Nenê Bonet




O Fotografo Hans Sylvester fotografou durante seis anos as Tribos do Omo nos confins da Etiópia. Distantes da civilização, os homens mulheres e crianças dessas tribos são verdadeiros gênios de uma arte ancestral, a pintura corporal.
Vivem no grande vale do Rift, em um triangulo entre a Etiópia- Sudão e Quênia, uma região vulcânica que fornece uma imensa paleta de pigmentos naturais, ocre vermelho, caulim branco, verde, amarelo, etc.
Esguios, belos e sensuais são os seus corpos e eles os transformam em imensas telas móveis que se confundem com a natureza em sua volta.
A liberdade com que trabalham seus temas é comovedora. Sabe-se que trabalham com gestos rápidos, vivos e espontâneos, usando os dedos, as mãos abertas, unhas, extremidades de madeira e caules esmagados. A grande simplicidade do traço e a combinação de cores nos seus trabalhos são de uma essencialidade só conseguida por crianças ou os grandes mestres contemporâneos, aqueles que aprenderam muito e que tentam esquecer tudo depois.
Além da pintura, decoram suas cabeças e corpos com flores, folhas e sementes colhidas na natureza, este ato criativo é realizado com uma naturalidade, uma dignidade, um rigor, um equilíbrio e também uma simplicidade e um bom gosto impressionantes que os estilistas famosos de moda nem sempre conseguem.
O que os move é apenas o desejo de decorar-se, de seduzir e de serem bonitos em um jogo de prazer permanente. Viva a celebração da vida.
Conheça a Música da África e veja essa obra de arte.
Denis Leão & Chico Expedito








O link abaixo é para quem gostou da músicas e quer escutar sem entrar no Blog: http://www.4shared.com/file/67183220/8a19341a/Explorer_Afrique.html
Mas lembrem-se "pirataria é crime" se gostou mesmo compre os discos



Exercicios corporais de Grotowski
“A palavra nasce do corpo e não poderia ser usada corretamente sem uma preparação física adequada”, daí a atenção ao trabalho corporal, sem isso a palavra seria “um clichê estéril, naturalista, declamatório”. Para isso usou técnicas como Hatha-yoga, acrobacia, dança, pantomima, esgrima, exercícios plásticos, mentais e de composição do teatro oriental, máscara facial, etc.
Era a preparação para o que ele chamava de corpo memória, corpo vida que produz imagens para além do teatro e da representação – "o homem não quer esconder mais nada: nem sobre a pele, nem a pele, nem embaixo da pele." Deixemos Grotowski falar:
O que é gesto se olharmos do exterior? Como reconhecer facilmente o gesto? O gesto é uma ação periférica do corpo, não nasce no interior do corpo, mas na periferia. Por exemplo, quando os camponeses cumprimentam as visitas, se são ainda ligados à vida tradicional, o movimento da mão começa dentro do corpo (Grotowski mostra), e os da cidade assim (mostra). Este é o gesto. Ação é alguma coisa mais, porque nasce no interior do corpo... É preciso compreender que há uma grande diferença entre Sintomas e Signos/Símbolos. Existem pequenos impulsos do corpo que são Sintomas. Não são realmente dependentes da vontade, pelo menos não são conscientes - por exemplo, quando alguém enrubesce, é um Sintoma, mas quando faz um Símbolo de estar nervoso, este é um Símbolo (bate com o cachimbo na mesa). Todo o Teatro Oriental é baseado sobre os Símbolos trabalhados. Muito freqüentemente na interpretação do ator estamos entre duas margens. Por exemplo, as pernas se movem quando estamos impacientes. Tudo isso está entre os Sintomas e Símbolos. Se isto é derivado e utilizado para um certo fim se transforma em uma ação... Existem gestos profissionais - como os do padre. Sempre assim, muito sacramentais. Isto são gestos, não ações. São pessoas nas situações de vida.
Palestra proferida por Grotowski em 1988








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"Hoje, 29 de setembro de 2008, é o centenário da morte de Machado de Assis, um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. Fundador da Academia Brasileira de Letras e primeiro presidente daquela Casa, sua importância para a literatura nacional é tão grande que 2008 foi instituído como “Ano Nacional de Machado de Assis”, com comemorações por todo o país e, até, pelo mundo afora. Sim, pelo mundo afora, pois Machado é universal!
Como disse Tolstoi, "Se queres ser universal fala da tua aldeia". E foi isso que Machado de Assis fez. Carioca típico, mulato de origem humilde, filho de um operário e uma lavadeira, neto de escravos libertos, autodidata... Machado amou e retratou o Rio de Janeiro em seus romances, contos, peças de teatro. E mesmo sem nunca ter saído desta cidade durante toda sua vida, a literatura de Machado é universal.
E eu, orgulhosa e apaixonada carioca, moradora do Edifício Machado de Assis, na Rua Machado de Assis, próxima ao Largo do Machado (que, aliás, não tem nada a ver com o escritor), não poderia deixar de falar dele neste dia.
Mesmo não sendo leitora voraz de seus livros, é impossível não me identificar com a fina ironia e a irreverência de Machado. Impossível não simpatizar com suas famosas personagens femininas. Iaiá, Helena, Capitu... Mulheres misteriosas, complexas e principalmente, imperfeitas, como eu. Ah, Capitu! “Nosso totem tabu/ A mulher em milhares... Feminino com arte/A traição atraente/Um capítulo à parte/Quase vírus ardente... Capitu ”*
Então, neste dia de Machado, brindo meus amigos com um poema de Assis. Meus amigos próximos e distantes, amigos novos e antigos, amigos que falo todos ou quase todos os dias e aqueles que não tenho muito contato. A todos os queridos, especiais e benditos amigos..."
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Um grande beijo
Lígia
“Rio de Machado”, 29/09/08
*citação da música "Capitu" de Luiz Tattit