quinta-feira, 26 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
100 melhores filmes da década segundo o jornal inglês The Times
1. Caché (Michael Haneke, 2005)
2. A Supremacia Bourne/O Ultimato Bourne (Paul Greengrass, 2004, 2007)
3 Onde os Fracos Não Têm Vez (Joel Coen, Ethan Coen, 2007)
4 O Homem-Urso (Werner Herzog, 2005)
5 Team America: Detonando o Mundo (Trey Parker, 2004)
6 Quem Quer Ser um Milionário? (Danny Boyle, 2008)
7 O Último Rei da Escócia (Kevin Macdonald, 2006)
8 Cassino Royale (Martin Campbell, 2006)
9 A Rainha (Stephen Frears, 2006)
10 Hunger (Steve McQueen, 2008)
11 Borat (Larry Charles, 2006)
12 A Vida dos Outros (Florian Henckel von Donnersmarck, 2006)
13 This Is England (Shane Meadows, 2007)
14 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (Cristian Mungiu, 2007)
15 A Queda (Oliver Hirschbiegel, 2004)
16 Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Michel Gondry, 2004)
17 O Segredo de Brokeback Mountain (Ang Lee, 2005)
18 Deixe Ela Entrar (Tomas Alfredson, 2008)
19 Vôo United 93 (Paul Greengrass, 2006)
20 Donnie Darko (Richard Kelly, 2001)
21 Boa Noite, e Boa Sorte (George Clooney, 2005)
22 Longe do Paraíso (Todd Haynes, 2002)
23 O Equilibrista (James Marsh, 2008)
24 Extermínio (Danny Boyle, 2002)
25 Dançando no Escuro (Lars Von Trier, 2000)
26 Minority Report (Steven Spielberg, 2002)
27 Sideways - Entre Umas e Outras (Alexander Payne, 2004)
28 O Escafandro e a Borboleta (Julian Schnabel, 2007)
29 Quero ser John Malkovich (Spike Jonze, 2000)
30 Irreversível (Gaspar Noé, 2002)
31 Iraq in Fragments (James Longley, 2006)
32 Gladiador (Ridley Scott, 2000)
33 Um Casamento à Indiana (Mira Nair, 2002)
34 Procurando Nemo (Andrew Stanton/Lee Unkrich, 2003)
35 E Sua Mãe Também (Alfonso Cuarón, 2002)
36 Na Captura dos Friedmans (Andrew Jarecki, 2004)
37 Amor à Flor da Pele (Wong Kar Wai, 2000)
38 Cidade dos Sonhos (David Lynch, 2001)
39 Encontros e Desencontros (Sofia Coppola, 2003)
40 Syriana (Stephen Gaghan, 2005)
41 Filhos da Esperança (Alfonso Cuarón, 2006)
42 Os Incríveis (Brad Bird, 2004)
43 Batman - O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan, 2008)
44 Sob a Areia (François Ozon, 2000)
45 Touching the Void (Kevin Macdonald, 2003)
46 Traffic (Steven Soderbergh, 2000)
47 My Summer of Love (Pawel Pawlikowski, 2004)
48 Pequena Miss Sunshine (Jonathan Dayton/Valerie Faris, 2006)
49 Ligeiramente Grávidos (Judd Apatow, 2007)
50 O Senhor dos Anéis: O retorno do Rei (Peter Jackson, 2003)
51 O Quarto do Filho (Nanni Moretti, 2001)
52 O Jardineiro Fiel (Fernando Meirelles, 2005)
53 Milk (Gus Van Sant, 2008)
54 Papai Noel às Avessas (Terry Zwigoff, 2003)
55 Chopper (Andrew Dominik, 2000)
56 Volver (Pedro Almodovar, 2006)
57 The Consequences of Love (Paolo Sorrentino, 2004)
58 Shaun of the Dead (Edgar Wright, 2004)
59 Ser e Ter (Nicolas Philibert, 2002)
60 A Lula e a Baleia (Noah Baumbach, 2005)
61 A Viagem de Chihiro (Hayao Miyazaki, 2001)
62 O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy (Adam McKay, 2004)
63 Sangue Negro (Paul Thomas Anderson, 2007)
64 A Criança (Jean-Pierre Dardenne/Luc Dardenne, 2005)
65 Valsa Com Bashir (Ari Folman, 2008)
66 Cidade de Deus (Fernando Meirelles, Katia Lund, 2002)
67 Gomorra (Matteo Garrone, 2008)
68 Memento (Christopher Nolan, 2000)
69 Persépolis (Vincent Paronnaud, Marjane Satrapi, 2007)
70 Entre os Muros da Escola (Laurent Cantet, 2008)
71 Monstros S/A (Pete Docter/David Silverman/lee Unkrich, 2001)
72 Guerra ao Terror (Kathryn Bigelow, 2008)
73 De Tanto Bater, Meu Coração Parou (Jacques Audiard, 2005)
74 O Labirinto do Fauno (Guillermo Del Toro, 2006)
75 Fale com Ela (Pedro Almodóvar, 2002)
76 Control (Anton Corbijn, 2007)
77 Tiros em Columbine (Michael Moore, 2002)
78 About Schmidt (Alexander Payne, 2002)
79 Le Grand Voyage (Ismael Ferroukhi, 2004)
80 Eu, Você e Todos Nós (Miranda July, 2005)
81 In The Loop (Armando Iannucci, 2009)
82 Yi Yi: A One and a Two (Edward Yang, 2000)
83 Ventos da Liberdade (Ken Loach, 2006)
84 Hotel Ruanda (Terry George, 2004)
85 A Professora de Piano (Michael Haneke, 2001)
86 O Orfanato (Juan Antonio Bayona, 2007)
87 Time and Winds (Reha Erdem, 2006)
88 Os Excêntricos Tenenbaums (Wes Anderson, 2001)
89 Escola de Rock (Richard Linklater, 2003)
90 Penetras Bons de Bico (David Dobkin, 2005)
91 Lantana (Ray Lawrence, 2001)
92 Estranhos de Passagem (Stephen Frears, 2002)
93 O Clã das Adagas Voadoras (Zhang Yimou, 2004)
94 Uma Verdade Inconveniente (Davis Guggenheim, 2006)
95 Amores Brutos (Alejandro González Iñárritu, 2000)
96 Morvern Callar (Lynne Ramsay, 2002)
97 Sympathy for Lady Vengeance (Park Chan-Wook, 2005)
98 Crash (Paul Haggis, 2004)
99 Battle Royale (Kinji Fukasaku, 2000)
100 O Diabo Veste Prada (David Frankel, 2006)
2. A Supremacia Bourne/O Ultimato Bourne (Paul Greengrass, 2004, 2007)
3 Onde os Fracos Não Têm Vez (Joel Coen, Ethan Coen, 2007)
4 O Homem-Urso (Werner Herzog, 2005)
5 Team America: Detonando o Mundo (Trey Parker, 2004)
6 Quem Quer Ser um Milionário? (Danny Boyle, 2008)
7 O Último Rei da Escócia (Kevin Macdonald, 2006)
8 Cassino Royale (Martin Campbell, 2006)
9 A Rainha (Stephen Frears, 2006)
10 Hunger (Steve McQueen, 2008)
11 Borat (Larry Charles, 2006)
12 A Vida dos Outros (Florian Henckel von Donnersmarck, 2006)
13 This Is England (Shane Meadows, 2007)
14 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (Cristian Mungiu, 2007)
15 A Queda (Oliver Hirschbiegel, 2004)
16 Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Michel Gondry, 2004)
17 O Segredo de Brokeback Mountain (Ang Lee, 2005)
18 Deixe Ela Entrar (Tomas Alfredson, 2008)
19 Vôo United 93 (Paul Greengrass, 2006)
20 Donnie Darko (Richard Kelly, 2001)
21 Boa Noite, e Boa Sorte (George Clooney, 2005)
22 Longe do Paraíso (Todd Haynes, 2002)
23 O Equilibrista (James Marsh, 2008)
24 Extermínio (Danny Boyle, 2002)
25 Dançando no Escuro (Lars Von Trier, 2000)
26 Minority Report (Steven Spielberg, 2002)
27 Sideways - Entre Umas e Outras (Alexander Payne, 2004)
28 O Escafandro e a Borboleta (Julian Schnabel, 2007)
29 Quero ser John Malkovich (Spike Jonze, 2000)
30 Irreversível (Gaspar Noé, 2002)
31 Iraq in Fragments (James Longley, 2006)
32 Gladiador (Ridley Scott, 2000)
33 Um Casamento à Indiana (Mira Nair, 2002)
34 Procurando Nemo (Andrew Stanton/Lee Unkrich, 2003)
35 E Sua Mãe Também (Alfonso Cuarón, 2002)
36 Na Captura dos Friedmans (Andrew Jarecki, 2004)
37 Amor à Flor da Pele (Wong Kar Wai, 2000)
38 Cidade dos Sonhos (David Lynch, 2001)
39 Encontros e Desencontros (Sofia Coppola, 2003)
40 Syriana (Stephen Gaghan, 2005)
41 Filhos da Esperança (Alfonso Cuarón, 2006)
42 Os Incríveis (Brad Bird, 2004)
43 Batman - O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan, 2008)
44 Sob a Areia (François Ozon, 2000)
45 Touching the Void (Kevin Macdonald, 2003)
46 Traffic (Steven Soderbergh, 2000)
47 My Summer of Love (Pawel Pawlikowski, 2004)
48 Pequena Miss Sunshine (Jonathan Dayton/Valerie Faris, 2006)
49 Ligeiramente Grávidos (Judd Apatow, 2007)
50 O Senhor dos Anéis: O retorno do Rei (Peter Jackson, 2003)
51 O Quarto do Filho (Nanni Moretti, 2001)
52 O Jardineiro Fiel (Fernando Meirelles, 2005)
53 Milk (Gus Van Sant, 2008)
54 Papai Noel às Avessas (Terry Zwigoff, 2003)
55 Chopper (Andrew Dominik, 2000)
56 Volver (Pedro Almodovar, 2006)
57 The Consequences of Love (Paolo Sorrentino, 2004)
58 Shaun of the Dead (Edgar Wright, 2004)
59 Ser e Ter (Nicolas Philibert, 2002)
60 A Lula e a Baleia (Noah Baumbach, 2005)
61 A Viagem de Chihiro (Hayao Miyazaki, 2001)
62 O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy (Adam McKay, 2004)
63 Sangue Negro (Paul Thomas Anderson, 2007)
64 A Criança (Jean-Pierre Dardenne/Luc Dardenne, 2005)
65 Valsa Com Bashir (Ari Folman, 2008)
66 Cidade de Deus (Fernando Meirelles, Katia Lund, 2002)
67 Gomorra (Matteo Garrone, 2008)
68 Memento (Christopher Nolan, 2000)
69 Persépolis (Vincent Paronnaud, Marjane Satrapi, 2007)
70 Entre os Muros da Escola (Laurent Cantet, 2008)
71 Monstros S/A (Pete Docter/David Silverman/lee Unkrich, 2001)
72 Guerra ao Terror (Kathryn Bigelow, 2008)
73 De Tanto Bater, Meu Coração Parou (Jacques Audiard, 2005)
74 O Labirinto do Fauno (Guillermo Del Toro, 2006)
75 Fale com Ela (Pedro Almodóvar, 2002)
76 Control (Anton Corbijn, 2007)
77 Tiros em Columbine (Michael Moore, 2002)
78 About Schmidt (Alexander Payne, 2002)
79 Le Grand Voyage (Ismael Ferroukhi, 2004)
80 Eu, Você e Todos Nós (Miranda July, 2005)
81 In The Loop (Armando Iannucci, 2009)
82 Yi Yi: A One and a Two (Edward Yang, 2000)
83 Ventos da Liberdade (Ken Loach, 2006)
84 Hotel Ruanda (Terry George, 2004)
85 A Professora de Piano (Michael Haneke, 2001)
86 O Orfanato (Juan Antonio Bayona, 2007)
87 Time and Winds (Reha Erdem, 2006)
88 Os Excêntricos Tenenbaums (Wes Anderson, 2001)
89 Escola de Rock (Richard Linklater, 2003)
90 Penetras Bons de Bico (David Dobkin, 2005)
91 Lantana (Ray Lawrence, 2001)
92 Estranhos de Passagem (Stephen Frears, 2002)
93 O Clã das Adagas Voadoras (Zhang Yimou, 2004)
94 Uma Verdade Inconveniente (Davis Guggenheim, 2006)
95 Amores Brutos (Alejandro González Iñárritu, 2000)
96 Morvern Callar (Lynne Ramsay, 2002)
97 Sympathy for Lady Vengeance (Park Chan-Wook, 2005)
98 Crash (Paul Haggis, 2004)
99 Battle Royale (Kinji Fukasaku, 2000)
100 O Diabo Veste Prada (David Frankel, 2006)
terça-feira, 10 de novembro de 2009
MÚSICA - mais da TAL
Conforme prometido no post abaixo, aqui vai o primeiro álbum de Tal Wilkenfeld, "Transformation", gravado em maio de 2006, onde ela compôs, arranjou, produziu e tocou baixo acompanhada nas sete faixas por Wayne Krantz na guitarra, Keith Carlock na bateria, Geoffrey Keezer no piano e Seamus Blake no sax tenor.
É jazz fusion da melhor qualidade e que impresiona com a precocidade e o talenta musical da menina.
É jazz fusion da melhor qualidade e que impresiona com a precocidade e o talenta musical da menina.sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Essa menina é a TAL - TAL WILKENFELD

Apresentada por um baixista amigo, Morg, numa noite de tempestade e vinho, surtei. A menina manda MUITO.
"Tal Wilkenfeld iniciou aos 14 anos tocando guitarra e aos 17 trocou pelo baixo já estudando em New York. Aos 21 fez uma excursão com o gigante do jazz Chick Corea. Um mês depois acompanhou Jeff Beck em seu giro pela Europa, culminando com sua aparição no festival Crossroads."
Confiram a excelência da menina no festival Crossroads junto com Jeff Beck:
Tocando nada menos que STEVIE WONDER, "Cause We've Ended as Lovers "
Esta foi escolhida em homenagem ao Chico e seu Godot.
Em breve vamos escutar tudo que ela tem a nos oferecer aqui ao lado.
sábado, 31 de outubro de 2009
Igrejas
+ Igrejas
Mais estradas e mais cliques de Igrejas. Desta vez são todas do Estado do Rio de Janeiro. Andamos vistoriando as estradas em tempo de chuva.







Mais estradas e mais cliques de Igrejas. Desta vez são todas do Estado do Rio de Janeiro. Andamos vistoriando as estradas em tempo de chuva.
Arraial do Cabo
Essa Igreja é de 1503. Vamos adiante, quer dizer, vamos voltando. Não sei se vinha ou ia.
Campo Coelho
Não sabia da existência desse lugarejo simpático.
Cascata
Essa eu lembro. Fica numa estrada linda chamada Serramar. A caminho de Sana.
Lumiar
Isso aí, foi antes.
Miguel Pereira
Já isso, foi na outra semana. Coisa curiosa... Na última postagem das Igrejas falei que queria desapropoiar algumas para servir à Cultura. Aí está. Não sei como, mas essa virou Teatro. Juro.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Artes Plásticas
Auto-Retrato
Outros


Uma coisa é certa, o ser humano sempre teve prazer em se retratar. No Renascimento, com o homem se tendo como (e se achando) “o centro do universo”, os artistas se serviram do auto-retrato para deixar sua imagem para posteridade, sempre deixando um rastro dos seus estados d’alma.
Mas já no Antigo Egito, Ni-Ankh-Ptah, fez questão de deixar registrada sua fisionomia em um monumento que construiu. O Grego Fídias, na Grécia Clássica se imortalizou numa das esculturas do Partenon.

“O auto-retrato se tornara uma questão de orgulho para os mestres de ateliê durante o sec. XV. Suas fisionomias eram dissimuladamente inseridas na orla de uma multidão pintada ou esculpidas. No auto-retrato, o artista reflete sua imagem externa, assim como estados emocionais, contextos sócio históricos, que circunscrevem a obra, além dos questionamentos sobre maneiras de se ver e de se lidar com arte”.

Peter Paul Rubens








“Em 1656, Velasquez pintou “as meninas”, não se sabe a quem retratou ou quem era o centro das atenções: Os reis de Espanha, suspeitados em um espelho ao fundo? A Infanta real, no centro? A si próprio, no canto esquerdo? Ou o observador ao fundo? Opção pelo ambíguo, um discurso indireto, da retratação ausente. Esse também é um distintivo da arte moderna e contemporânea”.



Do outro lado do mundo, o auto-retrato também era uma pratica comum. Veja o Coreano Yun-Du-So em 1710, membro da nobreza rural que se dedicava a promover a ciência e a inquirição intelectual. Além de pintar e compunha poemas e musica.

Auto-retrato de Shitao (ou Daoji) 1700, ele praticava um monasticismo budista e explorava a antiga tradição taoísta. No auto-retrato, se coloca como um solitário no cimo da montanha (esse motivo tinha pelo menos uns dois mil anos de historia). Nas curvas e borrões que compõem a montanha, repousa o principio cósmico duradouro ou a força vital. Está em contraposição ao de You-Du-So, que tem uma forte influencia do comércio entre oriente e ocidente. O escrutínio interior simbolizado por Dürer fora retomado por um polígrafo aristocrático envolvido num movimento de reforma que vinha modernizando a variante coreana do confucionismo num diálogo com textos ocidentais. A Coréia, nessa época, havia algum tempo, não era importunada por seus vizinhos dominadores, a China e o Japão”.











“Philip Guston, pintor abstrato de Nova York em 1969. A sua imagem ironiza o auto-retrato filosófico de um velho mestre – Velasquez, “as meninas” – A tela se chama “o estúdio” e o pintor se veste em um traje sinistro e ridículo da Ku Klux Klan. A tradição como um todo se tornara absurda, cúmplice do mal político.- que tipo de homem sou eu, sentando-me em casa, lendo revistas, nutrindo uma fúria frustrada por causa de tudo – e então indo ao meu estúdio para ajustar um vermelho a um azul - ”
Pensando bem, as pessoas sempre deram um jeito de aparecer ou se expressar. Nós, artistas de hoje (nem todos são assim e nem todos são artistas), com os meios que dispomos para nos expor, fazemos tudo isso e mais alguma coisa, podemos dizer até que, comparados com a gente, eles são muito discretos.
De qualquer forma e independente do que se diga a respeito do auto-retrato, ele continua encantando, levantando questões e me deixando curioso. Agradeço e fico com Rembrandt quando ele diz:
“Quererão saber que espécie de pessoa eu fui”.
Os textos em verde foram retirados ou inspirados na obra “UMA NOVA HISTORIA DA ARTE” de Julian Bell.
Outros


Uma coisa é certa, o ser humano sempre teve prazer em se retratar. No Renascimento, com o homem se tendo como (e se achando) “o centro do universo”, os artistas se serviram do auto-retrato para deixar sua imagem para posteridade, sempre deixando um rastro dos seus estados d’alma.
Mas já no Antigo Egito, Ni-Ankh-Ptah, fez questão de deixar registrada sua fisionomia em um monumento que construiu. O Grego Fídias, na Grécia Clássica se imortalizou numa das esculturas do Partenon.

“O auto-retrato se tornara uma questão de orgulho para os mestres de ateliê durante o sec. XV. Suas fisionomias eram dissimuladamente inseridas na orla de uma multidão pintada ou esculpidas. No auto-retrato, o artista reflete sua imagem externa, assim como estados emocionais, contextos sócio históricos, que circunscrevem a obra, além dos questionamentos sobre maneiras de se ver e de se lidar com arte”.

Peter Paul Rubens




”A “Ressurreição”, obra de por Piero della Francesca em 1490, pintada para prefeitura de Borgo San Sepolcro, sua terra natal. Na sua visão contemplativa, fatos observáveis são naturalmente simbólicos. Essa imagem suprema traduz a transição do dia para noite, do adormecer para o despertar, do inverno para primavera (a esquerda da pintura os ramos parecem mortos, os da direita pulsam com vida), da morte para vida. O guarda que inclina a cabeça para trás contra o tumulo pode ser um auto-retrato, o que faria dessa pintura um sonho (um desejo) de Piero”.



“Em 1656, Velasquez pintou “as meninas”, não se sabe a quem retratou ou quem era o centro das atenções: Os reis de Espanha, suspeitados em um espelho ao fundo? A Infanta real, no centro? A si próprio, no canto esquerdo? Ou o observador ao fundo? Opção pelo ambíguo, um discurso indireto, da retratação ausente. Esse também é um distintivo da arte moderna e contemporânea”.



Do outro lado do mundo, o auto-retrato também era uma pratica comum. Veja o Coreano Yun-Du-So em 1710, membro da nobreza rural que se dedicava a promover a ciência e a inquirição intelectual. Além de pintar e compunha poemas e musica.

Auto-retrato de Shitao (ou Daoji) 1700, ele praticava um monasticismo budista e explorava a antiga tradição taoísta. No auto-retrato, se coloca como um solitário no cimo da montanha (esse motivo tinha pelo menos uns dois mil anos de historia). Nas curvas e borrões que compõem a montanha, repousa o principio cósmico duradouro ou a força vital. Está em contraposição ao de You-Du-So, que tem uma forte influencia do comércio entre oriente e ocidente. O escrutínio interior simbolizado por Dürer fora retomado por um polígrafo aristocrático envolvido num movimento de reforma que vinha modernizando a variante coreana do confucionismo num diálogo com textos ocidentais. A Coréia, nessa época, havia algum tempo, não era importunada por seus vizinhos dominadores, a China e o Japão”.











Philip Guston
“Philip Guston, pintor abstrato de Nova York em 1969. A sua imagem ironiza o auto-retrato filosófico de um velho mestre – Velasquez, “as meninas” – A tela se chama “o estúdio” e o pintor se veste em um traje sinistro e ridículo da Ku Klux Klan. A tradição como um todo se tornara absurda, cúmplice do mal político.- que tipo de homem sou eu, sentando-me em casa, lendo revistas, nutrindo uma fúria frustrada por causa de tudo – e então indo ao meu estúdio para ajustar um vermelho a um azul - ”
Pensando bem, as pessoas sempre deram um jeito de aparecer ou se expressar. Nós, artistas de hoje (nem todos são assim e nem todos são artistas), com os meios que dispomos para nos expor, fazemos tudo isso e mais alguma coisa, podemos dizer até que, comparados com a gente, eles são muito discretos.
De qualquer forma e independente do que se diga a respeito do auto-retrato, ele continua encantando, levantando questões e me deixando curioso. Agradeço e fico com Rembrandt quando ele diz:
“Quererão saber que espécie de pessoa eu fui”.
Os textos em verde foram retirados ou inspirados na obra “UMA NOVA HISTORIA DA ARTE” de Julian Bell.
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