descrever com tanta precisão um camelo sem nunca o terem visto. A partir das respostas, baseadas em evidências somadas em pequenas pistas, dadas pelos três príncipes, percebe a inteligência dos herdeiros de Serendip na identificação do camelo.
Os príncipes disseram que, como a grama havia sido comida pelo lado da estrada onde estava menos verde, haviam deduzido que o camelo era cego do outro lado. Também falaram que havia pedaços de grama semi mastigados na estrada, do tamanho de um dente de camelo, eles deduziram que haviam caído através do espaço deixado por dente perdido na boca do animal.
Como as faixas de marcas na estrada deixavam as impressões de apenas três patas, a quarta estava sendo arrastada, indicando pelo que devia ser coxo.
A questão da carga tinha sido muito simples, posto que haviam formigas de um lado indicando que foram atraídas pelo mel, de um lado da estrada, e o outro lado mostrava nódoas de manteiga derramada.
Quanto ao transporte da mulher, um dos príncipes disse: “Imaginei que o camelo transportava uma mulher, porque havia notado, próximo à trilha, onde o animal deixara marcas de ajoelhar-se, o rastro visível de pés, claramente femininos, onde tinha resquícios de urina humana que, pelo seu próprio odor, denotava ter sido deixados por uma mulher que tinha mantido relações sexuais há algum tempo.
O outro príncipe, esclareceu que concluíram a gravidez da mulher, pois próximo às marcas dos pés, haviam marcas de mãos femininas, denotando que ela havia se apoiado com as mãos para urinar o que configurava o peso da gravidez.
No momento que terminavam o relato ao Imperador, adentrou à corte, um viajante que discorreu ter encontrado o camelo vagando pelo deserto e que o havia reconduzido ao dono, bem como sua carga e transporte.
O Imperador Bahram, além de, evidentemente, poupar as vidas do três príncipes, os encheu de ricas recompensas e os elegeu conselheiros do Império.
(Os três príncipes saíram, então, de
Serendip e seguiram a caminho do reino de um poderoso imperador chamado Beramo.
Durante sua estada nesse reino, diversas ocorrências são elucidadas pelos três
príncipes, impressionando o imperador Beramo pela sagacidade deles. Assim,
Beramo os convida a permanecer em seu reino. Durante esse período, os três
príncipes recebem várias tarefas do imperador, sendo todas elas cumpridas.
Todavia, enquanto os príncipes estiveram ausentes do reino na execução de uma
tarefa, Beramo passa por um sofrimento por causa de uma paixão. Isto é narrado
no livro através de 7 poemas e ao final os três príncipes com sabedoria ajudam
o imperador a superar o sofrimento. Depois disso, eles retornam a Serendip e a
estória termina com os três príncipes tornando-se em sábios governantes.
Em função dessa
estória, Horace Walpole (1717-97), filho do primeiro ministro Robert Walpole,
antiquário e autor do romance gótico “The Castle of Otranto” (Londres, 1765),
usou a palavra `serendipity’ em uma de suas correspondências para o enviado do
rei George II (Florença). Pode-se dizer que este foi o primeiro registro
encontrado da palavra e esta correspondência juntamente a outras encontram-se
contidas nos 31 volumes de correspondências de Horace Walpole (New Haven,
1937), editado por Wilmarth Sheldon Lewis.)
Quando Nasci
Quando nasci
Quando nasci, era preto.
Quando cresci, era preto.
Quando pego sol, fico preto.
Quando sinto frio, continuo preto.
Quando estou assustado, também fico preto.
Quando estou doente, preto.
E, quando eu morrer continuarei preto !
E tu, cara branco.
Quando nasce, é rosa.
Quando cresce, é branco.
Quando pega sol, fica vermelho.
Quando sente frio, fica roxo.
Quando se assusta, fica amarelo.
Quando está doente, fica verde.
Quando morrer, ficará cinzento.
E vem me chamar de homem de cor ?
(Escrito por uma criança Angolana)
Quando pego sol, fico preto.
Quando sinto frio, continuo preto.
Quando estou assustado, também fico preto.
Quando estou doente, preto.
E, quando eu morrer continuarei preto !
E tu, cara branco.
Quando nasce, é rosa.
Quando cresce, é branco.
Quando pega sol, fica vermelho.
Quando sente frio, fica roxo.
Quando se assusta, fica amarelo.
Quando está doente, fica verde.
Quando morrer, ficará cinzento.
E vem me chamar de homem de cor ?
(Escrito por uma criança Angolana)
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Pra mim tudo a ver
Pra mim, tudo a ver (do blog)
Zygmunt Bauman
Zygmunt Bauman (Poznań, 19 de novembro de 1925) é um sociólogo polonês que iniciou sua carreira na
Universidade de Varsóvia, onde teve artigos e livros censurados e em 1968 foi afastado da
universidade. Logo em seguida emigrou da Polônia, reconstruindo sua carreira no Canadá, Estados Unidos e Austrália, até chegar à Grã-Bretanha, onde em 1971 se tornou professor titular
da universidade de Leeds, cargo que ocupou por vinte anos. Lá conheceu
o filósofo islandês Ji Caze, que influenciou sua prodigiosa produção
intelectual, pela qual recebeu os prêmios Amalfi (em 1989, por sua obra
Modernidade e Holocausto) e Adorno (em 1998, pelo conjunto de sua obra).
Atualmente é professor emérito de sociologia das universidades de Leeds e
Varsóvia.
Tem mais de dezesseis obras publicadas no Brasil, dentre as quais Amor Líquido, Globalização: as Consequências Humanas e Vidas Desperdiçadas. Bauman tornou-se conhecido por suas análises das ligações entre a modernidade e o holocausto, e o consumismo pós-moderno.
(texto Wikipédia)
vivemos o fim do
futuro
A revista Época publicou
uma entrevista exclusiva com o filósofo polonês Zygmunt Bauman. Na
conversa com o editor de cultura da Época, Luís Antônio Giron,
Bauman, considerado um dos pensadores mais eminentes do declínio da
civilização, fala sobre como a vida, a política e os padrões culturais
mudaram nos últimos 20 anos.
As instituições políticas
perderam representatividade porque sofrem com um “déficit perpétuo de poder”.
Na cultura, a elite abandonou o projeto de incentivar e patrocinar a cultura e
as artes. Segundo ele, hoje é moda, entre os líderes e formadores de opinião,
aceitar todas as manifestações, mas não apoiar nenhuma. Leia a entrevista.
Entrevista Zygmunt Bauman: "Vivemos
o fim do futuro”
por Luís Antônio Giron para Época (19/02/2014)
por Luís Antônio Giron para Época (19/02/2014)
Época: De
acordo com sua análise, as pessoas vivem um senso de desorientação. Perdemos a
fé em nós mesmos?
Zygmunt Bauman: Ainda que a proclamação do “fim da história” de Francis Fukuyama não faça sentido (a história terminará com a espécie humana, e não num momento anterior), podemos falar legitimamente do “fim do futuro”. Vivemos o fim do futuro. Durante toda a era moderna, nossos ancestrais agiram e viveram voltados para a direção do futuro. Eles avaliaram a virtude de suas realizações pela crescente (genuína ou suposta) proximidade de uma linha final, o modelo da sociedade que queriam estabelecer. A visão do futuro guiava o presente. Nossos contemporâneos vivem sem esse futuro. Fomos repelidos pelos atalhos do dia de hoje. Estamos mais descuidados, ignorantes e negligentes quanto ao que virá.
Época: Segundo o senhor, a decadência da política acontece desde o século passado. A situação piorou agora?
Zygmunt Bauman: A decadência da política é causada e reforçada pela crise da agenda política. As instituições amarram o poder de resolver os problemas à política. Ela seria capaz de decidir que coisas precisariam ser feitas. Nossos antepassados conceberam uma ordem que dependia dos serviços do Estado-nação. Mas essa ordem não é mais adequada aos desafios postulados pela contínua globalização de nossa interdependência. Com a separação do poder e da política, a gente se encontra na dupla situação de poderes livres do controle político e da política que sofre o déficit perpétuo do poder. Daí a crise de confiança nas instituições políticas, uma vez que a política investiu nos parlamentos e nos partidos para construir a democracia como atualmente a compreendemos. Mais e mais pessoas duvidam que os políticos sejam capazes de cumprir suas promessas. Assim, elas procuram desesperadamente veículos alternativos de decisão coletiva e ação, apesar de, até agora, isso não ter representado uma alteração efetiva.
Época: As
redes sociais aumentaram sua força na internet como ferramentas eficazes de
mobilização. Como o senhor analisa o surgimento de uma sociedade em rede?
Zygmunt Bauman: Redes, você sabe, são interligadas, mas também descosturadas e remendadas por meio de conexões e desconexões... As redes sociais eram atividades de difícil implementação entre as comunidades do passado. De algum modo, elas continuam assim dentro do mundo off-line. No mundo interligado, porém, as interações sociais ganharam a aparência de brinquedo de crianças rápidas. Não parece haver esforço na parcela on-line, virtual, de nossa experiência de vida. Hoje, assistimos à tendência de adaptar nossas interações na vida real (off-line), como se imitássemos o padrão de conforto que experimentamos quando estamos no mundo on-line da internet.
Época: Os jovens podem mudar e salvar o mundo? Ou nem os jovens podem fazer algo para alterar a história?
Zygmunt Bauman: Sou tudo, menos desesperançoso. Confio que os jovens possam perseguir e consertar o estrago que os mais velhos fizeram. Como e se forem capazes de pôr isso em prática, dependerá da imaginação e da determinação deles. Para que se deem uma oportunidade, os jovens precisam resistir às pressões da fragmentação e recuperar a consciência da responsabilidade compartilhada para o futuro do planeta e seus habitantes. Os jovens precisam trocar o mundo virtual pelo real.
Época: Como o
senhor vê a nova onda de protestos na Europa, no Oriente Médio, nos Estados
Unidos e na América Latina, que aumentou nos últimos anos?
Zygmunt Bauman: Se Marx e Engels escrevessem o Manifesto Comunista hoje, teriam de substituir a célebre frase inicial – “Um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo” – pela seguinte: “Um espectro ronda o planeta – o espectro da indignação”. Esse novo espectro comprova a novidade de nossa situação em relação ao ano de 1848, quando Marx e Engels publicaram o Manifesto. Faltam-nos precedentes históricos para aprender com os protestos de massa e seguir adiante. Ainda estamos tateando no escuro.
Época: O senhor afirma que as elites adotaram uma atitude de máximo de tolerância com o mínimo de seletividade. Qual a razão dessa atitude?
Zygmunt Bauman: Em relação ao domínio das escolhas culturais, a resposta é que não há mais autoconfiança quanto ao valor intrínseco das ofertas culturais disponíveis. Ao mesmo tempo, as elites renunciaram às ambições passadas, de empreender uma missão iluminadora da cultura. A elite deixou de ser o mecenas da cultura. Hoje, as elites medem sua superioridade cultural pela capacidade de devorar tudo.
Época: Essa diluição dos valores explica por que artistas como Damian Hirst e Jeff Koons buscam mais fama do que reconhecimento artístico?
Zygmunt Bauman: Prefiro não generalizar sobre esse tema. Os artistas, suas performances e produtos são hoje em dia muitos e diferentes, e os veredictos apressados são equivocados. Pessoalmente, detesto e me aborreço com os Damiens Hirsts, Jeff Koons e similares. (ler sobre a obra de Damiens Hirsts e Jeff Koons no final da postagem) Mas eles são ostensivamente sustentados pelas correntes e modas guiadas pelo mercado. Os mercados usurparam o mecenato das artes das igrejas e dos Estados. Por isso, o meio é realmente a mensagem da arte contemporânea.
Época: Como
diz o crítico George Steiner, os produtos culturais hoje visam ao máximo
impacto e à obsolescência instantânea. Há uma saída para salvar a arte como uma
experiência humana importante?
Zygmunt Bauman: Bem, esses produtos se comportam como o resto do mercado. Voltam-se para as vendas de produtos na sociedade dos consumidores. Uma vez que a busca pelo lucro continua a ser o motor mais importante da economia, há pouca oportunidade para que os objetos de arte cessem de obedecer à sentença de Steiner...
Época: O senhor diz que a cultura se tornou dependente da moda. Por que isso ocorre?
Zygmunt Bauman: Modas vêm e vão e são tão velhas quanto a cultura, tão antigas quanto o homo sapiens... O que a fez tão espetacularmente presente em nossa vida diária é o impacto combinado da comunicação digital em tempo real e da produção em massa com a associação entre butiques de alta-costura e grandes redes de lojas. As manifestações culturais e artísticas são arrastadas pelo motor da moda.
Época: A moda
pode dar sentido à vida das pessoas?
Zygmunt Bauman: A moda tem seus usos e uma demanda enorme e crescente. Ela fornece um modelo para a constante troca de identidades de nosso mundo. Funciona também como antídoto contra o horror de falhar num mundo em alta velocidade e contra o resultante abandono e degradação social. Não há nada de inútil na moda. Pelo contrário, é uma necessidade num mundo de flutuação e desorientação.
Época: Seus livros parecem pessimistas, talvez porque abram demais os
olhos dos leitores. O senhor é pessimista? Ou busca a alegria de alguma forma,
apesar de todos os problemas?
Zygmunt Bauman: A meu ver, os otimistas acreditam que este mundo é o melhor possível, ao passo que os pessimistas suspeitam que os otimistas podem estar certos... Mas acredito que essa classificação binária de atitudes não é exaustiva. Existe uma terceira categoria: pessoas com esperança. Eu me coloco nessa terceira categoria. De outra forma, não veria sentido em falar e escrever...
Damian Hirst
A morte é o tema central
da sua obra, que sempre esteve rodeada de grande polémica mais ou menos
premeditada e, por conseguinte de um grande seguimento mediático; por exemplo,
as autoridades de New York proibiram a exposição do seu "casal morto
fodendo duas vezes", dos cadáveres de um touro e uma vaca flutuando em formol. Esta última pertence à sua série de obras mais conhecida, Natural History na qual distintos animais mortos como
um tubarão, uma ovelha ou uma vaca são
conservados e por vezes cortados dentro de tanques de formaldeído. É ainda
conhecido por seus "spin paintings", realizados sobre una superfície
giratória, e pelos seus "spot paintings", círculos coloreados
aleatoriamente.
O seu trabalho mais icónico e polémico, The Physical Impossibility Of Death
In the Mind Of Someone Living (Impossibilidade
física da morte na mente de alguém vivo), um enorme tubarão tigre numa vitrina
cheia de formaldeído, foi vendido em 2004 como a segunda
obra mais cara de um artista em vida (depois de Jasper
Johns), rondando os dez milhões de dólares. Devido à decomposição do
tubarão-tigre, foi substituído com um novo espécime em 2006.
Em Agosto de 2007, este escultor vendeu por 100 000 000 USD
(cem milhões de dólares), a obra 'Pelo amor de Deus', que consiste num crânio
com mais de oito mil diamantes incrustados. O montante desta transação é o mais
alto pago até à data por uma obra de um artista vivo.
(Texto Wikipédia)
Jeff Koons
O artista conceitual
Jeff Koons usou de várias ideias e materiais para construir suas obras. Nessa
diversidade estão:
·
PUPPY - um cachorro formado por flores, medindo 16
metros de altura, construído num jardim de um palácio. Esse trabalho, ele fez
em protesto por não ter participado da Documenta de Kassel, em 1992, na
Alemanha. Ele comparou a cidade alemã à Disneylândia. Atualmente a
"escultura"está no Museu Guggenheim de Bilbao.
·
BRANCUSI - um coelho feito de plástico espelhado,
imitando aço inoxidável policio. Nessa obra, o significado não está
reconhecido, está aberto; ele reflete a personalidade do observador; ele se
adequa ao ambiente como um camaleão.
·
SÉRIE DE OBJETOS DE PORCELANA- o artista fazia
encomendas, a artesões, de pequenos objetos populares: estátuas religiosas
(anjinhos), animais caricaturados (cachorrinhos, ursinhos) e até de alguns
ícones populares (Michael Jackson, pantera cor-de-rosa), arranjo de flores-objetos
presentes no cotidiano. Assim, ele se apropria de elementos estéticos da
cultura de massa (que já possuem uma função), descontextualizando-as.
·
SÉRIE ‘MADE IN HEAVEN’ - o artista apresentava uma
série de fotos gigantescas onde apresentava atos sexuais explícitos, assim como
fotos dele mantendo relações sexuais com a atriz-pornô Cicciolina (a
ícone do gênero). O tema de Koons nesse trabalho seria a validade da
pornografia como arte. Segundo Koons, as imagens não possuem o objetivo de
produzir atração sexual nos observadores, elas apenas mostram a intimidade de
um casal - quebrando um padrão de moral, o que diferencia é a intenção. Essa
afirmação é bastante discutível, mas a discussão levantada pelo artista tem
sido considerada com frequência por artistas contemporâneos.
·
ICON GOOGLE - a 30 de Abril de 2008, o logotipo
apresentado na página do Google é criação de Kooks. .
·
Colaborações com Lady Gaga - a capa do 3ª álbum de
estúdio de Lady Gaga, ARTPOP foi criada pelo artista e divulgada na Times
Square a 07/10/2013. C (ver capa) Criou também
esculturas para um evento da cantora, a ArtRave, suas obras foram expostas no
dia 11/11/2013. Tem seu nome citado na música Applause.
As relações que seus
trabalhos possuem com o conceito de kitsch é que ele transforma o que é kitsch
em obra de arte. Por exemplo: na obra PUPPY ele usa um jardim, que já possui
uma função estética de pura decoração, em uma ironia dentro de um contexto
específico; o coelho BRANCUSI ele juntou a vontade de emitir do emissor com a
vontade de receber do receptor, para transformar o kitsch objeto em arte; as
porcelanas põem em questão: obra de arte ou objeto de cultura de massa?.
(Texto Wikipédia)
Chico Expedito – fev/2014
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