domingo, 6 de julho de 2008

Reflexões



Arte contemporânea



Gosto de ler, às vezes de escrever, mas sou melhor trabalhando as idéias alheias. Não tenho muitas idéias próprias e não vejo problema nisso, acho que nem todo mundo precisa ser genial.
O fato de não ser muito original não me impede de gostar de ler, assistir teatro, cinema, ver fotos, pinturas e arquitetura que trazem consigo idéias singulares e conhecimento de causa, ou seja, gosto de ter e ver nas obras dos outros algum critério, ousadia e critica. É revigorante e sempre um prazer enorme ver coisas boas e novas.
Escrevo isso porque até um determinado momento da minha vida, me preocupava e me obrigava a ler um livro, assistir a uma peça ou ver exposições até o fim, mesmo sem estar entendendo nada ou às vezes entendendo e não gostando. Achava que devia entender, tinha certa obrigação em ser inteligente, se não, pelo menos parecer inteligente. Enfim, a gente sempre tende a achar que o burro somos nós quando na verdade, a maioria das coisas que se vê por ai é que não fazem muito sentido, não nos dizem nada naquele momento ou às vezes, vá lá..., não estamos ainda preparados para aquilo. Isso acontece.
Não sei se acho engraçado ou se me incomoda algumas platéias de hoje, dispostas a gostar de tudo, pelo menos, tudo que já venha com algum selo marqueteiro, ou que seja “legal”, “bacana”, que tenda a virar ou que já virou moda. Vejo coisas impossíveis de se compreender, muitas vezes por que não há o que entender mesmo, e lá estão os eufóricos gritinhos de “uuuhhhhuuu” ou aplausos de pé, mesmo depois de um silêncio constrangido, daqueles que acontece quando ninguém sabe se acabou ou não o espetáculo. E todos nós com uma cara de muito inteligentes. Leio livros enfadonhos, com mais citações do que texto do autor, ou com parágrafos inteiros sem nenhuma idéia precisa, informação ou sentido, cheios de frases feitas ou de efeito que tornam o assunto cada vez mais distante, raso, sonífero e que na verdade só engrossam o livro. Pinturas indescritíveis e instalações constrangedoras. Não tem jeito, a gente fica com cara de babaca. Lembro então do que eu sentia, (vá lá..., sinto ainda às vezes). Essa necessidade de entender ou de pelo menos parecer inteligente é angustiante.
Pode-se dizer que o grau de exigência do público hoje em dia está diminuindo, ou então que estamos todos felizes em compactuar e viver uma ficção em vez da realidade. Pode-se dizer também que a culpa é da televisão que é rasa, da internet e outras coisas mais, não sei, só escrevendo outro artigo.
Outro dia vi um espetáculo francês já candidato ao sucesso, que se encaixa nisso. Um espetáculo dito infantil. É claro, havia virtuosismo, tinha qualidade e era muito bonito plasticamente, mas muito abstrato... abstrato demais até, e às vezes tedioso. Diria..., muito chato mesmo em alguns momentos, principalmente para uma criança.
Infelizmente temos que admitir mesmo que não gostemos, que muita coisa que a gente vê por ai é ruim mesmo e não tem nenhum fundamento. Entender isso sem se sentir culpado, convenhamos, melhora muito a vida da gente.
Daí me lembrei de alguns textos que li e que gostei. Reproduzo trechos abaixo. Seus autores são de séculos anteriores aos anteriores e mesmo assim continuam atuais. Eles não gostavam de citações, (o que critiquei e vou fazer), mas como não sou mesmo original, hei de se perdoado por uma causa maior, achando que pode ser necessário e interessante para alguns.


Michel de Montaige 1533-1592



Montaigne devia ser um sujeito divertido, viveu no século XVI e depois de viajar pelo mundo e perder um grande amigo e interlocutor, aos 37 anos se auto-enclausurou em um confortável castelo da família dedicando-se a um ócio útil para refletir sobre a vida e os homens. Sorte nossa.
Era um sujeito singular, e em um estudo de autoconhecimento acabou por observar o homem no seu todo. Suas reflexões variavam de temas clássicos e elevados até profundos pensamentos sobre o peido. Livre pensador sobre o humano, sobre suas diversidades e características, não sendo um cara moralista nem de princípios rígidos, era no entanto um pensador ético. Com uma cabeça aberta e receptiva a novas idéias, costumava questionar os costumes e valores aceitos no seu tempo.
Para ele, a educação da época não tinha como finalidade tornar as pessoas melhores e mais sábias, mas sim fazer delas pessoas mais cultas... “fulano sabe grego e latim, ele sabe escrever em verso e prosa. Será que ele se tornou uma pessoa melhor e mais sábia com isso?”, perguntava. Insistia que não valia quem sabe mais e sim quem sabe melhor.
Para ele o saber e sabedoria eram categorias diferentes de conhecimento. O saber compreendia a lógica, etimologia, gramática, o latim e o grego, mas Sabedoria seria um conhecimento mais amplo, impalpável e mais valioso, seria tudo que ajudaria o ser humano a viver bem, seria o que faria ter uma vida feliz e ética. Achava que “não havia uma razão legitima para que os livros sobre a humanidade serem difíceis e enfadonhos” e que “o tédio pode ser um indicador valioso do mérito de um livro” ou ainda que “deveríamos nos conceder o direito de perder a paciência com nosso material de leitura” mesmo porque “uma obra complexa nos oferece uma escolha: Devemos julgar o autor inepto por não ser claro ou devemos nos julgar estúpidos por não conseguirmos captar o que está acontecendo?”.

Castelo de Montaigne



Algumas de suas frases:


“A palavra é a metade de quem pronuncia, metade de quem escuta”.
“Os homens tendem a acreditar, sobretudo, naquilo que menos compreendem”.
“Se o homem fosse sábio, mediria o verdadeiro valor de qualquer coisa de acordo com a sua utilidade e pertinência em sua vida. Somente o que nos faz sentir melhor merece ser compreendido.”
“Os esforços se concentram apenas em encher a memória e não deixamos espaço para o entendimento da vida, a noção do certo e errado.”
“Ser ininteligível oferece uma proteção sem paralelo contra o fato de não se ter nada a dizer.”
“Ganhar uma guerra. Dirigir um país, são feitos brilhantes. Rir, criticar, comprar, vender, amar, odiar, conviver em harmonia com a família, sem ser relapso ou insincero consigo mesmo, são coisas mais marcantes, mais difíceis. Vidas anônimas são tão importantes e com tanta dificuldade quanto a dos que realizam grandes feitos”.
“É ridículo não se conhecer a si mesmo e conhecer Aristóteles”.
“Mesmo no mais elevado trono do mundo, continuaremos sentados sobre os nossos cús.”

Arthur Schopenhauer 1788-1860


Schopenhauer, não era tão divertido assim, acabou influenciando gente como Nietzsche e Beckett. Viveu no século XVIII e parece ter sido um cara bastante solitário e pessimista. Um filho da mãe, que não se dava bem com a mesma.
Melancólico, viveu de pensão da mãe numa pensão quase familiar os seus últimos vinte e cinco anos, para onde levava seus amores fáceis. Depressivo, gostava muito do seu cão, dizia que entre eles, os cães, "contrariamente ao que ocorre com os homens, a vontade não é dissimulada pela máscara do pensamento”.
Não gostava de traduções, ou seja, não gostava do material que estamos lendo, e recomendava que as pessoas escrevessem “seus próprios livros dignos de serem traduzidos e deixassem as outras obras como elas são”. As traduções eram “necessariamente imperfeitas”.
Também gostava de clareza numa obra, criticava autores que escreviam “torrentes de palavras na mais insuportável prolixidade” ou ainda em “um estilo cientifico e profundo no qual o leitor era martirizado pelo efeito narcótico de períodos logos e enviesados”. Brigou contra a falta de clareza, a prolixidade e os neologismos que para ele “seriam indícios de uma tentativa de dar aparência erudita e profunda a textos sem conteúdo”, textos “que pareciam significar mais do que diziam”, onde a “ininteligibilidade era considerada como disfarce dos maus escritores”.
Achava que na sua época se valorizava muito “a informação, não a instrução”, enquanto dizia que a informação era apenas um mero meio para instrução. Ela, a informação, teria pouco ou nenhum valor por si mesma.
Foi ignorado no seu tempo e conviveu com muitas críticas desfavoráveis, chegou a tentar dar aulas sem sucesso e obteve reconhecimento somente no final da vida.
Depressivo a maior parte do tempo, dizia: “o prazer é um momento fugaz de ausência de dor e não existe satisfação durável. Todo prazer é o ponto de partida de novas aspirações e sempre em luta por sua realização”.
No entanto tinha esperança, achava que o homem podia tornar-se bom e isso seria conseqüência moral do desaparecimento da sua individualidade e que “ao espírito de luta contra seus semelhantes segue-se o espírito de simpatia”. Mesmo assim ainda falam que ele era pessimista. Viveu bem os últimos dois anos de vida, reconhecido e feliz, acho e tomara.


Escreveu coisas assim:


“Essa pessoa deve ter pensado muito pouco para poder ter lido tanto”
“Ler quer dizer pensar com a cabeça alheia, em lugar da própria”
Sobre Plínio, o velho – “O homem tinha tanta falta de pensamento próprio, que era preciso um afluxo continuo de pensamentos alheios”
“Preencher com palavras e frases as lacunas de clareza em seu conhecimento, esse é o problema e não a aridez do assunto que torna a maioria dos livros tão incrivelmente entediantes, um bom escritor pode tornar interessante mesmo o assunto mais árido”
“Por sabedoria entendo a arte de tornar a vida mais agradável e feliz possível”
“Talento é quando um atirador atinge um alvo que os outros não conseguem. Gênio é quando um atirador atinge o alvo que os outros não vêem”

"A peruca é o simbolo mais apropriado para o erudito puro. Trata-se de homens que adornam a cabeça com uma rica massa de cabelo alheio porque carecem de cabelos próprios"

Portanto, acho que podemos largar um livro no meio, levantar da cadeira em um espetáculo quando der vontade, olhar para outro lado na exposição, desligar o DVD... Tudo isso sem culpa, é nosso direito.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Boa Música



Vamos visitar esta semana alguns clássicos da MPB:
Elis Regina, Chico Buarque, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil.
Músicas que marcaram época e continuam marcando.


CLICK PLAY PARA ESCUTAR


O link abaixo é para quem gostou da músicas e quer escutar sem entrar no Blog:
http://www.4shared.com/file/53479833/c07c14c1/MPB_01.html
Mas lembrem-se "pirataria é crime" se gostou compre os discos

sábado, 28 de junho de 2008

PEDRA: A trajetória da imobilidade

Vagava...
Em tempos sem medida
Em espaços sem medida
Levada pelos ventos

Não sei como, algo mudou
Numa espiral
unindo a outros como eu
milhares de bilhões
quase infinitos
Unindo-me a estes, entro em transformação
Lama incandescente, pedra, areia,
pedra, lama,
pedra

O tempo nos esfriou
nos fez um
-Sou pedra-

O tempo age mais uma vez,
faz vida em minha pele
milhares

Não há o que fazer
apenas observo
Algo age
algo me move em torno da luz

Na minha pele a vida se multiplica
milhares se tornam bilhões
quase infinitos
No princípio gostava ...
tudo era novidade
às vezes forçava um movimento aqui e ali
era divertido ver como a vida reagia


Hoje estou cansada
o tempo passa lento ...
- Apenas observo -

Eles surgiram
tentando me compreender e dominar
me cobrem de fios
tiram o azul de meus fluidos
transformam minhas partes
Eles se aglomeram, mas não se tornam um
Não se integram
Fincão agulhas de vidro e aço em minha pele
São tantos, que às vezes me incomodam

Nunca irão me compreender
Não importa
Eles não percebem o quão são frágeis
Não são como eu, estão sempre se movendo
não sabem parar
Não conhecem a imobilidade
O "se deixar levar"
não conhecem o "algo" que nos move
Não há sentido em querer tanto

Não importa
em pouco tempo serei levada
no espaço voltar a vagar
Algo me guiará na liberdade dos ventos
só preciso esperar

Hoje sou imensidão
prefiro ser pó
sou uma poeira muito grande para me soltar da luz
mas falta pouco ...

A vida de minha pele me deu um nome
talvez seja a primeira pedra com nome
Eles são engraçados
às vezes gosto deles
talvez sinta saudades
não importa
a escolha não é minha
Falta pouco tempo
para voltar a vagar


Herbert Macário


quinta-feira, 26 de junho de 2008

O Condomínio - Laerte

Click na Imagem
para visualizar

quarta-feira, 25 de junho de 2008


Segue as últimas músicas do Big Boy! Hello, Crazy People!!!! Volume I
Para continuar curtindo os embalos dos anos 70.


O link abaixo é para quem gostou da músicas e quer escutar sem entrar no Blog:
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sábado, 21 de junho de 2008


sugestões
de Cinema

filmes C


Não gosto mais de filmes cabeça, eles me dão dor de cabeça. Aliás, me divirto pensando na época em que a gente se consumia em noites de discussão, litros de vodka e rios de tinta, fora os mal entendidos e inimizades no caminho. Tudo para se saber quem tinha entendido esse ou aquele filme. Já na época, às vezes, eu me pegava pensando que não tinha gostado tanto assim e se aquilo tudo valia a pena, mas..., não ia ficar de fora.

Eu também não gosto do Glauber, ou gosto de pouca coisa dele, o cinema novo não me diz muita coisa, mas..., também não aprecio muito bossa nova e outras carioquices, olha que hoje em dia é uma heresia se dizer isso, mas..., não estou preocupado, nem me incomodo com os policiamentos bestas, que vemos com freqüência, mais próprios para Província de São Sebastião do que para uma cidade dita moderna. É só minha opinião e gosto, ninguém precisa se preocupar, porque não vai mudar nada e ninguém vai deixar de ganhar dinheiro com isso.

Minha relação com cinema no assistir é diferente da que eu tenho com o teatro, onde eu não sou humano e automaticamente uma chave liga, e sem querer mesmo, me distancia e me faz observar todos os detalhes criticamente, muito criticamente. No cinema eu relaxo e me emociono e até choro. Vejo tudo e dependendo do dia, o DVD de uma boa comédia romântica cai bem. Só não gosto dos chamados filmes de ação, dão muito trabalho de assistir e às vezes, tanta ação, estraga o que seria uma boa idéia. Parecem até com as montagens modernas de Shakespeare, onde o diretor sente necessidade de colocar ação, quando o principal é o texto. Talvez não seja culpa dele, a TV vem nivelando tudo por baixo, a preocupação em não deixar o expectador pensar, criar imagens, imaginar, escolher e a rapidez na edição das cenas, dentre outras coisas comerciais, se tornou essencial e o publico desaprendeu a ler teatro.

Voltando ao cinema, é claro que tenho alguns critérios e sei quando estou vendo um bom roteiro, uma história bem contada, uma edição bem feita, convenções bem estabelecidas, personagens críveis, essas coisas. Mas gosto de inteligência num filme, de ver seres humanos se movendo na tela, seus dramas diários, idiossincrasias, suas visões de mundo, seu humor, sua noção de eternidade e humanidade.

A idéia é sugerir filmes em DVD, já vi incontáveis e vou me lembrando aos poucos, então resolvi começar pelos que estou vendo agora. A série chama Filmes C, que tanto pode ser, para alguns, o que se entende por filmes C, mas pensei mesmo foi em filmes Chico. Quem sabe as outras portas se animem e façam o mesmo com suas formações e visões diferentes de cinema, seria muito bom.

Aqui vai o primeiro:








Gente linda e comum. Vida pulsando alegre e triste. Contradições.
Crueldade. Paixão e Compaixão. Esperanças. Vida. Bom filme.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

DEUTSCH BEATLES (Beatles em Alemão)

Meu amigo Leo, apreciador e amante de uma boa cerveja, certo dia, depois de tomar todas as que estavam na geladeira resolveu experimentar uma à temperatura ambiente.
Resultado, uma "bosta". Ato contínuo, pensou: - O melhor lugar no mundo para isso ou é na Inglaterra ou na Irlanda ou na Alemanha!!!!
Descendente de alemães, traçou o seu objetivo, mas para isso tinha que entrar num curso de alemão para viajante, afinal, de que adianta estar na Alemanha e não conseguir se comunicar pelo menos com o básico do tipo:

- Onde é o bar?
- Quais os tipos de cerveja vocês tem?
- Traz uma cerveja clara!
- Traz uma cerveja escura!
- Traz outra!
- Traz mais uma!
- Uma porção de salsichão e mais uma cerveja!
- Uma porção de Chucrute e outra cerveja!
- Onde é o banheiro?
- Traz a saideira!
- Traz o pé na bunda!
- Traz etc, etc, etc.

Mas como o professor do curso de alemão, não tem a mínima noção do que é fundamental para um viajante, que quer apenas tomar sua cervejinha à temperatura ambiente em paz, começa a inventar um monte de didáticas para tomar as aulas mais atrativas.
Neste ponto chegamos ao motivo deste post.

No tal curso, Leo conheceu duas músicas dos Beatles, cantadas pelos próprios, em alemão. Vale a curiosidade.

Pelo que pude pesquisar, os Beatles, no início da carreira, além de tocar no Cavern Club em Liverpool, viajavam pela Europa e tinham muitos fãs na Alemanha, onde tocavam no Star Club de Hamburgo. Por volta de 1963/64, já famosos, gravaram no Pathé Marconi Studios, em Paris, as versões em alemão de "She Loves You" e "I Want to Hold Your Hand".

Dê pausa na Boa Música e escute os Beatles em alemão



SIE LIEBT DICH (SHE LOVES YOU)
(Lennon/McCartney-versão:Klaus Voormann)

Sie liebt dich, yeah, yeah, yeah!
Sie liebt dich, yeah, yeah, yeah!
Sie liebt dich, yeah, yeah, yeah!

Du glaubst sie liebt nur mich?
Gestern hab' ich sie gesehen
Sie denkt ja nur an dich,
Und du solltest zu ihr gehen!

Oh, ja, sie liebt dich!
Schöner kann es gar nicht sein!
Ja, sie liebt dich,
Und da solltest du dich freu'n!

Du hast ihr weh getan,
Sie wusste nicht warum.
Du warst nicht schuld daran,
Und drehtest Dich nicht um.

Oh, ja, sie liebt Dich!
Schöner kann es gar nicht sein!
Ja, sie liebt dich,
Und dann solltest du dich freu'n!

Uhhh!
Sie liebt dich, yeah, yeah, yeah!
Sie liebt dich, yeah, yeah, yeah!
Denn mit dir allein
Kann sie nur glücklich sein!

Du musst jetzt zu ihr gehn!
Entschuldig' dich bei ihr.
Ja, das wird sie verstehen,
Und dann verzeiht sie dir.

Oh, ja, sie liebt Dich!
Schöner kann es gar nicht sein!
Ja, sie liebt dich,
Und dann solltest du dich freu'n!

Uhhh!
Sie liebt dich, yeah, yeah, yeah!
Sie liebt dich, yeah, yeah, yeah!
Denn mit dir allein Kann sie nur glücklich sein!
Denn mit dir allein Kann sie nur glücklich sein!
Denn mit dir allein Kann sie nur glücklich sein!
Yeah, yeah, yeah!
Yeah, yeah, yeah!




KOMM, GIB MIR DEINE HAND! (I Want To Hold Your Hand)
(Lennon/McCartney-versão:Klaus Voormann)

O komm doch!
komm zu mir!
Du nimmst mir den Verstand!
O, komm doch!
komm zu mir!
komm gib mir deine Hand!
komm gib mir deine Hand!
komm gib mir deine Hand!

O, du bist so schön!
schön wie ein Diamant!
Ich will mit dir gehen!
komm, gib mir deine Hand!
komm, gib mir deine Hand!
komm, gib mir deine Hand!

In deinen Armen
Bin ich glücklich
Und froh!
Das war noch nie
Bei einer Andern
Einmal so, einmal so, einmal so!!!

O, komm doch!
komm zu mir!
Du nimmst mir den Verstand!
O, komm doch!
komm zu mir!
komm gib mir deine Hand,
komm gib mir deine Hand,
komm gib mir deine Hand.

In deinen Armen
Bin ich glücklich
Und froh!
Das war noch nie
Bei einer Andern
Einmal so, einmal so, einmal so!!!

O, du bist so schön!
schön wie ein Diamant!
Ich will mit dir gehen!
komm, gib mir deine Hand!
komm, gib mir deine Hand!
komm, gib mir deine Hand!


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quinta-feira, 19 de junho de 2008

Série Contos de Fora

Série Contos de Fora

Luciano Bonfim




É com um orgulho besta que abrimos essa Porta Nordestina pra um cabra da melhor extirpe e cepa. Luciano Bonfim mora em Sobral no Ceará, seu centro do mundo, de onde ele espalha poesia. A criatura se dedica a criação de literatura da melhor qualidade. Olho de cobra, paciência de bode, orelha de cangaceiro... É um homem atento, desconfiado e sensível ao jeito de sua gente. A tragédia e a graça passam por sua escrita. A partir do seu olhar danado e santo ao mesmo tempo, dá autenticidade, mas principalmente universalidade aos seus personagens, são todos nossos irmãos.
O mundo é pequeno e o centro está em todo lugar, pena não se ter acesso fácil a esses artistas, que nem tão preocupados com essa barafunda midiática dos famosos do lado de cá. Às vezes parece que só tem o lado de cá. Tanto se fala e tanto se fala que isso acaba virando verdade e não é. Eles praticam a sua arte que parece que não existe só porque não aparece, mas a arte deles alimenta a alma de qualquer ser vivente do mesmo jeitim que as outras.
Esses contos são da sua última publicação “móbiles”, menos regional que outras também de igual valor. Mostraremos tudo em breve, aos poucos, todas as suas caras.

Chico Expedito





Não existe apenas uma forma de amor & prazer

No curso do tratamento psicanalítico há amplas oportunidades para colher impressões sobre a maneira como os neuróticos se comportam em relação ao amor; ao mesmo tempo, podemos nos lembrar de ter observado ou ouvido falar de comportamento semelhante em pessoas de saúde normal ou mesmo naquelas de qualidades excepcionais..[Contribuições à psicologia do Amor]
Sigmund Freud



Maria Bonita, antes de conhecer Virgulino Ferreira, o Lampião, a quem amou até a morte, foi casada com o sapateiro Pedro.
Cléopatra, rainha do Egito e do coração de Marco Antônio, amou o poder sobre todas as coisas e teve, segundo os relatos, momentos de prazer intenso com os seus magnânimos amantes. Diziam-na belíssima.
Oscar Wilde, que por algum tempo viveu devotadamente à sua esposa, com quem teve dois filhos, crianças para quem escreveu as suas histórias de fadas e encantamentos, amou de profundis a um impetuoso jovem inglês.
Calígula, de quem dizem barbaridades sobre a sua vida e os seus amores, indistintamente amou a homens e mulheres, preferindo, segundo consta, aos rapazes fortes e fogosos.
Niestzche alimentou platônicos amores e nunca teve relacionamentos duradouros; nem parcos amores viveu; na juventude, com uma que nem mesmo soube do nome, teve raras relações sexuais, o suficiente para contrair sífilis e terminar como sabemos.
Schopenhauer nunca morreu de amores pela própria mãe, preferindo dedicar-se a um pequeno cão, a música e a filosofia.
Hitler, algumas vezes acusado de sodomia, empestava de prazer as suas roupas íntimas quando discursava para o seu másculo exército.
Narciso amou a si mesmo e entregou-se ao desespero de não ser correspondido.
Tarzan amava Jane mas nunca se desligou da macaca Chita, a quem conheceu bem antes.
Os cães às vezes se amam na praça e sempre depois do gozo ficam, por algum tempo, engatados um ao outro, sendo motivo de risos para muitos e escândalos para tantos.
Alguns amam e sentem prazer com animais não humanos.
Outros sentem prazer com aqueles que não amam.
Tantos exatamente não amam àqueles com quem dividem a mesma cama. Outros vivem com aqueles que realmente amam e têm prazer. Alguns fingem o prazer que não sentem, e somente assim, têm o prazer que deveras fingem.
Muitos se masturbam todos os dias. Outros não se masturbam nunca nem de vez em quando têm relações sexuais e, no meio da noite, muitas vezes, acordam salvos pela polução.
Existiram Satúrnicas e Bacanais. Troca de casais existe, menáge a trois, também
O campo do amor é vasto, vocês sabem! Infinitas são as zonas de prazer!
Alguns, mesmo assim, nem querem saber de amor e sexo. Outros, todavia, não vêem a hora de tudo isso começar.








Por causa do gato lilás


Tarsila, uma gata siamesa, que conviveu conosco por alguns dias, apaixonou-se pelo ‘gato lilás’ de Aldemir Martins – uma reprodução da tela que possuímos em casa.
Investiu tudo nesta paixão, estudou sobre o artista e sua obra, incomodou a todos com o seu canto lastimoso e noturno, gastou as unhas arranhando os telhados alheios.
Não encontrando retorno algum desta paixão, chegou a cometer o suicídio 6 vezes, até decidir-se a pesquisar intensamente sobre arte contemporânea.
Certa noite, após buscar um diálogo intenso com a eternidade, ainda meio grogue e desolada, saiu para a rua e não mais a vimos.
Soubemos, algum tempo depois, que ela fora atropelada e tornou-se uma efêmera intervenção urbana.

LUCIANO BONFIM [Crateús/CE.]. Publicou: Dançando com Sapatos que Incomodam - Contos[2002]; Móbiles – Contos [2007]; Janeiros Sentimentos Poético[1992] e Beber Água é Tomar Banho por Dentro[2006] – Poesia ; escreveu e montou as peças: Auto do Menino Encantado[2002] e As Mulheres Cegas[2000 e 2004]; criador da revista Famigerado – Literatura e Adjacências[2005]; professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA[desde 1996]; aluno do mestrado em Educação Brasileira[FACED-UFC/2006].

e-mail: luciano.bonfim@yahoo.com.br

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Comentário sobre "La Disparition", de André Kertész



A primeira idéia que me veio à mente foi sobre o mistério: "o que aconteceu com a pessoa?". O "eu" fotógrafo precisava saber sobre a ilusão. Pensei que fosse algum efeito de laboratório, ou alguma montagem, "talvez uma técnica nova", mas não tinha nada de novo, pelo contrário, a foto era de 1955. Mas esta fase durou algum tempo, talvez por não conseguir uma resposta satisfatória para minhas dúvidas.

Passada a fase de curiosidade técnica, hoje começo realmente a ver a foto. Digo até delirar com a imagem. Tentando associar palavras. Percebi que a técnica tinha uma importância muito pequena. Parece-me agora mais uma questão de agilidade, tanto com o uso do equipamento quanto percepção.

Surge então uma segunda idéia: conflito. Vejo na foto muitos antagonismos. A estrutura rígida no primeiro plano contra uma paisagem suave ao fundo. A figura humana que sobe a escada contra a solidez estática da estrutura construída. Rígido contra suave, movimento contra estático.

A figura humana é a única coisa que se move. Movimento este que leva a transformação. Ao desaparecer surge em seu lugar uma forma geométrica, um retângulo branco. Parece que o humano está se transformando numa forma rígida. E o rígido negro dá muita força a foto, mas observando com cuidado, percebo que os espaços "vazios", brancos, também são rígidos, são formas bem marcadas. A foto está firmemente presa nas formas geométricas.

Kertész dividiu a realidade em retângulos, criou um grafismo muito bem equilibrado, controlando todos os espaços. Realmente não sei se a composição original foi feita na câmara ao fotografar. Nem o nível de consciência do fotógrafo ao fazê-la, mas no que vejo parece-me que esta foto é uma criação muito racional, planejada. Me pergunto quanto tempo ele teve para criá-la.

La Disparition e algumas fotos da série de nus Disforsion, foram das primeiras fotos que vi de André Kertész. Elas me provocaram uma necessidade de ver e saber mais sobre ele. E esta foto, em especial, me mostrou uma nova possibilidade de fotografar, uma releitura da realidade, a possibilidade de superar a limitação do real usando apenas como recurso a seleção. Desde então comecei a olhar com mais cuidado os ditos fotógrafos clássicos, como Bresson, Lartique, Weston e outros. Henri Cartier-Bresson, mais do que outros, mostrava-se radical em seu fazer, apenas aceitando o que era captado por sua Leica nada mais, nada menos. Selecionando o momento que tudo diria, que chamou de "instante decisivo". Assim comecei a criar sem interferir. E Kertész com sua imagem limpa, construída com poucos elementos, preocupado com formas e espaços, provocou algumas mudanças no meu fotografar, mas principalmente no meu ver.

Herbert M. Macário
1993

Boa Música

Segue mais uma do Big Boy! Hello, Crazy People!!!! Volume I

Meu irmão, Ricardo, é um colecionador da boa música (cerca de oito mil cds). A tempos sugeri que ele fizesse uma coletânea de rock dos anos 70.
Para esta coletânea foi dado o nome de "Big Boy! Hello, Crazy People!!!!" em homenagem ao mais famoso e revolucionário disc-jockey (DJ) do Brasil.
Nascido Newton Duarte, o carioca Big Boy foi o principal responsável pela modernização musical do rádio brasileiro e pela apresentação do rock e do pop de qualidade à juventude da época.
O Big Boy! Hello, Crazy People!!!! já está no volume 18, então podem aguardar novas postagem.
Mas não só de rock'n roll este blog vai viver, o nome da coluna é BOA MÚSICA!!!!!


MusicPlaylist


O link abaixo é para quem gostou das músicas e quer escutar sem entrar no Blog:
http://www.4shared.com/file/51707967/f850860e/Big_Boy_Hello_Crazy_People_n1_2-3.html
Mas lembrem-se "pirataria é crime" se gostou mesmo compre os discos