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sábado, 13 de julho de 2013

Praça São Salvador

Mais Violência
Agora embaixo das nossas janelas




quarta-feira, 22 de junho de 2011

Reflexões

Isso é a nossa cara


Estou inspirado... Enquanto escrevo, a televisão ligada no domingo à tardinha ficou esquecida no Faustão, o supra-sumo de tudo. Escrevo sobre a postagem do Xexéu aí em baixo que entrou na 5ª Porta. O colunista sofre com o preconceito (acho que se ele diverte) dos intelectuais de plantão, seja de que lado for ou de qualquer tendência. Pra mim, dessa vez, ele acertou em cheio.
Nós humanos temos tendência a criar mitos, penso que o que não estamos sabendo é o que ou quem mitificar. Estamos em uma época que se mitifica com muita facilidade. Estou tentando refletir sobre o que ele escreveu e tristemente chego à conclusão que tudo isso está ficando a nossa cara. Tento livrar a minha de vez em quando, às vezes eu consigo.
A verdade é que os discursos dos nossos políticos (que vergonha), artistas (muito huu-huu pra pouco conteúdo), atletas (superfaturados em todos os sentidos), formadores de opinião (arrepio) e celebridades (outro arrepio), tem se esforçado para nivelar tudo por baixo.
Aonde e quando foi que tudo isso começou? De quem é a culpa? É claro que não da para generalizar, mas o fato é que não gosto de pensar que a maioria dos nossos artistas, políticos, formadores de opinião (arrepio), celebridades (outro) e atletas são ou estão mal intencionados, ou pior, se estariam ou seriam simplesmente muito pouco preparados pra expressar suas opiniões com tanta veemência.  Vendo e ouvindo algumas pessoas, me lembro de um livro que li do Umberto Eco, onde um personagem costumava mandar alguém “destampar o rabo”. Recomendava o ato para pessoas que se sentiam muito cheias de si, e acreditava que ao “destamparem o rabo”, seria aliviada a pressão e elas voltariam à condição humana.
Fico pensando de quem é a culpa.
Quando foi que a grande maioria das pessoas normais, se é que existe alguma normalidade ainda. Mesmo porque, hoje pouca gente quer ser normal, ninguém quer viver uma vida simples, ser simples, amar, comer, trabalhar, amar de novo, etc. Há que ter alguma diferença, ser alguma coisa a mais (menos ela mesma) ou ser especial. Ninguém quer passar pelo mundo sem deixar uma marca (como se isso fosse possível).
Quando foi que essas pessoas desaprenderam (ou lhes negaram o direito de aprender) a ler uma obra de arte, a distinguir um bom caráter, ser educado, solidário, menos preconceituoso, menos metido, menos complacente com os desmandos, a não ceder a alguma vantagem, a apreciar uma beleza, qualquer que seja, mas que seja uma beleza de fato. Será culpa do onipresente pós-pós-pós liberalismo em todas as suas facetas (a cara visível do novíssimo capitalismo), que enlouquece e alimenta a mídia a ponto de, quando em vez, não distinguirmos mais o que é ficção e realidade? Quem está lucrando com isso?
Temos dificuldade de intuir o que é verdade, meia verdade ou mentira.  Será falta de uma formação consistente, verdadeira, bem intencionada e séria? Tenho comigo que pode ser tudo junto, me nego a acreditar que seja a mais cândida burrice se estabelecendo como média. Sabe o que é pior, a postagem do Xexéu já virou moda, como tudo, aliás. Já está cheio de gente que “não agüenta” mais essas coisas. Esse tipo de comentário gera um grande circulo de repetição e repetição, até aparecer outra coisa bacana que negue isso ou que seja legal para se dizer por aí.
E tudo fica na mesma, é desanimador.
Seria tão bom se nós, simples mortais, pessoas comuns e consumidoras fossemos mais atentos e curiosos e aprendêssemos a pensar com a nossa própria cabeça. No fundo, tendo a acreditar de verdade, que nem todos são assim, acho que uma maioria silenciosa não acredita nem compactua com essa palhaçada. Quem sabe um dia vamos aprender a falar.
Não sei quem é Luan Santana, mas, também não agüento.
Chico Expedito

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Bem-vindos à Idade Média!


"O Jardim das Delicias"

Hieronymus Bosch (1450-1516)


"Na última semana beatificamos um papa, casamos um príncipe, fizemos uma cruzada e matamos um mouro.

Bem-vindos à Idade Média!"

Autor Desconhecido

Recebido por e-mail

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Entre a República e a Democracia

Sem instituições sólidas e respeitadas, a política de inclusão social e econômica não bastará ao Brasil

José Murilo de Carvalho - O Estado de S.Paulo

Passada a moda da cidadania, veio a da república. Como no primeiro caso, não se sabe bem o que se quer dizer com a segunda palavra. Mas a nova moda sugere um pequeno exercício de interpretação da vida política do País mediante um contraste entre república e democracia.

República é forma de governo, mas também valores e um modo de governar, que é o que me interessa aqui. O coração da república está na própria palavra, coisa pública. Desde sua criação pelos romanos, ela significa igualdade civil e governo voltado para o interesse coletivo. Montesquieu a caracterizou como governo de cidadãos virtuosos. Entre nós, frei Caneca foi quem melhor a formulou.

A democracia, por seu lado, desde as origens gregas, sempre teve a ver com o governo da massa. Esse governo não precisa coincidir com bom governo. Daí que república não é o mesmo que democracia. Havia escravos nas repúblicas romana, norte-americana e latino-americanas. A democracia, na verdade, foi vista até a metade do século 19 como fator de corrupção da república.

Quando a democracia foi domesticada pela representação, tornou-se compatível com a república. Esta passou, então, a poder ser democratizada, seja politicamente pela extensão da participação a todos os cidadãos, seja, mais tarde, socialmente, pela inclusão social de todos. Juntar bom governo e inclusão política e social passou a ser um ideal dos países ocidentais. Cada país perseguiu à sua maneira esse objetivo.

A República proclamada em 1889 no Brasil estava longe de ser democrática. Ela sobreviveu 41 anos sem povo e sem preocupação social. Como avanço democrático trouxe só a extinção do voto censitário, mantendo a exclusão dos analfabetos, que eram 85% da população. Até 1930, a participação eleitoral nas eleições presidenciais não passou de 5% da população. Era uma República patrícia e oligárquica, em que não havia lugar para povo, em que o bem comum era o bem de poucos, embora não faltasse honestidade aos governantes. Ouviram-se logo vozes dizendo que aquela não era a República dos sonhos dos propagandistas. Em nossos termos, dizia-se que era preciso democratizar a República.

Em 1930, houve uma ruptura na República. Além de um violento processo de urbanização, que fez do Brasil, em 50 anos, um país urbano, teve início a democratização política da República com a entrada em cena do povo. A Constituição de 1946 tornou o alistamento e o voto obrigatórios para todos. A participação eleitoral de 5% da população subiu para 70% ao final do século. Os 2,6 milhões de eleitores de 1934 viraram 130 milhões em 2009, dos quais 40 milhões começaram a votar durante a ditadura. A democratização da participação escancarou também o acesso ao fechado clube da elite política. Zé da Silva começou a votar e a ser votado.

Começou também a democratização social da República. O Estado Novo promulgou a CLT e ampliou a legislação social. A ditadura militar ampliou a Previdência. Nos últimos 15 anos, sob a democracia política, a inclusão ampliou-se no campo da educação fundamental e da assistência às camadas mais pobres da população.

Diante de tantos avanços, poder-se-ia concluir que já temos uma República democrática, um bom governo numa sociedade igual e includente.

A conclusão seria precipitada. Passo por cima dos problemas referentes à inclusão social, que têm a ver com a manutenção da desigualdade, a má qualidade da educação fundamental e o restrito alcance do ensino médio. No que tange à prática política, a entrada rápida e massiva do povo no sistema eleitoral foi feita em boa parte durante a ditadura. Mais ainda, o grande déficit educacional e os altos níveis de pobreza ainda prendem a maior parte dos eleitores dentro do círculo de ferro da pobreza. O grau de informação e de liberdade de escolha desse eleitorado é reduzido e ele fica vulnerável a apelos populistas, paternalistas, clientelistas. Seu voto é racional, mas obrigatoriamente preso às necessidades imediatas.

Nossas instituições políticas, sobretudo as representativas, não contam com o respeito dos cidadãos. O fato de o problema não ser só nosso não significa que não constitua uma fraqueza da República. Destaco apenas dois pontos. O primeiro consiste no fato de que nossos políticos, muitos deles formados durante a ditadura, exibem reiterado desrespeito ao cargo e aos dinheiros públicos. Não por acaso, as pesquisas de opinião os colocam sempre nas posições mais baixas (20%) da escala de confiabilidade.

O segundo tem a ver com a relação entre Legislativo e Executivo. Nossa República escolheu ser presidencial. Desde o início, implantou-se um presidencialismo imperial que se sobrepõe ao Legislativo e, no limite, o reduz a mero intermediário entre eleitor e governo. A principal dificuldade dos presidentes consiste em formar maiorias parlamentares. Eles a resolvem negociando favores e benesses.

A igualdade de todos perante a lei, requisito republicano, é ainda letra morta da Constituição. Nosso Judiciário é lento e ineficiente, tornando a lei um instrumento desigual de proteção e punição. Qual é o mensaleiro que foi condenado em última instância? Nossas polícias estão longe de padrões aceitáveis de eficiência e correção funcional, para dizer o mínimo.

Desde 1988 várias propostas de reforma já foram feitas para corrigir as falhas do sistema, sobretudo no campo eleitoral e partidário. Ironicamente, o momento positivo que vivemos tem bloqueado o debate das reformas. O que vemos é um presidente popular, um Executivo hegemônico, um Congresso desmoralizado, partidos que abandonaram programas em troca de um pragmatismo radical voltado para cálculos eleitorais. Tudo isso pode ser democrático, mas não é republicano. A democracia avançou mais rápido do que a República. Pode-se argumentar que essa é nossa originalidade, construir uma democracia sem República. A preocupação com o bom governo, eficiente, transparente e virtuoso, seria, nessa perspectiva, moralismo udenista. Nosso método original de inclusão seria o iberismo estatocêntrico e patrimonialista.

Parece-me, no entanto, que valores e práticas republicanas são essenciais para a consolidação da democracia. Não se trata de udenismo. Trata-se de civismo, de valorização do interesse coletivo e do bom governo, sem os quais não se garante a eficácia e a respeitabilidade das instituições. Sem instituições sólidas e respeitadas, nossa República ibérica permanecerá vulnerável aos ventos das crises econômicas e políticas. Valores e práticas republicanos não são apenas meio, mas também fim.

Acoplar República e democracia é particularmente importante no momento em que o País retoma o velho sonho de grande império. Para realizar esse sonho é preciso respeitabilidade externa, que não se consegue apenas com crescimento econômico e inclusão social. São necessárias também instituições políticas sólidas e padrões internacionais de moralidade pública.

A República precisa da democracia para se legitimar, a democracia precisa da República para se consolidar. O equilíbrio entre as duas está no coração de nosso problema político hoje.

José Murilo de Carvalho, Historiador, membro da Academia Brasileira de Letras e
autor de A Construção da Ordem / Teatro de Sombras (Civilização Brasileira)
ESTADÃO domingo, 27 de dezembro de 2009, 00:10
(Indicação do Prof. Guilherme Neves)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Reflexões


Reflexões...
Nós, os humanos







Tela de Modigliani


Este Artigo foi publicado no dia 27 de agosto de 2009 na


FOLHA DE S.PAULO Ilustrada

Achei não só interessante como muito pertinente. Reproduzo aqui no 4 Portas para alimentar nossas reflexões e debates.

Chico Expedito, com a colaboração da Clara Solon e do Denis leão.



CONTARDO CALLIGARI



Saber e experiência

Por que visitamos museus?
Procuramos experiência estética
ou queremos nos cultivar?

Na sua próxima visita a um museu de arte, esqueça-se das obras e considere apenas os visitantes.
Um bom número, talvez a maioria, não para diante de uma tela (por exemplo) sem antes ter lido a pequena placa com nome do artista, título e data.
Bom, eles querem se cultivar, saber quem pintou, quando e o quê.
Mas, dessa forma, muitos acabam, sobretudo, limitando sua experiência: ao constatar que o autor lhes é desconhecido, eles mal olham para a tela e passam à obra seguinte, enquanto, se o pintor for uma celebridade, contemplam com dedicação - as más línguas dirão que eles sentem-se assim "autorizados" a parar e contemplar.
Os mais divertidos são os que adotam estratégias bizarras para dar uma espiada na placa sem que o amigo que os acompanha se dê conta e logo exclamam em voz alta, como se tivessem reconhecido a obra sem auxílio algum: "Aqui está o quadro de...".
E há os grupos de turistas, forçados a correr de uma "obra-prima" a outra, atropelando obras menores, que talvez fossem para eles (quem sabe, só para eles) decisivas.
De fato, o saber pode aprimorar nossa experiência estética; por exemplo, é bom apreciar uma tela de El Greco tendo conhecimento do fato de que ele pintou no século 16, pois talvez, sem isso, sua incrível ousadia expressionista nos comova menos.
Inversamente, se privilegiarmos demais o saber, tenderemos a nunca sair de caminhos trilhados e, pior, a forçar nossa experiência no molde do pouco que sabemos.
A primeira vez que visitei o Museu do Prado, em Madri, aos 14 anos, eu só queira ver a pequena sala onde estavam os quadros de Hieronymus Bosch. Ao entrar, fui hipnotizado pelo azul estranho e intenso do céu numa paisagem de Joachim Patinir, um pintor flamengo da mesma época, que eu desconhecia. Não li a placa, "atribuí" a Bosch o quadro de Patinir e saí feliz de ter descoberto "meu Bosch preferido", que era tão diferente dos quadros de Bosch mais conhecidos e reproduzidos.
Se tivesse lido a placa, provavelmente eu teria me sentido na obrigação de esquecer o céu de Patinir e destinar minha atenção só aos quadros de Bosch; em obséquio ao meu saber, que era modesto e trivial, eu teria renunciado a uma experiência cuja lembrança ainda me encanta.
Recentemente, visitei a exposição "In-Finitum", no Palazzo Fortuny, em Veneza (até 15 de novembro), que reúne obras e objetos de todas as épocas ao redor de um tema, "In-finitum", que, cá entre nós, é suficientemente vago para que qualquer coisa possa ser incluída na exposição.
Instalações e quadros emprestados por museus e coleções particulares são assim misturados com objetos que enfeitavam a casa de Mariano Fortuny, quando ele estava vivo.
Há de tudo: de um "conceito espacial" de Lucio Fontana a um banal ovo de avestruz.A regra (inusitada e atrevida) das exposições do Palazzo Fortuny quer que os objetos não sejam identificados por placa alguma, como se a gente estivesse visitando a casa de alguém. Para quem não aguenta o tranco, está disponível uma espécie de mapa que deveria permitir identificar os objetos expostos, mas cuidado: a duras penas.
Para alguns, a visita se torna assim uma caça ao tesouro (as crianças adoram). Outros rejeitam o mapa e testam sua própria capacidade de atribuir algumas das obras a seus respectivos autores.
Outros ainda, fiéis ao espírito da exposição, percorrem os andares do palácio permitindo-se uma experiência estética e meditativa, sem se preocupar em saber direito quais são os objetos nos quais eles esbarram.
O catálogo obedece ao mesmo princípio da exposição: começa com as reproduções das obras expostas, sem nada que as identifique.
Seguem os ensaios e, só em apêndice, a lista das reproduções.Antes de deixar o palácio, li o caderno em que os visitantes são convidados a escrever suas impressões.
O leque vai de "Experiência única, por uma vez pensei e senti, em vez de querer saber quem fez o quê" até a (mais frequente) "Os curadores estão bêbados? Não se entende nada no mapa. Que tal uma plaquinha de vez em quando?".
Pergunta: o que aconteceria em nós, visitantes, se os museus escondessem toda informação sobre as obras expostas?
Moral da história: o debate entre saber e experiência, por mais que seja um clássico do pensamento pedagógico, é sem solução. A falta de saber compromete e empobrece a experiência, mas, sem a liberdade da experiência imediata, o saber se torna chato, estupidamente repetitivo e, no fundo, frívolo.

ccalligari@uol.com.br

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Um mundo grande...



Caro Chico,
Creio que autor estava fazendo apenas um alerta e usando as palavras de Churchill para dar ainda mais ênfase. Em nosso micro universo até concordo com você, não está tão ruim assim. Claro, podia estar muito, muito, melhor.

Pensando melhor nestas questões, vou além: Falta educação em vários níveis, não é apenas escola. Não é apenas cultura, no sentido da informação. Falta uma questão ética que creio ser um estado natural do homem moderno. Se não ativo em todos, latente na maioria. Faltam valores mais profundos. Valores que o consumo desenfreado e a criada necessidade infindável de ter coisas ajudam ainda mais a corromper o espírito frágil do ser.

Por outro lado, eu sim, levo aquelas palavras mais a sério. Fico pensando se democracia é realmente um caminho sadio para nossa espécie. E não me julgue mal, eu mesmo amo minha independência, minha liberdade... Provavelmente não viveria em outra forma de governo, mas para a humanidade parece uma criança mimada. A liberdade pode ser altamente destrutiva quando sem controle. Se fosse possível começar tudo de novo talvez pudéssemos encontrar um caminho diferente.
Democracia só pode funcionar plenamente numa sociedade madura, adulta e consciente de seus deveres. As escolhas geralmente são individuais não coletivas. E nós estamos longe de atingir a maturidade como espécie. Quando não são a pessoas, são os governos que agem de forma “individualista”. Para aprimorar a democracia, de forma responsável, é uma ação em nível intimo... consciente... que deve transbordar o espaço pessoal. Hoje, a consciência é difícil. Ela extrapola a ética, pois de fato não temos tempo para reflexão. Agimos num sistema que não permite mudanças. Consumir é preciso para existir...
Assim a única conclusão que posso chegar é que precisamos de mais tempo em nosso cotidiano para exercitar a consciência. Precisamos de espaço. Precisamos mais disciplina e paciência para ensinar. Proteger o próximo e educar tinha que ser um mantra universal. O mundo é grande e desigual.
Abraço forte
Herbert

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O PIOR REGIME É A DEMOCRACIA... Francisco Augusto

Ilustração: Rodrigo Fontanini
Concurso MCD Manifest



Quando lecionava História, tive a oportunidade de estudar com meus alunos o nascimento dos regimes políticos ao longo do tempo. Um dos que mais nos chamou a atenção foi a democracia. Ora! Quando falamos em democracia, esta vem como sinônimo de liberdade, de escolha e nestes tempos como o direito de votar e de também ser votado. Em Atenas, na Antiga Grécia, este direito de escolha pertencia à classe dominante, ficando de fora, jovens mulheres e escravos. Embora esta aristocracia dominante representasse menos de 5% da população, isto era democracia. Este regime sofreu profundas mudanças com o passar dos séculos e das revoltas do povo que geraram revoluções; saibam que só no século XX as mulheres puderam a votar no Brasil. Hoje, com as exceções legais votam quase todos. Daí nasce o problema: a maioria da população de um município como os de nossa região não tem a mínima capacidade de votar, uma vez que são ignorantes ao que representa o voto. O resultado é que fatores que deveriam prevalecer em uma eleição, como propostas reais e possíveis dos candidatos ficam de lado e a massa de miseráveis que votam faz a diferença ao invés daqueles que votam em bons políticos. A corrupção não é demérito dos candidatos, mas, principalmente dos eleitores que venderiam, como de fato vendem seu voto em troca de favores. Para cada voto consciente existem dez vendidos. Ou seja, a “massa” simplesmente se viciou e se prostituiu. Ou não é verdade que durante os anos não eleitorais as pessoas, não têm fome, não precisam de dinheiro para viajar, ou de gás de cozinha, entre outros. È só passar na casa de qualquer candidato deste estado e observar as Donas Maria, os Seus José e tantos outros que nem banho tomam mais. No final de tudo, estes que já se acostumaram com este sistema político intencional de mantê-los na miséria fazem a diferença e todos literalmente pagam o pato, do empreguismo, das obras necessárias e não feitas, das mal feitas ou inacabadas, do baixo salário pago, etc. Pelo menos temos ainda o direito de escolha e É OBRIGAÇÃO, QUESTÃO MESMO DE SOBREVIVÊNCIA educar nossos filhos sobre estes temas, politizar os prostituídos a saber que se a coisa pública andar bem, eles não precisarão mais mendigar nada na casa de ninguém. E quanto a democracia ela representa a busca por mudanças, mesmo com todos os seus defeitos. “A democracia é o pior regime... depois de todos os outros”. Esta frase é de Winston Leonard Spencer Churchill, Primeiro Ministro Inglês durante a 2ª Guerra Mundial. Um abraço a todos e consciência a todos.
ESTE ARTIGO FOI PUBLICADO EM 28/09/2008. DE LÁ PARA CÁ, A POLÍTICA SÓ PIOROU.


Postado por Francisco Augusto às Sábado, Janeiro 24, 2009

http://francisco-augusto.blogspot.com/2009/01/o-pior-regime-democracia.html

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Reflexões


Ainda sobre o... O Pop não poupa ninguém.



Achei esse comentário uma bobagem. Um exagero, uma mitificação às avessas e metida a inteligente.
“Diz-se da pornografia...” Quem disse isso da pornografia foi no mínimo ofensivo aos colegas que trabalham e sobrevivem através dela e mais ofensivo ainda com quem os consome. Opinião despropositada e descomunalmente apressada. Sinceramente, não acho o sexo, mesmo o pornográfico, nem a sua exploração, nem o seu consumo uma coisa definitivamente afastada do humano.
Desculpem, mas eu tambem não estou desfigurado, nem desfigurei ninguém, nem acho que ninguém o desfigurou. Ele sim, se desfigurou, mas todos somos capazes de o entender... . Também não acho que... “a fama cria bodes expiatórios”. A fama em si, não cria nada, a não ser noticias, que às vezes são instrutivas e interessantes, mas a maioria das vezes, puras enganações. Os Bodes expiatórios... Acho que eles mesmos se deixam criar... Já os artistas criam apenas obras de arte e às vezes elas se tornam eternas.
“Um homem derramou a sua beleza...” E eu apenas a admirei, a consumi e reconheci seu valor. Acho que também estou dentro do “nós” (já comentando os comentários), talvez com outra postura.
Comentando os comentários, acho que... Não dá para dizer que o mundo se tornou impossível de viver sem a presença de uma criatura, apenas porque essa criatura existiu, por maior que ela seja. O mundo e as cabeças do mundo ficam muito pequenas assim. Aceitar o jogo da fama tambem não merece uma reflexão tão profunda, é simplesmente uma coisa boba e às vezes doente. Já a pornografia, é um trabalho, um meio de vida e às vezes uma necessidade bastante humana, assim como ser chocólatra, alcoólatra ou fumante. Acho.

Gosto da ultima postagem do Herbert e concordo com quase tudo. Me incomoda um pouco definir um artista como decadente ainda em vida, isso sim, não me parece uma coisa inerente ao ser humano, ficar decadente. Voltas e voltas o mundo dá, enquanto se está entre nós, nesse mundo conhecido, tudo é possível, inclusive o fato de que o que estamos enxergando como decadência, seja o que esta o tornando melhor.

Também achei às reações à morte do astro um pouco fora da medida.
Não entendi. Gostava dele e da sua obra também... Pelo menos em alguns momentos de sua trajetória . Nada que houvesse mudado a minha vida ou me tocado muito, mas reconhecia sua importância. Muitos artistas me tocam e sinto as suas mortes. No entanto, não consigo separar muito o artista da sua obra, e acho que talvez sinta a interrupção da obra, mais do que a falta do artista. Pelo menos sobra o que eles nos legam.
Nunca entendi essa coisa do fã descontrolado. Acho desproporcional e exagerada a mitificação que se faz em cima da figura do artista, no lugar da importância da sua obra. Acredito que é a sua função espalhar beleza, entretenimento ou consciência, com a mesma naturalidade que o agricultor espalha as sementes do feijão. O feijão e a arte são alimentos dos humanos.
Muita paz.
Chico Expedito

Pop: Astro Midiático

Estava em sala de aula quando bateram a minha porta com um estranho comunicado: Michael Jackson havia morrido. Fiquei meio surpreso e descrente com a notícia. Não pela morte do cantor em si, mas pelo tom alarmista do anúncio. Me pareceu meio esquisito, exagerado. Tudo bem, é preciso dar um desconto, já que eu não sou um dos seus fãs. Compreendo a reação de um fã-clube, só que não era o caso, nem mesmo de quem fez o informe.

Ao chegar no hotel e ligar a TV pude perceber a dimensão que a morte do artista tinha tomado. Um planeta comovido... o que para mim ficou mais estranho ainda. Michael havia se tornado há muito tempo um personagem exótico. Embora seu trabalho tenha virado referência em várias áreas, os escândalos de sua vida pessoal passaram a chamar mais a atenção do grande público. Antagonicamente, sua obra é algo tão genial que parece imune e de certo modo despregada do ser. Talvez fazendo parte da imagem de gênio excêntrico que permeia tanto a história da arte. Tudo prova que o personagem Pop Star conseguiu sobreviver às esquisitices da criatura.

Pessoalmente, acho que apesar de seus talentos e seu inegável gênio criador, era um artista em franca decadência. E pelo que sei: física, mental, criativa e financeira. E o contraponto entre obra e vida talvez fosse o que o mantinha na mídia, ultimamente. O retorno aos palcos, que já estava programado, criou uma grande expectativa. Até eu fiquei curioso em saber como seria sua atuação...

A mídia sempre teve o mau hábito de construir personagens de consumo rápido, seres de “15 minutos”. Neste caso parece que ela teve que resgatar um artista “morto” para matá-lo como um astro. Os jornais, TVs, rádios e internet fizeram um evento midiático. Recentemente só me recordo de algo semelhante com a eleição de Obama. Por mais revolucionário que Michael Jackson tenha sido em sua música, acho que a reação da mídia diante de sua morte ficou meio desproporcional. Além disso, a notícia ganhou um tom semelhante a um último escândalo. Fico pensando se a comoção foi algo natural ou um efeito “bola de neve” entre os meios de comunicação: Quem dará o último ‘furo’?

Confesso que se me dissessem que sua morte teria tamanha repercussão eu não acreditaria...

Herbert Macário
27jun09

domingo, 22 de fevereiro de 2009

impressões

Impressões



Estava esperando as outras portas que entendem mais do assunto manifestarem suas opiniões a respeito da exposição do Vik Muniz, como ninguém falou nada até agora vou me ariscar, afinal é consenso nosso comentar e dar impressões mesmo em assuntos que não dominamos muito.
È impossível não gostar da obra de Vik Muniz ou sair da sua exposição com críticas ao seu trabalho. Ele é talentoso demais, virtuoso demais, habilidoso demais. Então o que é que está faltando?
Li em algum lugar que ele tem formação publicitária, aí descobri o que me incomodava. Não que o fato de ser publicitário seja demérito, pelo contrario, mas a sua obra acaba sofrendo muito a influência desse formato. Tento explicar.
Parece que ele tem uma única mensagem a passar com a obra em que trabalha. A partir da mensagem definida e fazendo uso de técnicas diversas, usa os materiais adequados à idéia, no espaço adequado e no tamanho adequado. O problema é que não fica espaço para imaginação do observador, para emoção e a ambigüidade. Só existe, parece, uma única leitura para cada uma das suas obras.
Em algumas ele chega à perfeição, como por exemplo, no seu magnífico mapa mundi, onde passa uma idéia perfeita de um futuro não muito promissor para o nosso planeta.















Fiquei, confesso, no interessante, quando vi suas obras, ou no muito interessante e não passei disso. Fiquei imaginando que se não fosse o inusitado do material usado, como o açúcar, a calda de chocolate, o Catchup em suas obras, (não é de hoje que a arte contemporânea usa materiais que causam estranheza, como lixo e outros), o que sobraria?
Li esse comentário em algum lugar.

...Meio século e meio depois da invenção da Fotografia, Vik Muniz reinventa a linguagem e a mídia fotográfica. Trabalho com jogos cognitivos, truques e manipulações que destacam o ilusionismo intrínseco à instantaneidade fotográfica. Na produção de pouco mais de duas décadas questiona a interpretação, a representação e a veracidade das imagens, abusa das antinomias entre o fato e a ficção, a alta e a baixa cultura, o falso e o verdadeiro das informações. Trabalha com figuras já vistas, propriedades de um imaginário coletivo internacional, dando-lhes novas formas em releituras irônicas, propondo a questão crucial: "A retina mente"...

Isso para mim é recurso da publicidade, e as vezes, da má publicidade, não me diz nada enquanto arte, acho invenção e também duvido que a fotografia seja isso ou queira se tornar isso. Em outro comentário li:

Vik devolve as catástrofes da cara do mundo, pega os detritos e recicla-os. Os materiais e os homens que a sociedade excluiu são seus assuntos.
Do lixo aos diamantes ele reinventa a tragédia que se esconde nas sobras sujas ou revela o ridículo que se disfarça no luxo
Seus trabalhos são mais do que artísticos, eles apontam para uma nova atitude, não apenas de pintar ou criticar, mas de mexer no mundo, de invadi-lo.
Em vez de uma arte fria e desesperançada, Vik restabelece uma atitude estética, ecológica e política, com a mão na massa, no ouro e na merda, ela cria esperança.

Acho lindas essas frases feitas, causam impacto, mas não me dizem muito.
Sobre a exposição no MAM alguém escreveu:

...Postada diante do quadro, a mulher se concentra e examina a imagem por alguns segundos antes de se decidir: - Geléia e doce de leite!
Uma discreta expressão de ceticismo surge no rosto da amiga a quem o comentário foi dirigido. A mulher resolve se aproximar para confirmar. – Ah, não: é geléia e manteiga de amendoim – reconhece o erro, explicando-se – manteiga de amendoim é uma coisa que nunca pegou por aqui. Lembra daquele amendocren?
Dirigindo-se à próxima obra, elas prosseguem com entusiasmo o jogo de adivinhação numa atitude que parece estranha se considerarmos onde estão, mas que é típica entre os visitantes da exposição do brasileiro Vik Muniz...
...Não só diante da “Mona Lisa dupla” de geléia e amendoim, mas por toda parte surgem entre os visitantes polêmicas na linha “como diabos ele fez isso?!”.
Já os adolescentes ... e ... de 17 anos, estavam completamente decididos, ainda que lacônicos.
— Incrível — ela disse.
— Muito impressionante — ele completou.
Ali por perto, uma senhora comenta com a amiga:
— Realmente, um dos grandes artistas do nosso tempo.
Descansando num banco com a namorada ..., o militar ... concorda.
— É a melhor exposição que já vi até hoje. É uma coisa clara, não é só para aquelas pessoas que já se aprofundaram no assunto. Você consegue entender.
Um discurso afinado com o do próprio Vik Muniz:
— Quando crio meus trabalhos, não imagino um público específico: pode ser o cara da padaria, o vigilante do museu ou um filósofo. Tento partir de coisas primárias, básicas, e daí construir algo que seja ao mesmo tempo inteligente e acessível. Não são todos que consideram importante esse compromisso do artista com o público. Para muitos, o diálogo do artista consigo mesmo é até mais importante. No meu caso é diferente — afirma...

Isso sim diz muito, para o bem e para o mal. Volto a lembrar que o que escrevo, são só impressões de alguém que não tem muita autoridade no assunto, mas que se arisca a colocá-la. A verdade é que em tudo, em todo seu trabalho, eu consigo ver uma grande criatividade, e criatividade pra mim, é apenas um dos requisitos para um grande artista. Não consigo afastar a idéia da publicidade e das idéias marqueteiras de hoje em dia e isso me incomoda.
Suas obras são obras de arte? Acho que são. O conceito de arte hoje em dia está muito ampliado. Se pensa e se observa a arte de outra forma, as mensagens talvez tenham que ser mais rápidas, não se pode perder tempo, talvez daí a necessidade de técnicas publicitárias. Outro dia eu dizia em um comentário aqui mesmo no blog que – ...hoje, o que acontece, às vezes, com a arte dita contemporânea, é que o observador passeia por cima, por dentro, pelo lado ou embaixo de uma obra, a toca, troca socos, pula na sua frente, fala com ela, faz careta para ela e quase sempre, ela é incompreensível (por isso mesmo, considerada boa) e mais, quase nunca pode se levar ela para casa, nem se quer...
Pelo menos a obra do Vik Muniz é clara, conseguimos entende-la e queremos levá-la para casa ou usá-la em grandes painéis, em saguões de Empresas, Hotéis, Palácios de Governo, etc.
Se isso for arte, eu definitivamente não gosto dela, se for outra coisa que ainda não definiram o que é, mas que é novo e está agregando valores do nosso tempo, eu gosto muito.
A palavra está com vocês.

Vik Muniz – auto retrato

A Última Ceia


Leonardo Da Vinci tinha a fama de trabalhar de forma muito lenta. Há relatos que não era raro o artista passar o dia ou até metade do dia contemplando a obra sem dar uma única pincelada.

Pressionado a terminar o mural que adornaria a parede dos fundos do refeitório do monastério o artista retrucou: “Homens de gênio às vezes fazem o máximo quando trabalham o mínimo, pois estão engendrando invenções e formando na mente a idéia perfeita que depois expressarão com as mãos”. (Fonte: Revista BRAVO! - Outubro de 2008)

Mas 2 anos para fazer um mural é muita coisa...
Trabalhar o mínimo e engendrar o máximo é fácil.
O difícil é por em prática.
Às vezes a melhor coisa é usar o velho lema da Nike:
“Just do it”

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

“Isso não é um cachimbo”

Traição das imagens, 1928-29

Quando o pintor belga René Magritte pintou seu revolucionário (para mim pelo menos...) “Isto não é um cachimbo”, ele levantou uma questão muito interessante entre a representação e o real. A pintura torna-se uma pintura e não uma coisa que atravessamos para ver outra coisa. A pintura representa algo, mas não é a coisa. A arte Moderna provoca o observador a pensar e sentir de forma diversa dos períodos anteriores. Provoca a participação do observador na obra. Você não precisa apreciar a técnica, mas necessariamente precisa pensar sobre o que vê. Magritte é um representante do novo conceito. Mostra que tudo é um jogo. Faz uma paródia com o ver, o pensar e com a própria pintura.

Voltando ao “Cara de Cão“, o jogo não se faz. Agride mas não levanta questões mais profundas, não vai além de um mal estar. Não é que não tenha uma proposta, mas ela não sobrevive ao impacto inicial. A reação de meu amigo Chico Expedito comprova minha tese.

Para quem não teve curiosidade de ver o site do Rodrigo Braga, a descrição do Chico é bem detalhada. A obra é uma elaborada manipulação digital que não permite ver uma “verdade”. Tudo bem que na fotografia a verdade não é tão verdadeira assim, mas ela sempre nos provoca uma crença que algo ali é verdadeiro. O artista quer criar a mentira perfeita, enganar o público e provocar um jogo...

“A idéia inicial era fazer uso da tecnologia de manipulação de imagem digital (que já havia lançado mão em uma série anterior) para produzir algo que estivesse dentro da minha poética e ao mesmo tempo contemplasse essa técnica em todo o seu potencial. Eu me incomodava com o fato dos recursos digitais estarem sendo associados à fotografia apenas como um incremento formal à imagem captada pela lente, ou mesmo apenas como uma exagerada sucessão de aplicações de efeitos que meramente reconstituem a tradição pictórica, e tudo aquilo que o lápis ou o pincel já fazem tão bem há séculos. Queria, portanto, algo que operasse pelo quase imperceptível. Que subvertesse o caráter indicial da fotografia e deixasse o espectador tonto, flutuando entre o virtual e o palpável. Tinha a vontade de gerar não o surrealismo típico de uma montagem fotográfica, mas sim, “fabricar” em ambiente gráfico digital uma “realidade” que, de qualquer forma, pudesse ter ocorrido em verdade, pela habilidade manual humana.” (Rodrigo Braga)

Mostrar como nossa realidade pode ser artificialmente construída é uma proposta pertinente, legítima. Somos enganados por nossos olhos que nos ligam de forma mais rápida ao real. Tanto na publicidade, quando cria nossas referências de bem viver; quanto no jornalismo, quando “apaga” coisas para não chocar (atentado na Espanha) ou muda a cor do coco do cavalo da corte para não “sujar” a imagem pura da rainha (desfile da Rainha Mãe na Inglaterra). Nesse sentido vejo uma certa semelhança com Magritte, mas de fato o que faltou foi a classe e o humor do belga. Rodrigo queria fugir do surrealismo e criou um pesadelo. A idéia é ótima na concepção, mas lhe faltou sutileza na escolha do tema. As questões pessoais que provocaram tal escolha, prefiro não questionar, mas acredito que prejudicaram o resultado final. Pois, segundo o texto de Rodrigo, sua intenção era provocar um jogo entre uma realidade construída e nossa crença no caráter indicial da fotografia, como prova do real. Mas essa discussão quase desaparece diante do choque provocado pelas imagens. Mesmo porque, metade do projeto foi bem verdadeiro. O cão morreu e foi fatiado! A proposta talvez ficasse mais interessante se o recorte do animal também fosse uma farsa e fizesse parte dessa realidade “fabricada”. Afinal, a intenção não era uma manipulação digital?
Prefiro ter cuidado com anedotas sobre artistas contemporâneos, mas bem que as “3 dicas” que o Sérgio apresentou cabem como uma luva neste caso.
(http://4portasnamesa.blogspot.com/2009/01/tres-dicas-rapidas-para-fazer-arte-sem.html)


E voltamos às velhas questões:
Qual o sentido da arte? Será que precisamos mesmo incomodar?
Quem é o artista? E por que ele faz arte?
Tudo bem que comparar Rodrigo Braga com René Magritte é um pouco forte, mas é uma ótima desculpa para apreciar as obras desse mestre:





Reprodução proibida, 1937




Carta branca, 1965









Afinidades Eletivas, 1933



Elogio a dialética, 1936


O Modelo Vermelho, 1937

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Fotografia e Arte

Atrasado e Urgente



Acho que esse auto-retrato lhe cai melhor



Era para ser só um comentário sobre uma postagem a respeito da obra do fotografo Rodrigo Braga - O Cara de Cão, (aí abaixo), feita pela porta Herbert, mas se passou tanto tempo que resolvi postar para retomar o assunto.
Estou com o cego Belarmino, que nossa outra porta, o ST Machado lembrou no seu comentário, o cego disse – Tem gente pra tudo nesse mundo -.
Não gosto, tenho vontade de dizer que pra mim, estou dizendo que, pra mim... Isso não é arte, mas não vou dizer não, pra não aumentar a discussão e não irritar mais gente.
Li o que o autor das fotos escreveu no seu site sobre a sua obra, li de novo... E sinceramente, pode ser problema meu, mas não consegui achar rigorosamente nada, nenhuma lógica ou uma justificativa razoável nas suas explicações para classificar o que ele estava fazendo como arte. Aliás, não entendi suas explicações, me pareceu um daqueles textos difíceis, rebuscados, cheios de frases prontas e bonitas, mas que não dizem nada. Gostaria de entender mais sobre fotografia, sobre arte, sobre tudo, só para poder fazer um comentário com mais conteúdo, não consigo, o que eu vi foi somente uma criatura que se utilizou de um animal sacrificado, não por ele, e cortando-o em pedaços, montou fotos, como se costurasse esses pedaços sobre fotos do seu próprio rosto. Tecnicamente, até onde eu entendo de fotos e de montagens de fotos, o trabalho é bom, mas, pra mim está em outro segmento do conhecimento humano, que não me arriscaria dizer qual é.

Estou com o ST Machado de novo na sua postagem que fala das ...três dicas para se fazer arte... O que eu entendi foi um artista com uma necessidade enorme de se diferenciar e de inventar alguma coisa que chocasse ou que parecesse nova.

O Herbert escreveu o seguinte na sua postagem...

O auto-retrato é uma busca de identidade, um reconhecimento, mas, sobretudo uma apresentação íntima. Quem já o fez sabe do que estou falando e que...

Acho que está certo.

...Optou por recortar literalmente o real para criar sua identidade. Ainda que me pareça estranho. Não vejo como esse tipo de trabalho poderia ir além da provocação... Faltava algo... Depois de ler o texto, sai caçando o site do fotógrafo. Muito interessante!!...

Também tudo bem.

...Este ensaio me fez pensar sobre dois aspectos: a identidade e a realidade. A identidade é algo que construímos na intenção de ser real. E como na fotografia, ela perpassa pelo real, mas também é outra coisa...

Não entendi. O que é essa outra coisa? Gostaria que me explicassem... Assim, como se eu tivesse quatro anos de idade. Abaixo mais trabalhos de Rodrigo Braga, outros auto-retratos, tirem as suas próprias conclusões.




E então, quando vamos ver o Vik?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O Cara de Cão


O auto-retrato é um dos grandes temas da arte mundial. E entre muitas outras coisas a fotografia também o tem por herança. Acho até que é algo orgânico do ser criador.
Eu pessoalmente sou meio avesso a me deixar fotografar, mas entendo bem a questão do auto-retrato. Em meus arquivos existem dezenas deles. Só tive que apresentar um ensaio deste tipo uma única vez e confesso que foi uma experiência bem interessante. Talvez até faça uma coleção para publicar... um dia...Sem dúvida é um ótimo exercício criativo, principalmente se você for obrigado a apresentar a imagem. O auto-retrato é uma busca de identidade, um reconhecimento, mas, sobretudo uma apresentação íntima. Quem já o fez sabe do que estou falando e que as exigências sobem muito.


A fotografia e a realidade estão sempre em disputa. Fotografia não é a realidade, mas usa a realidade como elemento. Nesse ponto sou um fotógrafo da antiga, não uso em meu trabalho a manipulação. Corrijo, mas não transformo o que vi. Me apresento sempre como um “escolhedor”. Escolho a luz, o meio, o momento, o ângulo de visão... Não gosto nem de cortar a imagem... E não é por caretismo, mas como um desafio do meu olhar, do meu criar. Deixar a foto pronta num click! Não levanto bandeiras, apesar de acreditar que para ser um bom fotógrafo não se pode sair mexendo em tudo antes de dominar o click.
Talvez por uma certa falta de habilidade de criar no “branco”. Não sou tão bom em construir, sou melhor escolhendo. Como falava para uma amiga pintora, me dê duas folhas em branco e escolho qual a mais interessante.

As fotos são de Rodrigo Braga. O ensaio se chama “Fantasia de compensação”. Vi este ensaio na Revista Fotosite. Num primeiro momento me pareceu que esse cara também tem algo em comum comigo. Optou por recortar literalmente o real para criar sua identidade. Ainda que me pareça estranho. Não vejo como esse tipo de trabalho poderia ir além da provocação... Faltava algo... Depois de ler o texto, sai caçando o site do fotógrafo. Muito interessante!!
Este ensaio me fez pensar sobre dois aspectos: a identidade e a realidade. A identidade é algo que construímos na intenção de ser real. E como na fotografia, ela perpassa pelo real, mas também é outra coisa. Ambas são um recorte, nosso ou de quem vê.

Vai lá que depois conversamos!




quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Vamos Voltar



Estivemos dormindo
Estivemos fora do ar
E ai Turma?
Está na hora de voltar
Feliz ano novo




sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Reflexão

Não sei quem é o Neto e tambem não sei o que vem a ser Bullet,
mas concordo com ele, que vergonha.

Chico Expedito







Para todos nós refletirmos um pouco os tempos em que vivemos...


Texto do Neto, diretor de criação e sócio da Bullet, sobre a crise mundial.


"Vou fazer um slideshow para você.Está preparado? É comum, você já viu essas imagens antes. Quem sabe até já se acostumou com elas. Começa com aquelas crianças famintas da África. Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele. Aquelas com moscas nos olhos. Os slides se sucedem.Êxodos de populações inteiras.Gente faminta. Gente pobre. Gente sem futuro. Durante décadas, vimos essas imagens. No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto. Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados. São imagens de miséria que comovem. São imagens que criam plataformas de governo. Criam ONGs.Criam entidades. Criam movimentos sociais. A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza. Ano após ano, discutiu-se o que fazer. Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.


Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo.


Resolver, capicce?


Extinguir. Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta. Não sei como calcularam este número. Mas digamos que esteja subestimado. Digamos que seja o dobro. Ou o triplo. Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo. Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse. Não houve documentário, ong, lobby ou pressão que resolvesse. Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola


2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia.

Como uma pessoa comentou, é uma pena que esse texto só esteja em blogs e não na mídia de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar. Se quiser, repasse, se não, o que importa? O nosso almoço tá garantido mesmo.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

reflexões

Pequena reflexão sobre arte. A partir de...



O pensador



Alguma coisa me incomoda nos Fractais. Talvez por que às vezes suas representações sejam apresentadas como arte. Não acho que sejam, possuem uma frieza que me leva a observá-las também friamente e analiticamente, não me emocionam em nada.



Tenho a impressão que o fato de pretenderem uma explicação científica acaba por tirar todo o prazer, o sentimento e a abstração que uma obra de arte provoca em um ser humano. Talvez seja pessoal, mais é o que sinto. Guardadas as devidas proporções, a relação Arte e Ciência deve ser como a relação Ciência e religião, brigam entre si. Talvez religião também seja uma obra de arte, uma invenção artística.



Escrevo sobre isso por causa da bela postagem do Herbert sobre a obra de M.C. Escher (ai embaixo e a dos fractais mais embaixo), onde ele coloca que elas são parecidas com os Fractais, talvez até os pais dos Fractais... Mas não sei não. O Trabalho de Escher sim, pra mim é arte, e embora eu não consiga avaliá-la tecnicamente nem tampouco estabelecê-la dentro das teorias de estilo e historia da arte (isso seria um prazer a mais), elas me emocionam e extasiam e aí me reconheço como ser humano ligado a outro ser humano de um século diferente e que jamais vou conhecer.



Tenho falado muito e vou continuar falando em função da arte e continuo insistindo em que ela deve ter uma função. As pessoas, às vezes não entendem que falo de qualquer função, não necessariamente uma função imediata, política, social, etc., pode ser, digamos, uma função puramente sensorial, humana... De identificação humana, de levar a mente e o sentimento por um caminho antes não visitado. A cabeça abre, a alma cresce e a conscientização e a racionalização vem depois. Se a obra tiver qualidade, ela te toca de alguma forma e de alguma maneira tem a ver com teu universo, só falta você descobrir o que é.



No meu trabalho como diretor de teatro sempre caminho nessa direção, primeiro vem o que se convencionou chamar de inspiração, depois dessa fase de criação mais ou menos desordenada, vem uma arrumação dos elementos colocados, uma racionalização em termos de leitura e convenção teatral para que ela seja percebida e aproveitada pelo público. Normalmente essa arrumação leva em conta os valores de uma época ou do momento ou ainda os dois. Não no sentido de consagrá-las, cristalizá-las ou respeitá-las a ponto de não ousar, mas de discuti-las e principalmente de tornar o caminho do entendimento mais claro.



Teatro e artes plásticas, acho, são diferentes para percepção humana. Enquanto nas artes plásticas, de uma tacada só, se observa aquele universo por inteiro. No teatro, as emoções e racionalizações são construídas a partir uma conjunção de elementos diferentes que envolvem literatura, interpretação, música e até artes plásticas, seqüenciados e com tempos diferentes e que só ao final dão a perspectiva do todo.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Planeta Terra

reflexões

Planeta Terra





MusicPlaylist





« O Universo do divino Aristóteles, com suas esferas misticamente musicais e as suas abobodas de cristal e os movimentos circulares de seus corpos e o angulo obliquo do trajéto solar e os mistérios da tabela dos satélites e a riqueza estelar do catalogo da calota austral e a arquitetura iluminada do globo celeste, forma uma construção de tal ordem e beleza, que deveríamos hesitar muito antes de perturbar essa harmonia. »


« As cidades são estreitas e as cabeças também. Supertição e peste. Mas o que se diz agora é que tudo se move. Logo a humanidade terá uma idéia clara de sua casa.
Muros e cascas, tudo parado. Há dois mil anos a humanidade acredita que o sol e as estrelas do céu giram em torno da terra. O papa, os cardeais, os príncipes, os sábios, capitães, donos de terra, comerciantes, peixeiras e crianças de escola, todos achando que estão imóveis nessa bola de cristal. Mas agora nós vamos sair para uma grande viagem. Porque o tempo antigo acabou e começou o tempo novo. Onde a fé teve mil anos de assento, sentou-se agora a dúvida. »



« Eu não sou uma coisa qualquer, numa estrelazinha qualquer, girando por aí, ninguém sabe até quando. Eu piso terra firme, a terra está em repouso, é o centro do universo, eu estou no centro, e o olho do criador repousa em mim, somente em mim. Os astros e o sol magestoso giram em torno de mim, fixados em oito esferas de cristal ; foram criados para iluminar a mim, para que Deus me veja. É irrefutavel, portanto, que tudo depende de mim, o homem, o esforço de Deus, a criatura central, a imagem de Deus imperecivel... »

Fala Galileu

« A verdade é filha do tempo não da autoridade. »
« Hoje, dez de janeiro de l610, a humanidade registra em seu diario : aboliu-se o céu. »
« Mesmo os filhos das peixeiras quererão ir a escola, eles gostarão de uma astronomia em que a terra também se mova, como as nossas caravelas, sem amarras e em grande viagem. E a terra rola alegremente em volta do sol, e as mercadoras de peixe, os comerciantes, os príncipes e os cardeais , e mesmo papa rolam com ela. Uma noite bastou para que o universo perdesse o seu ponto central, de modo que agora o centro pode ser qualquer um, ou nenhum. »

« Os senhores do Santo Oficio ficaram chocados com essa imagem do mundo, perto da qual a deles parece uma miniatura. O que os padres temiam é que nesse espaço infinito, talvez fosse facil perder de vista um prelado, ou mesmo um cardeal. O próprio papa talvez caisse fora das vista do senhor. »


Começo do anoitecer de um dia qualquer no Brasil

Anoitecer na América do Norte

Estreito de Gibraltar

Islândia


Mar Vermelho

Independente das opiniões passadas, presentes e futuras, ela é linda e toda ela é nossa responsabilidade.



Imagens : além virtual
Trilha musical : Denis leão
Textos entre aspas : Trechos da peça Galileu Galilei de Bertolt Brecht