segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Bons Amigos, uma visão Machadiana

Pedi ajuda a minha amiga, companheira e mulher, Lígia, para selecionar algumas frases de Machado de Assis para postar hoje, dia do centenário de sua morte.
Ela descobriu uma poesia e preparou um texto para enviar por e-mail para todos os seus amigos. Tanto o texto de Lígia quanto a poesia são tão bonitos que não resisti, abri a 5ª Porta para ela e Machado.
Denis

"Hoje, 29 de setembro de 2008, é o centenário da morte de Machado de Assis, um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. Fundador da Academia Brasileira de Letras e primeiro presidente daquela Casa, sua importância para a literatura nacional é tão grande que 2008 foi instituído como “Ano Nacional de Machado de Assis”, com comemorações por todo o país e, até, pelo mundo afora. Sim, pelo mundo afora, pois Machado é universal!
Como disse Tolstoi, "Se queres ser universal fala da tua aldeia". E foi isso que Machado de Assis fez. Carioca típico, mulato de origem humilde, filho de um operário e uma lavadeira, neto de escravos libertos, autodidata... Machado amou e retratou o Rio de Janeiro em seus romances, contos, peças de teatro. E mesmo sem nunca ter saído desta cidade durante toda sua vida, a literatura de Machado é universal.
E eu, orgulhosa e apaixonada carioca, moradora do Edifício Machado de Assis, na Rua Machado de Assis, próxima ao Largo do Machado (que, aliás, não tem nada a ver com o escritor), não poderia deixar de falar dele neste dia.
Mesmo não sendo leitora voraz de seus livros, é impossível não me identificar com a fina ironia e a irreverência de Machado. Impossível não simpatizar com suas famosas personagens femininas. Iaiá, Helena, Capitu... Mulheres misteriosas, complexas e principalmente, imperfeitas, como eu. Ah, Capitu! “Nosso totem tabu/ A mulher em milhares... Feminino com arte/A traição atraente/Um capítulo à parte/Quase vírus ardente... Capitu ”*
Então, neste dia de Machado, brindo meus amigos com um poema de Assis. Meus amigos próximos e distantes, amigos novos e antigos, amigos que falo todos ou quase todos os dias e aqueles que não tenho muito contato. A todos os queridos, especiais e benditos amigos..."

“BONS AMIGOS

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!”


Um grande beijo
Lígia

“Rio de Machado”, 29/09/08
*citação da música "Capitu" de Luiz Tattit

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Cidades

Sobral


Olhar de Quase Estrangeiro








Já foi dito que gosto muito de Sobral, terra dos meus e dos tremores da terra. Por isso mesmo me dou o direito de falar tudo o que me passa pela cabeça sobre ela e no tom que me aprouver. Isso, porém, não quer dizer que todo mundo possa fazer o mesmo, aí eu e um magote de gente pode não gostar.
Minha família é toda daqui, eu por capricho não nasci aqui e nunca morei aqui, meus irmãos mais velhos costumavam passar férias aqui, nem isso eu fiz. Então porque essa paixão pela terra e pela Serra da Meruoca? Estou descobrindo aos poucos.
Meus pais e meus irmãos nasceram e moraram aqui, depois foram morar em Fortaleza e depois ainda se espalharam pelo Brasil. Depois foram voltando um a um. Faltam três ainda pra voltar, como sou o mais novo, devo ser o último, ou não. Coisa de Cearense, vai explicar.
Voltando a Sobral. Essa é uma terra estranha, de gente desconfiada, mas muito boa, carinhosa e amiga, convencida do seu valor e do valor que a terra tem.... Às vezes até metida um pouco. As gentes daqui tem lá suas diferenças como em todo lugar, mas também eles tem uma coisa em comum que é um amor incomum pelo seu lugar de nascença ou de adoção pra viver, e isso dá gosto de ver. Aqui tem um termo que os define, eles possuem Sobralidade, que acredito ser a tradução de um cidadão sobralense atuante e compromissado com a sua cidade. O povo de Fortaleza fica meio atravessado com o povo de Sobral, dizem que não nos visitam muito porque não sabem falar inglês, isso nos valeu até o apelido de United States of Sobral... Mas, como é que vou explicar que em pleno sertão cearense, em Sobral, tem um Arco do Triunfo, um Cristo Redentor, uma praça de nome Cuba, tem aqueles ônibus amarelos das Escolas Americanas (School Bus) e até uma Liga de Beisebol? Difícil... Mas tem também uma Universidade que nos orgulha muito e um Teatro com uma história que nos orgulha mais ainda. Daqui se viu um eclipse que foi muito importante para ciência, tem terremoto, tem o Museu Madi, único nas Américas e etc. Vou aos poucos.
De lugares bonitos, históricos ou importantes tem aos montes, vou citar alguns. Às vezes são só bonitos, às vezes são bonitos e históricos e às vezes ainda são bonitos e históricos que viraram importantes, vamos começar com um pouco de historia.
Marque ai o ano de 1712 como sendo o ano em que uma Fazenda chamada Caiçara começou a ser vista como uma povoação. Seu dono doou parte de suas terras para a construção da capela de Nossa Senhora da Conceição que hoje é a Matriz da cidade de Sobral.









No dia 5 de Julho de 1773, a povoação Caiçara foi elevada à Vila Distinta e Real de Sobral. Em 12 de Janeiro de 1841, a Vila de Sobral foi elevada à categoria de Cidade, com o título de Fidelíssima Cidade Januária do Acaraú e em 25 de Outubro de 1842, a Cidade Januária passou a se chamar Cidade de Sobral.
Sobral é um municipio do
estado do Ceará, fica a 235 Kms de Fortaleza e é a segunda cidade mais importante do estado em termos economicos, o clima é quente e seco e com muriçoca, as vezes muita muriçoca, mas nada que atrapalhe a vida gente.
Foi um dos centros abolicionistas do Ceará desde 1871. Quando foi proclamada a libertação dos escravos em 1888, a cidade já não tinha nenhuma pessoa escrava. A cidade tornou-se o mais importante pólo comercial do norte do estado e foi o palco de uma importante confirmação da física. A Expedição Britânica do Eclipse Solar, liderada por Arthur Stanley Eddington procurava comprovar (graças ao eclipse) a distorção que a luz sofre ao chegar no Planeta Terra e só em Sobral foram obtidas boas imagens do fenômeno.Graças a essa confimação foi que o físico Albert Einstain pode comprovar sua Teoria da Relatividade. Einstain não esteve em Sobral, mas até hoje é comemorado por aqui.
Como lembrança de tal fato, foi construído na praça da Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio, um monumento e posteriormente um museu, chamado de Museu do Eclipse, que homenageia a cidade e os físicos e astrônomos que participaram da descobert
a.


eclipse total do sol em 29/06/1919



acampamento em frente a Igreja do Patrocinio onde foram montados os equipamentos





Muitos ingleses da equipe que vieram comprovar a teoria em Sobral não voltaram com a equipe, alguns ficaram e casaram, constituindo família na cidade, onde ainda hoje nota-se a presença de sobrenomes ingleses e traços britânicos em muitas famílias da região.

Na Educação Sobral é referencia nacional, desde 2001 ampliou o ensino fundamental para nove anos e no ensino superior possui um dos nossos maiores bem querer, que é Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA.
Itálico
Reitoria

Tem também uma
Faculdade de Tecnologia - FATEC, a Universidade Federal do Ceará - UFC que também funciona aqui, além de Faculdades no ramo privado.
Tem Ainda Instiruto Educare , que realiza cursos de Graduação em parceira com a UNIDERP intertiva e a UNIMES Virtual , Cursos de Pós-Graduação, Lato Sensu e cooperação com a Universidade Autónoma de Assunção e outras , através do Instituto Postgradosparaguay , e conta com várias Instituições de ensino a distancia, como a Unoparvirtual – Universidade Norte do Parana.

Na área da Saúde os planos e projetos são avançados e as vezes pioneiros, isso faz com que Sobral sempre fique a frente da grande maioria de municípios Brasileiros. Como exemplo podemos citar o programa do CAPS – Centro de atenção Psicossocial que primeiramente foi implantado aqui e depois espalhou-se pelo Brasil. É caso também do Projeto Quatro Folhas que faz o monitoramento das mães e bebes desde o momento da gravidez até os primeiros anos de vida da criança, isso fez com que em menos de cinco anos a mortalidade infantil recuasse em mais de 60%. Além disso o Município de Sobral é pólo de referência em saúde para 62 municípios do estado do Ceara, com uma vocação para o desenvolvimento de estratégias e transformações no processo de trabalho. São 27 centros de Saúde da Família que dão cobertura a 175 mil pessoas. Conta ainda com Centros de Especialidades Médicas e Odontológicas formando um sistema de saúde integrado e convincente.

Sobral foi considerado pela revista especializada em turismo da Editora RMC de
São Paulo como uma das melhores cidades do Brasil quanto a qualidade de vida, saindo do padrão da maioria das cidades cearenses. Essa qualidade de vida é demostrada pelo baixo indice de violência e alto nivel cultural.




Sobral é culturalmente rica, aqui equilibram-se diversas manifestações populares com um um movimento artístico moderno, atuante, persistente e antenado com o mundo, mas que ainda carece da atenção de todos.Com o que realizaram já fizeram por merecer sua casa que é essa ai de cima.
A Casa da Cultura mantem um moderno acervo de arte e cultura e principalmente um carinho especial com a revitalização do patrimônio histórico-cultural.





Do Lado, na mesma praça tem a Escola de Musica, onde o municipio mantem uma orquestra sinfonica e um coro, além de vários cursos de canto e de variados instrumentos musicais.



Biblioteca

Essa é a Biblioteca Municipal Lustosa da Costa, ele foi um jornalista cearense e grande divulgador da cidade de Sobral, onde funciona um cybercafé para pesquisas e um setor de referência do professores da rede municipal.



Escola de Cultura Comunicação Oficios e Artes - ECOA

Esse prédio bonito aí é a ECOA, ainda em fase de implementação, um projéto para o futuro. Pensado para ser polo irradiador de cultura com cursos de formação em artes e oficios. Possui espaço para oficinas de montagem e ensaio para dança, musica, fotografia, cinema, cenografia, figurino e outros oficios como jardinagem e etc., Além disso já funciona um restaurante popular e um Teatro que está em fase de acabamento, mas que já recebe espetáculos.



O Museu Madi e a concha acústica no mesmo prédio

Esse é o primeiro Museu Madi brasileiro fica às margens do rio Acaraú. Cerca de setenta obras doadas por artistas do mundo inteiro, pertencentes ao movimento, compõem o acervo. São esculturas, pinturas e desenhos. O Madi significa movimento, abstração, dimensão e invenção e foi Criado pelo artista plástico
uruguaio Carmelo Arden Quin em meados de 1940, na Argentina, o Madi desconstruiu a forma tradicional da arte geométrica, fazendo-a sair dos ângulos retos.



Esse é o Museu D. Jose, nele estão as preciosidades que ajudam a entender a nossa história.



Centro de convenções
Espaço para feiras, congressos, seminários, simpósios, exposições, convenções e outros eventos.




Esse é o Teatro São João, orgulho nosso. Esse Teatro é mais antigo pelo menos em um quarto de século do Jose de Alencar em Fortaleza. Aproximadamente da mesma época do Santa Isabel de Recife, do da Paz em Belém, do Amazonas em Manaus e o do Municipal em Niterói no Rio de Janeiro. Foi construido por um grupo de amigos, amantes da arte. Dizem que para assistir as operetas que vinham da Europa antes que elas se apressentassem na capital, para isso eles as contratavam e as faziam atracar em Camucim, porto perto de Sobral, dizem ainda que muitas delas passavam direto e não paravam nem em Fortaleza.
Palco do tipo italiano, com platéia em ferradura abaixo do nível externo, caracteristica dos grandes teatros da época no Brasil e na Europa. O Teatro São João foi inaugurado no dia 26 de setembro de 1879, com a encenação do drama A honra de um Taverneiro.



Essa é a Praça Cuba com o seu bonito monumento, homenagem Sobralense para aquele bravo povo.





A Serra da Meruoca, minha paixão

Pra terminar vamos falar de gente. De filhos ilustres vou citar alguns: Tem o Belchior, cantor e compositor, Cosme Bento, l
íder quilombola da Balaiada, Os escritores Domingos Olimpio e Isabel Lustosa,Luiz Carlos Barreto, cineasta e o Didi Mocó é daqui (acho que ele não gosta muito não porque não fala, mais é). De religiosos proeminentes tem um monte, todos mortos: Destacam-se o Padre Ibiapina nos primórdios de Sobral, considerado o Apostolo do Nordeste, Dom Jose Tupinambá , primeiro Bispo de Sobral e figura importante na sua formação e tem também o D. Expedito Lopes, meu tio, Bispo de Garanhuns que foi assassinado por um padre, todos eles em processo de beatificação ou canonização.
De gente que mora ou não passa muito tempo fora daqui tem muita e gente muito boa. Vou falar de quem me lembro e admiro de verdade, com quem convivi. Vai ter gente de fora por esquecimento, o que não lhes tira o valor, me desculpem. Pra começar tem o Cícero, dono do Bar Cíceros (o melhor de Sobral), grande figura, é lá que fica meu escritório quanto estou aqui.

Bar do Cícero



Artistas de teatro e dos bons,
tem o Thyago, o Toni, fora o elenco todo do Godot, que era o Pretinho, o Glaidson, A Marcyh, o Sergio, o Emanuel, O Emidio, O Jamacaru, o Luis Renato, a Laiany, a Tânia, A Lita,a Ana Angélica, a Nalu e o Zeca
foto do ensaio

A musica e canto estão muito bem representados com o Maestro Brasil e a Kelly, esse casal tem um trabalho formidável.
De poeta e escritor vivo tem o Luciano Bonfim (que vocês já conhecem), o Daniel Glaydson, grande promessa e mais um tanto que não me vem à memória, mas que li e conheço. Há também um pessoal muito interessante que já se exercita na dramaturgia, uma literatura muito especifica e que necessita de uma formação mais rigorosa e principalmente muita prática, cito o Carlúcio e o Denis Melo. Todas essas pessoas merecem ser mais valorizadas.
Na Politica, como em todo lugar tem de tudo, mas tem uma turma que vale a
pena citar, pela seriedade e principalmente pelo amor incondicional que eles tem por Sobral e o seu projeto de futuro. Estou falando do Veveu e a Isolda, casal bacana, ele vice-prefeito e ela hoje Secretária de Estado, o Leônidas Cristino, prefeito competente, meu candidato nas próximas. O Ciro Gomes, cabra bom que sempre teve o meu voto e não se pode deixar de citar o Cid (grande Prefeito de Sobral e que hoje é Governador do Estado) e o Ivo, seus irmãos.
De gostar de Sobral e por me sentir daqui eu agradeço a todo esse povo de que falei e em especial a meus pais João e Suzete que já se foram e meus irmãos por existirem, Valda, Neida, Luis, Miltinho e Noeme e uma penca de cunhadas, cunhados e sobrinhos que me acolhem (tenho paixão por eles) com um carinho desmesurado e desproporcionado até hoje, Também né? Sou o caçula e o mais bonito.
Chico Expedito

A maioria das fotos são minhas. As melhores são de profissionais, algumas da internet que não consegui identificar o fotografo, agradeço e peço desculpas. A do ensaio do Godot é do Denis Leão ( uma das Portas).
Pós Postagem - Desculpem, A foto da Reitoria não é da Reitoria, é da Santa Casa, fico devendo.

sábado, 20 de setembro de 2008

Literatura


série contos de fora


Luciano Bonfim





Mais uma lasquinha da literatura do meu amigo poeta Luciano Bonfim lá de Sobral. Dessa vez é do livro Dançando com Sapatos que incomodam, edição de 2002, e pode contar que vem mais. Aliás, quem quiser conhecer mais da escrita do Luciano, pode fazer uma visita no seu Blog que é o lucianobonfim.blogspot.com. Eu como posso, vou visitar ele pessoalmente na semana que vem e a minha próxima postagem vai ser lá de Sobral, terra dos meus e que gosto que faz gosto. Vou tentar apresentar um pouco da cidade e dos seus, pra vocês conhecerem um pouco mais do lado de lá.

Chico Expedito


Acontecimento

Meio-dia: o tempo. O mês: janeiro, setembro...não recordo.
Creio não haver relevância de precisão para o que me proponho contar. Lembro, isto sim, que o sol ardia desde as primeiras horas da manhã. O guarda, me disseram, regava as flores dos canteiros da praça. Já possuía maioridade, e constavam alguns pêlos em meu rosto e tórax. Ela procurava uma blusa lilás, sapatos pretos - pois combina com tudo, dizia, - e um álbum de fotografias. Não sei se encontrou os três, apenas os sapatos ou nenhum deles, esquivo-me. Estava deitado, quase dormindo. Ela beijou a ponta de meus dedos com a sua boca úmida e frugal (carinhosa e lentamente). Meus olhos, frágeis delatores, naufragaram em íntima sensação.
Poucas mães realizam este acontecimento... - Imagino.



Cartaz da peça “As Mulheres Cegas” do Bonfim

LUCIANO BONFIM [Crateús/CE.]. Publicou: Dançando com Sapatos que Incomodam - Contos[2002]; Móbiles – Contos [2007]; Janeiros Sentimentos Poético[1992] e Beber Água é Tomar Banho por Dentro[2006] – Poesia ; escreveu e montou as peças: Auto do Menino Encantado[2002] e As Mulheres Cegas[2000 e 2004]; criador da revista Famigerado – Literatura e Adjacências[2005]; professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA[desde 1996]; aluno do mestrado em Educação Brasileira[FACED-UFC/2006]
e-mail:
luciano.bonfim@yahoo.com.br

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

OBITUÁRIO II

Calma, não fui rebaixado para a coluna de obituário, nem é a intenção do 4Portas ter tal coluna, mas acho importante registrar as pessoas que fizeram diferença nesta vida.
Nesta 2ªfeira, um dos fundadores da Banda Pink Floyd, Richard Wright, foi morar no "lado escuro da lua", compor e tocar com os Deuses do Rock.
Rick Wright conheceu Roger Waters e Nick Mason na faculdade. Juntos eles formaram a banda Sigma 6, com a chegada de Syd Barrett viria a se tornar o Pink Floyd.





Compositor e instrumentista talentoso, em “Dark Side Of The Moon” (1973), Wright participou do processo de composição de seis das nove músicas, entre elas “Time”, "The great gig in the Sky" (prá mim a mais emocionante) e "Us and them". “Dark Side” que se tornou um dos discos mais vendido da história da música e ficaram 14 anos na parada dos 200 mais populares da “Bilboard”.


Outro grande sucesso que teve participação de Wright foi “Shine on You Crazy Diamond”, do LP “Wish You Were Here”.
Lançou seu primeiro álbum solo em 1978, batizado de "Wet Dream", destaque para "Pink's Song" e formou a banda Zee.
Seu segundo disco solo, “Broken China”, em 1996, teve "Breakthrough" com participação da cantora Sinead O’Connor.

O tecladista voltaria a participar do processo criativo do Floyd no álbum “Division Bell”, de 1994, compondo em parceria com David Gilmour entre outras músicas “What Do You Want From Me”.

Richard Wright, você que ajudou a embalar “viagens” de tantas gerações tenha uma boa viagem.

O link abaixo é para quem quer escutar sem entrar no Blog:
http://www.4shared.com/file/63527873/c9fcfdc0/Richard_Wright_mp3.html
Mas lembrem-se "pirataria é crime" se gostou mesmo compre os discos


quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Teatro

RECOMENDAÇÃO

Edwin Luise
em
Eu Sou Minha Própria Mulher




Estou um pouco atrasado, mas não poderia deixar de registrar nesse Blog o excelente trabalho de Edwin Luisi no excelente espetáculo do excelente texto de Eu Sou Minha Própria Mulher.
É uma daquelas montagens inesquecíveis e que enchem de orgulho os profissionais de teatro. A direção do Herson Capri e da Susana Garcia é segura e discreta, é também inteligente ao ponto de não tentar aparecer e tem a clareza de valorizar e deixar fluir e o trabalho de Edwin Luise, que é de uma qualidade impressionante para os padrões apressados e mal pagos dos nossos trabalhos teatrais. Mesmo o bom ator brasileiro,nem sempre tem o tempo a seu favor ou acha necessário um trabalho de composição muito esmerado, talvez pense que não valha à pena e acaba se defendendo como pode, utilizando velhos truques ou tirando cartas da manga como se fosse um mágico. Isso tudo passa longe diante do trabalho desse ator que se não o vermos no teatro (e não na televisão), nunca poderemos saber da extensão do seu talento e da sua capacidade de nos emocionar, encantar e embevecer. Se tivéssemos na sua interpretação, um pouquinho mais de rigor em algumas transições e construção de uns poucos personagens (parece ser mais de quinze ao todo), na verdade coisas muito sutis e pequenas, que de forma alguma compromete o trabalho ou que público perceba ou se incomode (talvez até fruto de cansaço dos muitos dias de apresentação ou tensão da hora); e se tivéssemos no cenário, um traço mais clássico, menos presente e melhor acabado, teríamos um ator e um espetáculo que não deveriam a nenhum outro no mundo, mesmo os melhores que a gente conhece e tanto cultua. Mesmo assim, está muito acima do nível corrente.
Ouvi comentários de que o tema da peça não nos interessaria, com o seu fundo histórico tão gasto e repetido. A peça não trata disso. Como não se interessar pelo que é humano? Como não se interessar por um personagem, homem ou mulher, que independente da época ou lugar que viveu nos encanta e nos fala tão de perto das nossas fraquezas e que acaba por transformá-las em virtudes, nos orgulhando e ao mesmo tempo nos deixando perplexos pelo fato de sermos gente? Parabéns.

Chico Expedito



“Eu Sou Minha Própria Mulher” é baseada na história verídica da simpática Charlotte Von Mahlsdorf, uma extravagante personagem de Berlim Oriental, conhecida por colecionar relógios, fonógrafos e móveis antigos da época de Guilherme II e que conseguiu sobreviver aos dois mais opressivos regimes do século XX, o nazismo e o comunismo, na Alemanha Oriental, montando e preservando um museu inusitado com peças antigas de casas abatidas na segunda guerra. O museu existe até hoje em Berlim e está aberto à visitação pública. Charlotte Von Mahlsdorf nasceu em 1928 e vivenciou a desumanidade dos dois regimes sem tirar as longas saias e seu colar de pérolas. Charlotte era, na verdade, Lothar Berfeld, um homem que desde a sua adolescência se travestia de mulher. O texto da peça é baseado numa série de entrevistas que ela concedeu ao autor Doug Wright.



Texto e imagens do programa da peça

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Obituário

No dia 4 de setembro perdemos dois símbolos da cultura brasileira, morreram no Rio de Janeiro o ator Fernando Torres e o cantor Waldik Soriano.
Fernando sempre foi respeitado como ator, diretor e produtor de teatro, cinema e televisão, e comemorado por todos. Dispensa maiores comentário, Foi GRANDE e ponto.

Waldik sempre foi chamado pela crítica de “Rei do Brega” e cafona. Destacou-se pelas suas canções e boleros sobre dor-de-cotovelo.

Alguns podem achar estranho colocar Fernando Torres e Waldik Soriano numa mesma homenagem, um representante da “Arte Maior” e o outro (para muitos críticos) da “Arte Menor”.

Particularmente, não gosto do estilo das músicas do Waldik, mas são sinceras e genuínas e não buscavam o sucesso fácil. Algo que todos os pagodes e sertanejos, elogiados pela crítica hoje em dia, não são. Estas "músicas" são totalmente comerciais e banais.

A estes dois homens que, em vida, realizaram seus trabalhos com dignidade e respeito. OBRIGADO!!

Filmografia - Fernando Torres:
Redentor (2004)
Ação Entre Amigos (1998)
A Ostra e o Vento (1997)
Veja Esta Canção (1994)
O Beijo da Mulher Aranha (1985)
Inocência (1983)
Tudo Bem (1978)
Marília e Marina (1976)
O Descarte (1973)
Eu Transo...Ela Transa (1972)
Os Inconfidentes (1972)
Matei Por Amor (1971)
A Penúltima Donzela (1969)
Golias Contra o Homem das Bolinhas (1969)
Em Busca do Tesouro (1967)
Jerry - a grande parada (1967)
Engraçadinha Depois dos Trinta (1966)
Estrella sin luz (1953)
La Duquesa del Tepetate (1951)
A Mulher de Longe (1949)
Música

Canta Waldik Soriano, começando por Eu não Sou Cachorro Não, Tortura de Amor (acreditem, censurada pela ditadura), Garçon por Gentileza e três músicas de Roberto Carlos em uma interpretação abolerada.



O link abaixo é para quem gostou da músicas e quer escutar sem entrar no Blog:
http://www.4shared.com/file/62338843/f7fc7f4c/Msica_Waldik.html

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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Foto: Herbert Macário
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O AUTO-RETRATO

No retrato que me faço
- traço a traço ­-
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...

às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...

e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco- ­
minha eterna semelhança,

no final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!

Mario Quintana

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.
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sábado, 30 de agosto de 2008

Teatro

RÁPIDO DICIONÁRIO DE TEATRO

BERTOLT BRECHT



A obra de Bertolt Brecht é considerada uma das mais originais e universais do teatro contemporâneo. Dramaturgo, teórico, encenador, poeta, foi um completo homem de teatro. A tônica do seu trabalho foi a recusa radical das ilusões criadas pelo teatro clássico. Seu teatro, como ele mesmo o define seria o Teatro da era científica, também chamado de Épico ou Dialético. Brecht recusa as mentiras da arte e os artifícios habituais da época, em beneficio da crítica social. Retoma a teatralidade perdida com o naturalismo e é radical no seu combate. Afinal, o teatro historicamente nunca havia sido naturalista, os Gregos com seus altos coturnos, máscaras, representando ao ar livre e à luz do sol não o foram; a Comédia Del Arte em cima de suas carroças nas feiras tampouco e Shakespeare com seu palco Elisabetano cheio de elementos simbólicos também não o era.




família de Brecht

Nasceu em AugsburgAlemanha em 1898, numa família de industriais. Teve uma educação burguesa. Tentou se formar em medicina, chegando a trabalhar como enfermeiro em um hospital de Munique na 1ª guerra mundial, a mesma guerra o fez desistir de seguir carreira. Ainda em Munique estréia suas primeiras peças. Depois da guerra muda-se para
Berlim, onde o influente crítico, Herbert Ihering, chamou-lhe a atenção para interesse do público pelo teatro moderno, conheceu Erich Engel com quem veio a trabalhar até ao fim da sua vida. Somente em Berlim obteve seus primeiros sucessos. Com Hitler, eleito em 1933, Brecht não estava mais totalmente seguro na Alemanha Nazista, exilando-se na Áustria, Suíça, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Inglaterra, Rússia e finalmente nos Estados Unidos.






A Russia retoma Berlim

Depois da guerra, após algumas hesitações, Brecht retorna a Alemanha para o Setor Oriental, onde o Partido insiste em usá-lo como propaganda. Embora comunista declarado, resistia e insistia em fazer um teatro mais humanista. Seu exílio havia sido o seu período criativo mais importante, onde escreveria suas grandes peças. Também durante a década de 30, Brecht havia refinado sua estética marxista, estava convencido de que os intelectuais tinham de desempenhar um papel decisivo na transformação da Alemanha durante aquele momento de crise e que se uma nova cultura socialista se desenvolvesse, nela deveria haver certa liberdade, especialmente para artistas e intelectuais. Eles não podiam simplesmente ser os porta-vozes da propaganda política do partido, "a exigência das obras de arte para nós é ainda mais alta: conteúdo e forma", escrevia. Brecht que nunca fugiu do conflito ou da crítica, ele acreditava que uma crítica eficaz era parte integrante da construção da nova cultura, se ele não pode ser visto totalmente como um vilão durante esse período, também não pode ser chamado de herói, ele tinha escolhas e fez acordos.



o Berlinen Ensemble

O Partido lhe concede um teatro e uma companhia para trabalhar, o Berlinen Ensemble. Lá ele desenvolve seus trabalhos teóricos e práticos sobre a arte da encenação e da interpretação, além de montar seus textos. Dirige o teatro junto com sua mulher, uma das mais famosas atrizes da Alemanha da época, Helene Weigel. Até hoje o Berliner Ensemble com a sua companhia, é uns dos mais respeitados, cultuados e estudados teatros do mundo. As primeiras influências de Brecht foram
Stanislavski, Meyerhold e Erwin Piscator. De Meyerhold aprofunda seu "método biomecânico" cuja principal intenção era fazer com que o ator exprimisse as nuanças psicológicas de seu personagem através de uma "máscara pantomímica", desenvolvendo a técnica de comentar o texto através do gesto. Técnica de inspiração asiática e que se tornaria evidente no teatro de Brecht. A contribuição de Piscator é a noção de um teatro propagandístico e educativo. É ele quem abre caminho para o verdadeiro teatro Épico teorizado e executado pelo encenador. Stanislavski era obrigatório, embora a principio pareça contraditório foi a apartir dessa base que Brecht vai desenvolver toda sua teoria.Também foram influências significativas os seus estudos sobre a sociologia e o marxismo.






Brecht e sua mulher Helene Weigel

Além de dramaturgo e encenador, Brecht foi responsável por aprofundar o método de interpretação do teatro Épico. Em seus escritos sobre teatro, Brecht relata a forma de interpretação de um ator chinês, Mei Lan-Fang, e repetia em palestras que esse ator ao representar papeis femininos, não era um mero imitador de mulheres. Descrevendo uma demonstração das técnicas deste ator , dizia que ele, de terno, executava certos movimentos femininos, ressaltando sempre a presença de duas personagens, um que apresentava e outro que era apresentado. Sublinhava que o ator chinês não pretendia andar e chorar como uma mulher, mas como uma determinada mulher
e que com aquela interpretação gestual, o público seria levado a exercer uma operação crítica do comportamento humano. Afirma ainda que cada palavra deve encontrar um significado visual através do gesto, assim o espectador poderia compreender as alternativas da cena.




Esta preocupação o levará a definir talvez os mais importantes conceitos do seu teatro, o conceito do distanciamento e o do gestus na interpretação e encenação dos seus espetáculos. Para entender o distanciamento e o gestus Brechtiano devemos entender a sua época.
O teatro Naturalista tinha sido aceito como a única convenção de palco possível na época em que ele nasceu. De uma forma radical e incisiva, talvez em função do momento e de como se praticava essa forma de arte. Brecht achava que o teatro era necessariamente político e que as classes dominantes em determinado momento haviam se apropriado do teatro e o utilizavam como instrumento de dominação. Achava que o teatro poderia ser também uma arma de libertação, sendo necessário apenas criar formas e conteúdos correspondentes.
A aristocracia anteriormente havia estabelecido divisões, alguns iriam para o palco e outros para platéia, de onde assistiam passivos e receptivos em vez de participar do ritual. Dessa forma a aristocracia refletia sua ideologia dominante. O próximo passo da burguesia tinha sido transformar os protagonistas, que haviam deixado de ser objetos de valores somente morais e começaram a defender outros valores, sempre das classes dominantes.
Brecht responde a estas idéias, convertendo o personagem de sujeito absoluto em objeto das forças sociais, não mais só de valores dominantes. Assim afirmava que o ser social determina o pensamento e não vice-versa.



Brecht e sua companhia

Para ele o teatro Naturalista da época era um teatro que criava uma poderosíssima ilusão da realidade. Tentava repetir a realidade em todos os seus elementos, na luz, nos cenários, nos figurinos, nos sons, além da criação da quarta parede na interpretação, ignorando por completo a presença do público. Dizia que esse público era submetido a uma espécie de catarse que os expurgava de suas “más emoções”, o que fazia com que eles deixassem o teatro aliviados e refrescados.
Conseguia isso, segundo Brecht, pôr sua capacidade de materializar diante do público uma ilusão de acontecimentos reais, colocando o publico dentro da ação e se identificando com o herói ao ponto de esquecer-se de si mesmo e não pensar. O publico sairia aliviado, mas desinteressado, dessinstruido e não aprimorado, este seria um teatro apenas culinário.
Brecht achava que a identificação com os personagens e as fortes emoções pelas quais a platéia passava, tornavam impossível o raciocínio (idéia bastante combatida, hoje e sempre), porque dessa forma o publico só veria o ponto de vista do herói. Isso já havia acontecido com público da Tragédia Grega e não deveria acontecer com as pessoas esclarecidas. Sem a capacidade da duvida não haveria como pensar sobre as implicações sociais e morais da peça, o público perderia o espírito crítico.
O novo teatro, o Teatro Épico (no final da sua carreira preferiu chamá-lo de Dialético) não só liberaria a faculdade critica da platéia como dispensaria ao encenador e dramaturgo, as convenções que a simulação do real lhe impunha. Dispensaria o ritual da exposição naturalista que se fazia através dos seus elementos (cenário, figurino, luz, sons, etc.), e o mais importante, eliminaria o elemento surpresa nas suas montagens (elemento tão prezado no teatro clássico), para isso, colocaria cartazes ou anunciaria com uma musica o que iria acontecer na cena seguinte, pensava que se o publico já soubesse o que iria acontecer, restaria apenas saber de que forma aconteceria e isso seria mais importante.
Com essa liberdade o teatro épico seria o único a representar a complexidade da condição humana numa era em que a vida do indivíduo não poderia ser compreendida isoladamente, ou seja, separada das tendências sociais, políticas, econômicas e históricas.


encenação do Circulo de Giz Caucasiano

O palco de Brecht se aproximava da sala de conferência na qual o publico acorre na expectativa de ser informado. A destruição da ilusão e a não identificação permitia ao publico olhar com objetivo critico as coisas mais familiares, o natural deveria ser tornado surpreendente. Todos os elementos teatrais como cenário figurino, musica, luz, etc., revelariam sua independência. Sua função seria além de localizar e completar a cena, comentar e criticar e mesmo que às vezes causasse estranheza, deveriam ter significação. Os atores trocavam de cenário ou se preparavam as vistas do público, a musica era necessariamente pouco melodiosa e bela, não pretendia emocionar nem envolver e sim informar, o publico deveria ouvir a letra que sempre comentava a ação. Era necessário lembrar sempre que estavam assistindo a um espetáculo preparado para aquela noite. Todos esses elementos juntos formam o que se entende por o efeito distanciamento criado por Brecht. O distanciamento é a condição criada que capacita o publico não se envolver emocionalmente com o representado, capacitando-o a olhar criticamente a cena. Distanciado.



Tambores da Noite

Na medida em que desmonta o processo Naturalista, mostra que há uma produção, que aquilo foi pensado e ensaiado. Na medida em que utiliza os elementos teatrais da forma que seja mais adequada para passar a idéia, cria um elemento estranho, esse elemento é o distanciamento. Também chamado de Efeito de estranhamento. A destruição da ilusão e a não identificação permitiria ao público olhar com objetivo critico para as coisas consideradas naturais.
O Gestus, elemento tão caro ao seu teatro, foi outra de suas contribuições ao espetáculo e a interpretação, ele determina o método pelo qual o diretor e ator enfrentam uma peça. O Gestus seria uma expressão clara e estilizada do comportamento social dos seres humanos em relação aos outros. Este termo que não significa apenas gesto, mais que cobre toda gama de sinais exteriores das relações sociais, inclusive a maneira de portar-se (Trabalho corporal na interpretação, entonação na voz, expressão facial) também leva em conta todo o palco, ou seja, todos os elementos que compõem o espetáculo.

Um Homem é um Homem

Cada cena de uma peça deveria ter seu gestus básico. Analisando a ação se determina a linha da história que é decomposta em elementos cada vez menores, até que cada cena pareça a expressão de uma ação simples, transformada em uma frase que contém uma idéia. Exemplo: Hitler travava o povo alemão como marionetes.
Essa idéia ou frase que contem o gestus básico é em que o encenador deverá se concentrar para deixar clara a cena para platéia. A distribuição dos atores em cena, os signos que carregam todos os elementos do palco, o modo de falar e se movimentar dos personagens devem ser levados a transmitir todas as implicações desse gestus básico. Não tem importância o aspecto que tal cena possa ter tido na vida real, o diretor está interessado apenas em evidenciar seu conteúdo e significação social.