domingo, 24 de agosto de 2008

Teatro


A idéia aqui é criar um painel dos grandes nomes do Teatro Universal. Rápido porque só contem informações ligeiras e sem aprofundamentos, apenas com a intenção de apresentar para um público leigo, as figuras que inventaram, influenciaram ou mudaram a face do teatro através dos tempos. Dicionário?... Não sei bem porque, pois nem em ordem alfabética vão estar. Talvez porque eu goste mais da palavra dicionário do que a painel. Vou seguindo a memória, a intuição e o material que estiver mais disponível.

Começo por Constantin Stanislavisk.


STANISLAVISK



Encenador, ator e principalmente teórico de teatro. Constantin Serguéiévitch Alexéev, nome artístico Constantin Stanislavisk, nasceu em Moscou- Rússia em 1863, sua avó materna era uma atriz parisiense. Bem nascido, filho de industriais, uma família de posses. Desde cedo manifesta um acentuado gosto pelo teatro, a ponto do seu pai e incentivador mandar construir em sua casa um belo palco à italiana para ele e seus irmãos. Entra para Escola Dramática de Moscou a partir de 1887 onde encena e representa diversos espetáculos amadores com tal esmero que começa a chamar atenção. Encara o teatro quase como uma religião e a partir do seu encontro com Némirovitch-Dantchenko (1858-1943), critico e autor dramático, fundam em 1898 o Teatro de Arte de Moscou que se tornará uma companhia consagrada mundialmente. Stanislavisk a dirigiu até a morte em 1938. Essa Companhia foi modelo de rigor teatral em suas encenações. A sua preocupação extrema com a exatidão histórica e psicológica nos espetáculos, acabou lhe valendo hoje, o título de precursor do Naturalismo, mas seu espírito inquieto e aberto na verdade, ultrapassa esse limite.


Teatro de Arte de Moscou hoje

Teatro de Arte Moscou na época de Stanislavisk

A ambição mimética, o sonho da coincidência fotográfica com a realidade e o fim da representação figurativa e simbólica definem o Naturalismo. Se dominamos o mundo podemos repeti-lo - Com essa máxima o teatro naturalista se introduzia e prometia novidades, como por exemplo, a recusa ao painel pintado, o cenário seria agora em três dimensões, os objetos seriam reais, o publico frontal e estático e a luz apenas no palco. A pretensão seria a de que o espectador esquecesse completamente que estava em um teatro assistindo a um espetáculo, induzido por uma interpretação que buscava provocar a emoção, a identificação e a catarse. O Naturalismo exerceu uma influencia tão forte para o teatro na virada do século XIX para o XX que até pouco tempo atrás, costumava-se achar que o bom teatro era aquele que conseguia repetir a realidade no palco e o bom ator o que conseguia viver o personagem da forma mais realista e natural possível.
Nas suas montagens, Stanislavisk se esforçava para criar essa sensação de realidade e para isso criou para interpretação o que se convencionou chamar de quarta parede imaginária, que separava a platéia do palco. A impressão do real seria criada ainda através da reprodução perfeita, com uma precisa pesquisa histórica nos cenários e figurinos. Os objetos também eram reais e pesquisados de acordo com a época em que a ação da peça se passava. O Som produzido no palco e a luz para teatro (em desenvolvimento recente na época), também contribuíam com climas e efeitos que buscavam de forma obsessiva a perfeição, nada podia sair errado, pois destruiria a sensação de realidade.


Tckecov e atores do Teatro de Arte de Moscou

Além dessa contribuição, que muitos hoje, com razão, acham um retrocesso na linguagem teatral, exatamente por não ser teatral (entendendo-se o teatral como uma leitura particular da realidade, que pode ser impressionista ou simbólica, por exemplo), e que hoje é mais adequada à linguagem televisiva e cinematográfica, Stanislavisk criou um poderoso sistema, um método de interpretação revolucionário, e o seu ponto de partida seria também a exatidão, dessa vez a exatidão psicológica. Esse sistema serve até hoje de base para todos os atores, iniciantes ou não e ainda é reproduzido praticamente em todas as escolas de teatro do mundo, inclusive e principalmente a Actors Studio.
A interpretação dos seus atores era marcada pelo rigor, verdade e autenticidade, ele elabora suas teorias fundadas numa análise psicológica do comportamento humano, uma verdadeira investigação científica, utilizando a psicologia experimental da época e até os métodos parapsicológicos da ioga. Para Stanislavisk a arte dramática seria a capacidade de representar a vida do espírito humano em público e de forma estética. Talento, inspiração e intuição são experiências não conscientizadas, a ciência não explicava as reações químicas para se chegar à inspiração e como ela era provocada, apenas o artista genial a conseguia intuitivamente. Pensando nisso ele opta pela técnica, opta por chegar racionalmente a um processo que regesse uma boa interpretação, para isso teria que estudar e compreender como agem os personagens (que é um ser humano com toda a sua complexidade interior), concluindo que deveria entender todos os aspectos da complicada ação humana na vida real. Resumindo, teria que estudar os processos naturais que regem a ação na vida real e transferi-las para o teatro. Para ele a técnica libertaria o espírito.

Stanislavisk como ator

Procurava fazer preceder no ator a consciência sobre o inconsciente (sede de inspiração). Para isso introduz exercícios físicos, de relaxamento e respiração, cultiva a prática da observação, da imaginação e da concentração absoluta. O Ator Stanislavkiano reconstrói psicologicamente seu personagem com minúcia extrema, usando os dados fornecidos pela peça e imaginando da forma mais concreta possível o que lhe falta, o passado e os objetivos futuros do personagem, suas reações diante de diversas situações, etc.. Criou o que se chama em teatro de Fé Cênica, que é a crença absoluta na verdade da cena. Extirpou da interpretação, os truques, vícios e a impostação tão comum da época, lhe conferindo autenticidade.
O Teatro de Arte de Moscou e Stanislavisk mantiveram uma parceria perfeita com Tckecov e Gorki. A montagem dos seus principais textos acabaram por resultar em espetáculos memoráveis. A relação entre Tckevoc e Stanislavisk era afável, mas complicada dizem, gerando passagens risíveis principalmente em função dos preciosismos, detalhes e exigências de pequenos acertos e mudanças que o encenador propunha, por causa da sua decantada exatidão.
Para quem quer se aprofundar em seus estudos, suas obras traduzidas para o português são: Minha vida na Arte; A preparação do Ator; A Criação de um Papel; A Construção da Personagem e o Manual do Ator. Estes livros contam todas as suas experiências e experimentos e descrevem seu método. Se quiserem saber em quem Stanislavisk se inspirou e de quem recebeu as primeiras influencias, podem pesquisar: O frances André Antoine, fundador do Théatre-Libre, ator, crítico e encenador. O ator italiano Tomaso Salvini e sua forma de atuação e a Companhia Teatral dos Meininger. Existem também incontáveis livros que comentam sua obra.
No final da vida, ainda curioso sobre a arte que abraçou, Stanislavisk chegou a convidar Gordon Craig (1872-1931 - teatrólogo britânico, que tinha uma notável concepção teatral, caracterizada pelo Antinaturalismo, que com uma nova concepção de arte promoveu uma renovação no teatro europeu do século XX), cujas teorias não eram do seu agrado para montar Hamlet no seu Teatro.

Final da carreira e vida

ENTRE DOIS SÉCULOS

Anita Malfatti (1889-1964)
Vaso de Flores
década de 30
Pastel s/ papel - 31x41

A Japonesa, 1924
Óleo s/ tela - 100x80


O Jardim, 1912
Óleo s/ tela - 23,5x29
A Floresta, 1912
Óleo s/ tela - 20x29

Nu Masculino
Carvão s/ papel - 62x47,5

Academia XI, 1917
Carvão s/ papel - 52x44


O Farol, 1915
Óleo s/ tela - 46,5 x 61

Desenhista e Pintora paulista. Uma das figuras determinantes para a realização da Semana de Arte Moderna. Em seu trabalho encontramos fortes características do Fauve, do Expressionismo e do Cubismo. Gosto de suas formas e cores.



quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Entre Dois Séculos

Arte Brasileira Do Século XX
Na Coleção Gilberto Chateaubriand
Roberto Pontual


Quando estudamos história da arte somos apresentados a arte mundial. Quem já não ouviu os nomes Picasso, Monet, Dali, Da Vinci... e muitos outros. Por outro lado, deve-se admitir, que há uma certa perda de conhecimento quando se fala da arte no Brasil.

O título acima é do livro de Roberto Pontual, publicado em 1987, pela Editora JB. O autor, através da Coleção Gilberto Chateaubriand nos apresenta grandes artistas brasileiros. O livro é fantástico, repleto de imagens.

Nesta série vou pinçar alguns destes artistas e apresenta-los.
Meu critério de escolha é semelhante ao de Chateaubriand. Se faz mais por gosto pessoal do que por qualquer outro valor.

Para começar o prefácio de Gilberto Chateaubriand



Carlos Scliar – Retrato de Gilberto Chateaubriand
Nanquim s/ papel (30 x 21)
1979





Da Criação à coleção

Uma coleção, da mesma forma que uma obra de arte, só pode ser feita à mão. Diferentemente do artista, porém, o colecionador jamais conclui aquilo que começa: sempre há algo a conquistar, a modificar, a aprimorar. Talvez o drama do chef-d'oeuvre inconnu de Balzac não tivesse o mesmo peso se, no lugar do artista, tivesse um colecionador como protagonista. Se ambos têm em comum o trabalho solitário e paciente, que necessita tanto da razão quanto de sensibilidade, de conhecimento tanto quanto de instinto, eles divergem a partir do momento em que se coloca o problema da conclusão do esforço empreendido. Uma obra de arte que não chega ao fim nunca chega a ser mais do que potência, virtualidade; uma coleção que chega ao fim perde irremediavelmente seu potencial de realização. Paradoxal, sem dúvida, mas verdadeiro.

A coleção, objeto deste livro, construída ao longo de mais de 30 anos de paixão pela arte, não é conclusiva. Não se trata de apresentar um conjunto definitivo do que foi recolhido, muitas vezes ao sabor do acaso e do inesperado, como se o trabalho estivesse terminado. Ao contrário, mostrá-la ao público é assumir, ainda com mais ênfase, o dever da continuação. A coleção, tal como está exposta, é apenas uma demonstração do que ainda há por fazer.

Pois, se a obra de arte pode - e deve - ser terminada, o artista não pode estacionar. E nem a arte. É de sua natureza confrontar o espectador com novas realidades a cada momento, provocar nos outros a excitação da descoberta ­experimentada no ato de fazer a arte. E é da natureza do colecionador compartilhar desta excitação e saber situá-la, para que seja melhor compreendida, em um conjunto coerente, significante. É este o sentido da coleção e do trabalho do colecionador: explicitar o significado de um conjunto que, de outro modo, poderia permanecer disperso e, com isto, se perder.

A coleção mostrada neste livro não pode, assim, ser vista como um ponto final. Compreendendo obras da arte moderna e contemporânea brasileira de 1912 a 1986, ela procura extrair um sentido a esta produção, rica e diversificada como poucas no mundo, e que teve lugar em meio a dificuldades e crises por que o país passou nestes últimos 70 anos. Não é uma coleção exaustiva, sem dúvida. E nem poderia ser. Em primeiro lugar, porque o colecionador, sendo humano, não pode gostar de tudo ao mesmo tempo. Em segundo lugar, porque tentar ser exaustivo é querer abarcar ao mesmo tempo todos os significados possíveis, o que desembocaria em nenhum significado. Em último lugar, mas nem por isso o menos importante, porque, vivendo em uma sociedade de mercado, o acesso à obra de arte só se dá através de um meio quase sempre caprichoso e incerto, onde as oportunidades, quando aparecem, não estão ao nosso alcance da forma como gostaríamos. Seria necessário ser capaz de estar em todos os lugares ao mesmo tempo para poder aproveitá-las por completo.

Isto, por si só, justifica o que a coleção contém e aquilo que ela não contém. As ausências não representam, assim, apenas um julgamento de valor. Antes, refletem um gosto pessoal, a busca de um significado específico e as oportunidades que permitiram a sua constituição. E é através destes parâmetros que ela deve ser vista. Os ausentes não estão ausentes por demérito ou por injustiça, e nem os presentes por puro capricho. E, afinal, uma coleção não se avalia pelos vazios, mas pelos cheios: o seu conteúdo é o único critério válido de julgamento, é o que define seu significado.

De cerca de três mil obras foram decantadas, quase, 800 dando um apanhado singular da arte brasileira, reunido com amor e paciência através dos anos, por vezes sob condições adversas e quase impossíveis, outras vezes assumindo o risco do desconhecido e do incerto. O significado que ele explicita está aí, porém, à vista de todos, realizando parte substancial do destino para o qual ela se fez: tornar visível uma realidade, para utilizar uma frase de Paul Klee, para quem o papel da arte não é refletir o visível, mas tornar visível.

O resultado aqui apresentado não teria sido possível sem a audácia editorial do Jornal do Brasil que, na pessoa de Manoel Francisco do Nascimento Brito, assumiu o compromisso da realização desta obra. Ela surge em um momento ainda incipiente de nosso mercado de livros sobre arte, e quando são poucos os que tomam a si a tarefa de promover a cultura artística brasileira. Em meio aos vazios que se observam, a atitude do Jornal do Brasil tem ainda maior destaque e significação no quadro de escassez de material literário e iconográfico. Meus agradecimentos a todos que colaboraram com este livro.

GILBERTO ALLARD CHATEAUBRIAND



Glauco Rodrigues – Gilberto Chateaubriand
Tinta acrílica (190 x 190)
1984

domingo, 17 de agosto de 2008

See e Tok

série diálogos

A Historia do Teatro






SEE e TOK estão numa esquina conversando sobre um
amigo ator. Estão atrasados e apressados, mas o assunto
não pode ficar para depois.

See - Convenhamos, o que aconteceu com ele foi um drama... (Olha
para o lado) Caramba... Estou atrasado.

Tok - Pra mim foi uma farsa... (olhando o relógio) Eu Também.

See -Tudo bem, tudo bem. Mas... Vamos admitir, a vida do cara é uma
Tragédia.

Tok - Mas com muitas passagens risíveis, na verdade é uma verdadeira
Comédia.

See - (Gesto) Ih...Perdi o ônibus. Sim, sim...mas você concorda que enquanto
falava, estava muito calmo e também colocou o assunto com um
naturalismo Impressionante e bastante crível. (para si) E agora?

Tok - Eu sei, foi realista, mas não foi dialético e convenhamos, tinha
momentos de um absurdo incontestável e fez também uns silêncios,
umas pausas...(olha o relógio) Também tenho que ir...(voltando). O
cara fazia uma mímica incompreensível.

See
- Pode ser, pode ser. Mas não sei... (para si) Que que eu faço agora?
(voltando) Quer saber...Fiquei emocionado, ele falou de uma
forma muito harmônica, quase musical. E sempre com uma visão muito
madura... De adulto.

Tok - Ja pra mim, ele mim foi infantil. (olhando para o lado e pensando alto) Puta merda, passou uma van.

See - Não, não e não. O que ele fez é o que se chama de nonsense.

Tok - Chamo isso de tragicomédia.

See - (Olhando para o relógio) Puxa... Também não é assim, vamos
pelo menos admitir que isso é humano, que é a historia do ser
humano.

Tok - Não amigo. Isso é a história do Teatro.

See - (Olha o relógio mais uma vez, desanima) Porra... Perdi o teste.

Tok - (Olhando o relógio também, conformado) Eu também

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Paisagens Construídas


Carl Warner



Chico Expedito me enviou uma coleção de fotos do fotógrafo britânico Carl Warner, que criou uma coleção de paisagens montadas com comida. As imagens, rapidamente, me remeteram ao pintor milanês Giuseppe Arcimboldo (1527-1593) e suas faces de vegetais, animais e objetos.



Arcimboldo



As fotos de Warner são muito interessantes. Não resisti e fui procurar seu portfólio na rede. O acabamento é fantástico. Vale a pena uma visita, no site você encontra muito mais fotos(http://www.carlwarner.com/). Não encontrei nenhum texto de apresentação, mas parece atuar no meio publicitário e utiliza a manipulação digital com grande destreza. As paisagens de comida são feitas com uso de camadas digitais. Suas fotos têm um toque de humor sutil, do qual gosto muito. Warner até faz uma homenagem a Arcimboldo.



Carl Warner



Carl Warner




Carl Warner



Carl Warner




Carl Warner



Carl Warner


A seguir algumas pinturas de Arcimboldo. Na verdade, são os únicos trabalhos que conheço dele, mas devia ser um ótimo pintor já que foi o pintor oficial da Casa do Imperador Ferdinando I (Sacro Império Romano-Germânico).
Creio que foi o primeiro a fazer esse tipo de composição. Em sua época, foi considerado de gosto duvidoso. Mas, no século XX, suas pinturas foram resgatadas pelo grupo Surrealista.



Arcimboldo




Arcimboldo



Arcimboldo



Arcimboldo



Acredito que Arcimboldo foi o precursor desse tipo de composição, que cria imagens com a junção de objetos diversos. Mais tarde outros artistas também criaram composições semelhantes, provavelmente, inspirados em seu trabalho. Selecionei, aqui, três artistas:



Vik Muniz
Nasceu em São Paulo, mas vive entre Rio de Janeiro, São Paulo e New York. Sua carreira como artista plástico é radicada em New York. Seu trabalho é algo entre o desenho e a escultura, que fotografa e finaliza como foto. É um dos artistas brasileiros contemporâneos mais valorizado no exterior. (Entrevista: http://www.fortesvilaca.com.br/artista/vik-muniz/)




Vik Muniz

Vik Muniz



Vik Muniz


Vik Muniz



Vik Muniz



Philippe Halsman (1906-1979)
Nascido na Letônia mudou-se para Paris em 1928, onde se fixa como fotógrafo de moda e retratos. É reconhecido como um artista surrealista ao trabalhar em parceria com seu amigo Salvador Dali, ao longo de 30 anos. Também é conhecido pela coleção “Imagens de Saltos”, que realizou quando foi morar nos EUA. No projeto, fotografava personalidades políticas e artistas saltando.



Philippe Halsman




Philippe Halsman
(esta composição não se encaixa na proposta de Arcimboldo, mas é muito conhecida)



Arnaldo Pappalardo
Paulista, graduou-se em arquitetura, mas atua como fotógrafo publicitário. O trabalho a seguir foi exposto em 1988. Na época, ele estava inserindo-se no mercado de arte, o que me chamou a atenção, pois eram poucos os fotógrafos que o faziam. Se me lembro bem, as fotos tinham um valor significativo. A coleção era formada por 28 fotos entre preto e branco e coloridas. As fotos em P&B tinham tamanho 50x60cm e eram feitas em câmera de grande formato, com negativos de 4X5 polegadas. As fotos coloridas da série, eu não conheço.
Alguns anos atrás, ele publicou um novo ensaio na revista de fotografia de arte Paparazzi. Um jogo arqueológico com objetos contemporâneos enterrados. Faz tempo que não vejo outros trabalhos seus.

Arnaldo Pappalardo
Anel de Saturno




Arnaldo Pappalardo
s/ Título

Cinema

sugestões de cinema

filme C




Belo filme. Resgata o cinema clássico e é moderno ao mesmo tempo. Roteiro brilhante. Seqüências econômicas. Tomadas precisas, fortes e bonitas. Repare na trilha.

Filme Holandês com Jan Decleir - Fedja Van Huêt - Betty Schuurman
Um filme de Mike Van Diem

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

reflexões

Pequena reflexão sobre arte. A partir de...



O pensador



Alguma coisa me incomoda nos Fractais. Talvez por que às vezes suas representações sejam apresentadas como arte. Não acho que sejam, possuem uma frieza que me leva a observá-las também friamente e analiticamente, não me emocionam em nada.



Tenho a impressão que o fato de pretenderem uma explicação científica acaba por tirar todo o prazer, o sentimento e a abstração que uma obra de arte provoca em um ser humano. Talvez seja pessoal, mais é o que sinto. Guardadas as devidas proporções, a relação Arte e Ciência deve ser como a relação Ciência e religião, brigam entre si. Talvez religião também seja uma obra de arte, uma invenção artística.



Escrevo sobre isso por causa da bela postagem do Herbert sobre a obra de M.C. Escher (ai embaixo e a dos fractais mais embaixo), onde ele coloca que elas são parecidas com os Fractais, talvez até os pais dos Fractais... Mas não sei não. O Trabalho de Escher sim, pra mim é arte, e embora eu não consiga avaliá-la tecnicamente nem tampouco estabelecê-la dentro das teorias de estilo e historia da arte (isso seria um prazer a mais), elas me emocionam e extasiam e aí me reconheço como ser humano ligado a outro ser humano de um século diferente e que jamais vou conhecer.



Tenho falado muito e vou continuar falando em função da arte e continuo insistindo em que ela deve ter uma função. As pessoas, às vezes não entendem que falo de qualquer função, não necessariamente uma função imediata, política, social, etc., pode ser, digamos, uma função puramente sensorial, humana... De identificação humana, de levar a mente e o sentimento por um caminho antes não visitado. A cabeça abre, a alma cresce e a conscientização e a racionalização vem depois. Se a obra tiver qualidade, ela te toca de alguma forma e de alguma maneira tem a ver com teu universo, só falta você descobrir o que é.



No meu trabalho como diretor de teatro sempre caminho nessa direção, primeiro vem o que se convencionou chamar de inspiração, depois dessa fase de criação mais ou menos desordenada, vem uma arrumação dos elementos colocados, uma racionalização em termos de leitura e convenção teatral para que ela seja percebida e aproveitada pelo público. Normalmente essa arrumação leva em conta os valores de uma época ou do momento ou ainda os dois. Não no sentido de consagrá-las, cristalizá-las ou respeitá-las a ponto de não ousar, mas de discuti-las e principalmente de tornar o caminho do entendimento mais claro.



Teatro e artes plásticas, acho, são diferentes para percepção humana. Enquanto nas artes plásticas, de uma tacada só, se observa aquele universo por inteiro. No teatro, as emoções e racionalizações são construídas a partir uma conjunção de elementos diferentes que envolvem literatura, interpretação, música e até artes plásticas, seqüenciados e com tempos diferentes e que só ao final dão a perspectiva do todo.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

M. C. Escher (1898 - 1972)

Antes do Fractal


Cascata (1961)
Litogravura

Muito antes da idéia do fractal e do início de seu estudo como geometria da natureza, o artista holandês M.C. Escher já criava imagens que fascinavam os matemáticos, que talvez tenham sido seus primeiros fãs. Por sinal, fui apresentado a uma de suas obras, justamente, no curso de matemática: a Cascata (1961), como exemplo perfeito do paradoxo.

Nos anos quarenta Escher trabalhava com a idéia de criar o infinito no espaço finito. Ir além da perspectiva e criar o espaço infinito no bidimensional do papel. Observe a gravura Cada Vez Menor (1956) e diga se não é um fractal.

Cada Vez Menor (1956)
Xilogravura


Em 1944 sua obra passa a ter características surrealistas e é incluído no movimento. Sua criatividade, lirismo, transformações dimensionais e precisão técnica rivalizam com Dali e Magritte. Seus temas eram paisagens, paradoxos visuais, metamorfoses e retratos. Sempre com uma fantástica variação de tonalidade entre figura e fundo. Sua técnica era a gravura em todas suas modalidades: litogravura, xilogravura, água forte... A precisão do traçado do artista é impressionante. Provavelmente hoje seria acusado de criar em computação gráfica. Em 1993, tive a oportunidade de ver uma exposição de suas obras no MAM, do Rio de Janeiro. Fiquei impressionado com a precisão técnica. Nunca imaginei que poderia ver uma matriz de xilogravura como a de Escher.

Em 1919, o jovem Escher entrou para a Escola de Arquitetura e Desenho Ornamental de Harlen, Holanda. Após se formar, em 1922, mudou-se para a Espanha e mais tarde para a Itália, onde se instalou por doze anos. Em razão do Fascismo italiano, muda-se para a Suíça, em 1935. Finalmente retorna para a Holanda, em 1941, onde permanece até o final de sua vida. Desde cedo foi seus trabalhos chamaram a atenção. Reconhecido no mundo todo como artista gráfico, ironicamente, em sua terra natal, demorou a ser visto como tal, pois sua obra era considerada demasiadamente intelectual para ser arte.

Conselho: Caso tenha a oportunidade de ver uma exposição de M.C. Escher...
Não perca!!



Circulo Limitado
Xilogravura



Natureza Morta com Espelho (1934)
Litogravura




Tetrahedral Planetoid
Xilogravura


Dia e Noite (1938)
Xilogravura






Três Mundos (1935)
Litogravura



Dois Peixes (1942)
Tinta-da-Índia, lápis de cor e quarela



Encontro (1944)
Litogravura



Sem Título (1941)
Nanquim e lápis de cor






terça-feira, 5 de agosto de 2008

5a Porta

além virtual

Dicionário Brasileiro de Quandos




Está viajando no além virtual essa mensagem que vale a pena ver. O assunto é controvertido, pois faz parte do malfadado folclore do “jeitinho brasileiro”. Embora as situações que provoca sejam irritantes, vistas assim com distância são muito divertidas.

Dicionário Brasileiro de Quandos

Para evitarmos que estrangeiros fiquem pegando injustamente no nosso pé porque prometemos e não cumprimos, está sendo compilado o Dicionário Brasileiro de Quandos (que já deveria estar pronto, mas atrasou...), do qual foram extraídos os trechos a seguir:

Depende - Envolve a conjunção de várias incógnitas, todas desfavoráveis. Em situações anormais, pode até significar "sim", embora até hoje tal fenômeno só tenha sido registrado em testes de laboratório. O mais comum é que signifique diversos pretextos para dizer "não".

Já-Já - Aos incautos, pode dar a impressão de ser duas vezes mais rápido que "já". Ledo engano, é muito mais lento. "Faço já" significa "Passou a ser minha primeira prioridade", enquanto "Faço já-já" quer dizer apenas "Assim que eu terminar de ler meu jornal, prometo que vou pensar a respeito".

Logo - "Logo" é bem mais tempo que "dentro em breve" e muito mais que "daqui a pouco". É tão indeterminado que pode até levar séculos. "Logo chegaremos a outras galáxias". É preciso também tomar cuidado com a frase "Mas logo eu?", que quer dizer "Tô fora".

Mês que vem - Parece coisa de Primeiro Grau, mas ainda tem estrangeiro que não entendeu. Existem só três tipos de meses: aquele em que estamos agora, os que já passaram e os que ainda estão por vir. Portanto, todos os meses, do próximo até o Apocalipse, são meses "que vem" !!!

No máximo - Essa é fácil: quer dizer "no mínimo". Exemplo: "Entrego em meia hora, no máximo". Significa que a única certeza é de que a coisa não será entregue antes de meia hora.

Pode deixar - Traduz-se como "nunca".

Por volta - Similar a "no máximo". É uma medida de tempo dilatada, em que o limite inferior é claro, mas o superior é totalmente indefinido. "Por volta das 5 horas" quer dizer "a partir das 5 horas".

Sem falta - É uma expressão que só se usa depois do terceiro atraso. Porque, depois do primeiro, deve-se dizer: "Fique tranqüilo, que amanhã eu entrego". E depois do segundo: "Relaxa, amanhã estará em sua mesa". Só aí é que vem o "Amanhã, sem falta."

Um minutinho - É um período de tempo incerto e não sabido, que nada tem a ver com um intervalo de 60 segundos e raramente dura menos que cinco minutos.

Veja bem - É o day after do "depende". Significa "Viu como pressionar não adianta?". É utilizado da seguinte maneira: "Mas você não prometeu os cálculos para hoje?" Resposta: "Veja bem..."

Xiiii.... - Se dito neste tom, após a frase: "Não vou mais tolerar atrasos, O.K.?" Exprime dó e piedade por tamanha ignorância sobre nossa cultura.

Zás-Tráz - Expressão em moda até uns 30 anos atrás e que significava "ligeireza no cumprimento de uma tarefa, com total eficiência e sem nenhuma desculpa". Por isso mesmo caiu em desuso e foi abolida do dicionário brasileiro.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O receptáculo e a Deusa...


“Fotografei nosso banheiro, esse receptáculo lustroso e esmaltado, de beleza extraordinária. [...] Ali estavam todas as curvas sensuais da ‘divina figura humana'; exceto as imperfeições. Jamais os gregos alcançaram uma consumação tão significativa de sua cultura e, de algum modo, isso me fez lembrar a Vitória de Samotrácia, em seu movimento atrevido de contornos que avançam com beleza.”

Edward Weston
1886 – 1958

Edward Weston - Fotógrafo americano radicado na Califórnia. Trabalhou como retratista por muitos anos. Sua produção artística se caracteriza principalmente pela fotografia de objetos com uma técnica de fotografia direta, muito rigorosa. Participou do Grupo F64 que se opunha a proposta dos fotógrafos Picturalistas. Foi o primeiro fotógrafo a receber uma bolsa da Fundação Guggenheim. Weston é considerado como um dos grandes mestres da fotografia mundial.