segunda-feira, 16 de junho de 2008

CALVIN E HAROLDO

As famosas tirinhas, no 2º caderno dos jornais me acompanham desde criança.
Com o passar do tempo, foram amadurecando, assim como eu.Calvin e Haroldo (Calvin and Hobbes), de Bill Watterson, nos anos 80 sempre trazia grande prazer. Calvin é sarcástico e muitas vezes cruel, Haroldo, é irônico e altamente filosófico.


Em homenagem ao Teatro segue nesta ótima série :











sábado, 14 de junho de 2008

Sexta-Feira 13


Este post está um pouco atrasado
uma pequena homenagem ao principal símbolo da sexta-feira 13

sexta-feira, 13 de junho de 2008

BOA MÚSICA

Para começar o final de semana com boa música, relembrando os tempos da Rádio Mundial, onde o inovador radialista Big Boy, gritava "HELLO, CRAZY PEOPLE"


MusicPlaylist

O link abaixo é para quem gostou da músicas e quer escutar sem entrar no Blog:
http://www.4shared.com/file/51706236/46c9ca59/Big_Boy_Hello_Crazy_People_n1_1-3.html
Mas lembrem-se "pirataria é crime" se gostou mesmo compre os discos

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Série Cias. de Teatro do Rio



Cia. Teatro Autônomo

Clássicos Modernos







Descobri esse grupo tarde demais, acompanho seu trabalho apenas a partir do espetáculo “Deve Haver Algum Sentido em Mim que Basta”, depois vi “E Agora Nada é Mais Uma Coisa Só” e agora “Nu de Mim Mesmo”.

Na primeira vez que fui ao teatro ver uma montagem dessa Companhia, antes de começar o espetáculo, lendo o programa e tomando conhecimento do que se propunha o grupo e especialmente a montagem que ia ver, fiquei apreensivo e de antemão, levemente mal humorado com o que ia ver. Pensei... Mais um grupo... Mais um diretor que promete em textos muito bem escritos, na verdade incompreensíveis, prenhes de frases de efeito e que no fundo, prestando alguma atenção e procurando entender, eles não dizem rigorosamente nada. Pior... O espetáculo que se assiste em seguida, nem chega perto das intenções pretendidas , e com muito mais freqüência ainda, a peça não tem nada a ver com que está escrito. Paciência, isso acontece muito por aqui... Aí veio a terceira chamada e a luz apagou... Começou o espetáculo.

Fiz essa introdução para dizer que a Cia. Teatro Autônomo, não tem nada a ver com o que está escrito ai em cima. O grupo consegue teatralizar o que pensa, desenvolver até mais do que promete e se propõe, e o faz com muita competência. Fiquei encantado e mais que isso, sai do espetáculo com a impressão de que alguma coisa nova havia sido acrescentado à linguagem e estética teatrais, pelo menos para mim, só não sabia o que. Procurava na minha cabeça enquadrar o que acabava de assistir com alguma convenção teatral que conhecia ou já tinha visto e não encontrava nada. Uma contribuição e tanto para o teatro brasileiro, para o do Rio de Janeiro então, eles estão acima do bem e do mal.

O diretor criou uma linguagem de palco desconhecida para mim. Aparentemente, ele imprime a cena, uma convenção naturalista na escolha do texto, na interpretação, no figurino, objetos de cena, (o cenário foge um pouco, determina um espaço simbólico e atemporal sempre), a trilha também, as vezes confirma e exalta a emoção ( outra causa estranheza). Mas trata-se de um naturalismo tão extremo, tão levado aos limites, que acaba por colocar uma lente de aumento potentíssima que ultrapassa essa linguagem, revelando e refletindo de maneira poderosa as relações humanas e nossa pobre e frágil condição humana, nossos sentimentos, sonhos, decepções, idiossincrasias, a ponto de







vermos com uma clareza imensa o absurdo de estar num mundo cada vez mais fragmentado , individualista e com pouca esperança. Isso tudo sem recorrer a nenhuma das conhecidas técnicas do dito teatro do absurdo. Essa lente de aumento também mostra a potencialidade da própria arte teatral, e essa interpretação naturalista do mundo, aparentemente emocional, da forma como é estabelecida, em vez de te envolver em uma atitude contemplativa e serena como a maioria das vezes seria lógico, te distancia e instiga.

É curiosa a relação que as montagens estabelecem com o público, penso ser conseqüência não só da manipulação e controle de todos os elementos teatrais, mas principalmente da construção do espaço, bem pensado e bem elaborado na sua distribuição de objetos , nos recursos explorados durante a ação e no posicionamento do público. Esse espaço nunca é dissociado da ação, ao contrário, completa-a e explica-a. Curioso notar como o grupo sempre propõe e realiza um avanço da sua proposta, em relação ao espetáculo anterior e em como a convenção impressa no espetáculo coloca sempre o público em movimento, interior ou não, mas sempre a vontade. Não se trata do público se movimentar em espaços diferentes para acompanhar a ação, recurso muito usado, mas sim no fato do público escolher o que quer ver ou até, se quer ver a cena ou não, ou de que maneira. É dado a platéia, o direito de refletir calmamente, sem pretender entender tudo. O público acaba escolhendo o que vai ver e não perde nada. Afinal, é como a gente vê a vida, mais ou menos a gente escolhe o que quer e o que não quer ver ou viver, e criamos nossas próprias estruturas na imaginação.


A Cia tem um núcleo artístico fixo, fundamental creio, para continuação de suas propostas. Um elenco equilibrado , valioso e competente. Direção, dramaturgos e técnica talentosos e absolutamente conscientes das suas funções e possibilidades. Formam a trupe: Jefferson Miranda-Diretor; Flávio Graff-Diretor de Arte e Dramaturg; Felipe Storino-Diretor Musical; Renato Machado-Iluminador; Miwa Yanagizawa- Atriz; Otto Jr-ator; Adriano Garib-Ator; os convidados Gisele Fróes-Atriz; Fabio Dultra-Ator; Julia lund-Atriz e sempre que vi, os mesmos produtores Sergio Sabóia e Silvio Batistela.

O trabalho de direção de arte é surpreendente, pensado para ser bonito, funcional, objetivo e altamente informativo, tudo o que é preciso para contar bem uma estória. Antes, em montagens anteriores, eu acho, havia no espaço como um todo, uma preocupação estética mais definida, uma unidade, certa limpeza. Hoje, acho que há no espaço criado, principalmente no último espetáculo, uma fragmentação e um desmembramento de leituras e recursos talvez exagerado, o que pra mim suja um pouco a cena na sua totalidade. O foco, a pequena ação que é desenvolvida, continua sendo objetiva e inteira, mas as vezes deslocada do resto. Tenho também para mim que há um uso excessivo da tecnologia, pessoalmente acho desnecessário e que não acrescenta ao espetáculo. Foge para mim, dos elementos primordiais, dos objetivos e do ritual teatral.







Os Figurinos são adequados e informativos, os objetos de cena são significantes. Dizem que uma boa luz é a que não aparece ou só aparece quando solicitada para reforçar alguma idéia ou ajudar na leitura do que é narrado, ou seja , para dar luz a cena, é esse o caso. A trilha complementa a informação, comenta, estabelece emoções e climas. Marcas e gestual interpretativo são esclarecedores, significativos, objetivos e econômicos. Enfim, os elementos que compõem a cena estão em perfeito equilíbrio, cumprindo sua função teatral com uma unidade impressionante, todos direcionados e refletindo apenas uma idéia. O teatro poucas vezes consegue estabelecer um dialogo tão profundo e conseqüente com a platéia e com o próprio teatro.

A Dramaturgia flui como a vida, com uma simplicidade somente aparente, mas que imagino, ser de um grau de dificuldade razoável para atores não preparados, não exercitados para as propostas do grupo e objetivos pretendidos. O texto ganha um novo sentido, exige que o ator se reestruture para o exercício dramático e a historia que está sendo contada tem sempre prioridade absoluta. O diretor tem a rara capacidade de se apropriar das diversas teorias, escolas e práticas teatrais e de usá-las ao seu interesse e em função do que pretende. Faz do teatro um acontecimento especifico, os elementos se completam, são indissociáveis, vinculados, dão eternidade ao teatro, torna a cena um clássico moderno.


A Cia Autônomo pratica um teatro inteligente, pena que a cena carioca, muitas vezes voltada para o fácil e o vazio do mercado, não valorize a altura essa forte e valorosa contribuição para o teatro brasileiro. É uma pena o fato de que, quase não temos mais críticos e analistas teóricos, que contextualizem e esmiúcem seu processo de trabalho. Aplausos para esses Atores, Diretores, Técnicos e Produtores. Inteligentes, visionários ou não, que com dificuldades ou não, insistem e entendem a importância desse trabalho.


“O que vem depois? O que resta das ações humanas?... Somente a memória ou exclusivamente o silêncio?”. * Esperemos que não.













*- texto do grupo
Site da Cia. – www.ciateatroautonomo.com.br

Babinski

As gravuras de Babinski são impressionantes
Recomendo



"Maciej Antoni Babinski nasceu em Varsóvia, Polônia, em 1931 . Estudou desenho e gravura em Montreal, Canadá, onde participou ativamente da vida artística, expondo com o grupo "Les Automatistes" em várias ocasiões. Lá, realiza a sua primeira exposição individual em maio de 1953, e pouco tempo depois, desembarca no dia 6 de agosto de 1953, no porto do Rio de Janeiro, como imigrante"
Elizabeth Nasser
Curadora









CAIXA Cultural do Rio de Janeiro
Galeria I
Av. Almirante Barroso, 25 Centro, Rio de Janeiro, RJ
Exposição até 15 de Junho

quarta-feira, 11 de junho de 2008

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Série Cias. de Teatro do Rio


Série Cias. de Teatro do Rio


Amok Teatro




Cartas de Rodez*



Esteve em cartaz uma retrospectiva de espetáculos da Cia. AMOK TEATRO do Rio de Janeiro na sala Nelson Rodrigues da Caixa Cultural. Assisti a três espetáculos dessa companhia. Dragão, Savina e as Cartas de Rodez, este infelizmente teve que ser interrompido logo no começo da função. Não sou amigo dos seus integrantes, nem dos seus diretores, Ana Teixeira e Stephane Brood e isso me deixa mais a vontade. Depois descobri, visitando o site do grupo, que já os admirava e respeitava por trabalhos anteriores, vistos antes e que não lembrava, ou lembrava pouco. Recomendo o site para se ter uma idéia da estrutura, propostas e seriedade do Grupo.




Macbeth


O AMOK é um grupo, que na escolha do seu repertório, não se preocupa com os temas ditos atuais ou com a realidade imediata. Trata o teatro na sua qualidade maior que é o de ser eterno, elevando seus espetáculos, independente do tema ou época da ação a categoria de clássicos, tocando ao mesmo tempo a razão e a sensibilidade de quem os assiste. Nos trabalhos do grupo o que encanta de imediato é o rigor formal com o qual seus espetáculos são conduzidos, sua clareza no tratamento e condução das idéias, o cuidado, a quase perfeição com o trabalho corporal do elenco e a qualidade de interpretação de parte do elenco, em especial um ator, Stephane Brood, (também diretor) com uma presença cênica, domínio vocal e físico surpreendentes.



O Carrasco


O trabalho desse ator é tão expressivo e forte, que o grupo parece criar certa unidade, a partir dos seus resultados, dá a impressão que a sua potencialidade serve de parâmetro para a construção, desenvolvimento e conseqüente resultado do trabalho de todo o elenco. No plano corporal, o grupo alcança um equilíbrio e uma qualidade excepcionais, dando ao espetáculo a credibilidade que o tema, época e conteúdo das peças exigem, tarefa difícil, já que todos os espetáculos que vi, trazem em seus conteúdos, signos de outras culturas e épocas distintas. Infelizmente ainda, parte do elenco demonstra algumas deficiências na formação vocal, prejudicando um pouco o brilho e as nuances das intenções do texto e conseqüentemente, um maior aproveitamento.
O programa das peças explica que o trabalho do grupo coloca o ator e a linguagem física no centro do ato teatral, e é verdade. Diz também que esse trabalho está apoiado em dois eixos: Antonin Artaud e Etiennne Decroux, artistas que confesso, não ter muita intimidade e até mesmo, confesso novamente, não entender como colocar em pratica as teorias do primeiro. O que eu vi foi um rigor, criado a partir do que eu entendo do gestus e distanciamento brechtiano, do trabalho corporal de Grotowski e uma boa dose de Stanislavski. Mistura difícil, que poucos sabem mediar, dosar as partes e conduzir com sucesso. É interessante notar que a carga de emoção colocada no espetáculo, através de uma interpretação realista, um naturalismo com um tom acima, econômico e significante, que a principio, contrasta com a forma distanciada das transições de cena, da arrumação do espaço e da preparação do elenco à vista do público,



Antonin Artaud


Etienne Decroux




(lembrando que estamos no teatro) aumentam o nível da teatralidade. A condução das marcas (com pequenos exageros facilmente corrigíveis), a beleza, a economia e a precisão dos gestos sociais e pessoais, a emoção dos personagens a solta, mas direcionada e bem dosada, além de serem um grande diferencial da direção e do espetáculo, dão aos textos, que são histórias simples e as vezes perigosas na sua condução, (no caso de Savina, um dramalhão Cigano, pode-se dizer, no limite do risível) uma grandiosidade e dignidade teatral que pouco se vê. Isso tudo, não seria possível se a convenção estabelecida no palco não estivesse absolutamente controlada e bem conduzida pela direção e elenco.
A musica pontua o desenvolvimento emocional e informa, está apoiada numa pesquisa de extrema seriedade e riqueza e exerce um papel fundamental na condução do clima e estética do espetáculo. A propósito, a seriedade da pesquisa para construção dos espetáculos como um todo, pouco se vê no as vezes, frágil e fútil teatro do Rio e só por isso, já seria motivo de orgulho para classe teatral.
Figurinos, adereços de cena e luz cumprem seu papel de forma eficiente e adequada. Eles, além de belos, informam sobre os personagens, situam o espaço e o tempo de forma atemporal, além de criar o clima correto para o desenvolvimento da ação e da linha de emoção. A repetição de formulas nas marcas de transição e na condução dos três espetáculos que eu vi, são harmônicos entre si, mas um pouco repetitiva e talvez precise ser repensada.
Pode parecer inusitado e estranho que eu diga, mas é muito bom ver espetáculos onde se percebe que elenco, direção e técnicos sabem o que estão procurando, sabem o que estão fazendo e porque estão fazendo. Por incrível que pareça é um fato raro por aqui. Se erram ou se ainda, em algum segmento do espetáculo, não chegaram à perfeição, sabem que tudo é um processo e que o caminho é longo, sabem que se fizerem um espetáculo perfeito, não vão ter mais para onde ir e aí teriam que parar e ninguém quer que eles parem.
Parabéns ao Grupo, parabéns aos produtores Sergio Saboya e o Silvio Batistela e a equipe deles, que acreditam e apostam nesse tipo de proposta. Sei que eles produzem e apóiam outros grupos com as mesmas características, outra coisa muito rara de se ver por aqui. Finalmente, parabéns a quem torna possível esse grupo sobreviver e continuar seu trabalho, pela sua visão de futuro. Sabemos que no Brasil e no mundo todos os trabalhos conseqüentes, todos os trabalhos que mudaram ou acrescentaram algo de novo ao teatro nasceu a partir de grupos e pessoas que se dedicavam mais a sua arte e ao seu ideal de trabalho, do que ao sucesso fácil e imediato tão comum hoje em dia.


*Fotos do grupo retiradas do site - www.amokteatro.com.br

terça-feira, 3 de junho de 2008

Os Mestres: André Kertész



André Kertész nasceu em Budapeste, no ano de 1894 e começou a fazer carreira na Alemanha, pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Kertész compra sua primeira câmera aos dezoito anos, mas afirmava ter escolhido sua profissão aos seis anos de idade, diante de um álbum de família. Ainda na Hungria, fotografava de tudo. Diplomado na Academia de Comércio, trabalhou alguns anos na Bolsa de Valores de Budapeste. Serviu na Primeira Grande Guerra. Foi ferido, passando um ano enfermo. Depois da guerra, muda-se para Alemanha, atuando como fotógrafo nos principais jornais e revistas. Integra a nova visão de fotografia disseminada por Erich Salomon. Porém, com a ascensão de Hitler, vários intelectuais, artistas e jornalistas deixam a Alemanha, inclusive Kertész. Os refugiados espalham uma nova fotografia e principalmente um novo modo de ser fotógrafo. Kertész se instala em Paris. Escolhe para morar Montparnasse, bairro preferido pelos artistas, ficando amigo da vanguarda parisiense. Rapidamente desponta com sua sensibilidade. Na época surge a revista Vu, que revoluciona o gênero com a valorização da fotografia. Kertész faz parte do grupo de fotógrafos que trabalhava para a revista. Além de trabalhar como jornalista, realiza vários projetos pessoais.

Quando Cartier-Bresson começa a fotografar, tem André kertész como referência. Seu mestre. Além da forma sofisticada de sua imagem, Kertész dá início a um novo fotógrafo andarilho, que também é uma das marcas de Bresson. “Kertész é o único fotógrafo que me excita”, diz Bresson a um amigo, anos mais tarde. No entanto, seus trabalhos são bem distintos. Diferente de Bresson, Kertész capturava o mundo em suas sutilezas. Valorizava a forma e sendo mais aberto com a mensagem. Em vários momentos havia um ar surrealista ou uma realidade fantástica. Mas ele se descrevia como um fotógrafo realista. Uma mão no ombro, uma sombra, um garfo encostado num pires, um nu distorcido. Kertész é pura poesia. Nenhum tema era insignificante para seu olhar. Ele via o mundo de forma singular, em recortes fantásticos. No entanto, sem fugir da técnica fotográfica. Admiro Bresson por seu estilo e a precisa composição, mas é na poesia de Kertész que me realizo como artista. Ele me mostrou como a fotografia poderia ser arte mesmo enquanto fotografia. A fotografia de Kertész não queria ser pintura como a dos fotógrafos Pictoralistas, nem transbordar a realidade como o surrealismo de Man Ray. André Kertész fazia arte enquanto fotógrafo.

Em 1936, foi convidado para trabalhar em New York. O amigo Man Ray, um norte-americano, aconselhou a ele que não fosse. Kertész aceitou o contrato e partiu de Paris. Anos mais tarde, diria: “foi o maior erro da minha vida”. Não gostava dos Estados Unidos, preferia a Europa, mas nunca voltou.

A fotografia de kertész é poética e humanista. Certa vez, convidado para trabalhar numa revista em New York, os editores acabaram o dispensando porque sua fotografia era muito significativa. Era doce. Queriam um registro mais brutal do mundo. Existe elogio maior que esse?

“Fotografar, quer dizer sentir. Ver, não é suficiente. A câmera enxerga também, mas não sente” André Kertész

Conheci o trabalho de Cartier-Bresson primeiro, mas foi com Kertész que percebi a fotografia como um fazer artístico. Bresson me deu o prazer da caçada, a técnica do arqueiro, mas kertész me deu a poesia e o valor das sutilezas. Permitiu-me um olhar mais poético aos detalhes que formam nossa existência. Enquanto Bresson espreitava sua presa, kertész convidava com um sorriso. A fusão dos dois me tornou um poeta caçador.
Herbert Macário































































domingo, 1 de junho de 2008

Reflexões

E a Arte, como fica?








Recebo muitos e-mails, leio blogs e me preocupo. É inegável o valor desse instrumento que caiu em nossas mãos, a internet. As teorias conspiratórias, as formulas mágicas para saúde e para vida são muitas e sempre me dão muito trabalho no sentido de separar o joio do trigo. É evidente que não dá para acreditar em tudo que se lê (alguns e-mails e postagens seriam apenas exagerados se não fossem irresponsáveis). Mas tudo bem, cada um pensa e escreve o que quer e como quer, mas acredito que alguns assuntos mereciam serem tratados com mais cuidado. Esse é o ponto em que eu queria chegar
Às vezes eu sou um crítico, e a maioria das vezes ainda, um crítico decepcionado, mas sempre esperançoso por mudanças. Constato que estamos vivendo um momento em que é quase impossível, a tarefa de separar a verdade da mentira, o bem do mal, o bom do ruim e até a beleza da feiura.  É lamentável o fato de quase não contarmos com fontes e referências seguras e de que, se você não tiver um mínimo de informação e bom senso, estará condenado à danação eterna. É triste não poder confiar no jornal que você lê, na TV que você assiste, nos seus representantes políticos, no seu patrão, na internet que você consulta, na propaganda que te empurram, no rádio que você escuta, nas fotos que você vê e nos e-mails que você lê. Isso tudo gera em mim um grau de ansiedade e confusão consideráveis, e acredito que noutras pessoas também. Fico preocupado e sem esperança, quando sei que tem gente que acredita em tudo ou em quase tudo que lê e vê.

Certezas hoje em dia, só se têm algumas, muita das vezes, só as sobre você mesmo. Em relação à história oficial é preciso muito cuidado antes de se afirmar alguma coisa categoricamente. O passado é duvidoso, o presente pode não ser verdadeiro e do futuro eu tenho até medo de falar. Se esse estado de coisas reflete e orienta o comportamento das pessoas, é evidente que reflete e orienta a arte que produzimos e a que consumimos.

A pergunta é: Como os artistas de hoje entendem e refletem o mundo? Qual seria o papel da arte nesse momento. Diante deste estado de coisas, qual seria a sua função?  ...  Seria a reflexão?  O entretenimento? A catequização?... Qual? Falando de teatro e cinema especificamente, áreas  mais afins comigo e fazendo uma análise rápida do que é feito hoje, percebo que grande parte da produção, não toda, mas pelo menos uns noventa por cento, anda fazendo graça (às vezes sem graça) da realidade, com suas tiradas, posturas, tipos e expressões da moda ou ainda, só tentando criar moda mesmo. Não estou falando de comédia, essa tem um valor inquestionável quando é bem feita e é inteligente. Conseguimos falar de assuntos sérios e expor situações absurdas de forma divertida e critica através da comédia. Falo desse humor descartável, caricato, vazio, mal colocado, às vezes grosseiro, às vezes preconceituoso, sem conteúdo, onde o importante é não perder a piada. Outro segmento parte para um discurso existencial, às vezes parecendo profundo e que pretende expor essa ansiedade e confusão do ser humano atual a que me referi, mas na maioria das vezes, o discurso é raso, oportunista, da moda, um discurso que, ao contrario de provocar reflexões sérias,  não se fundamenta no essencial nem descortina a verdade, faz é criar posturas e comportamentos cada vez mais enganosos, equivocados ou mais distantes da realidade ainda e principalmente da simplicidade. Há também as releituras dos clássicos, que por aproximação, tentam entender ou pretendem fazer entender o que estamos vivendo hoje. Algumas poucas, muito bem sucedidas, a maioria, prenha de modernidades que tiram o foco do essencial e que também fazem graça em nome da atualização do texto. Na verdade, temos poucos (mas ainda temos alguns) dramaturgos e roteiristas preocupados ou capazes de fazer uma análise social, política ou existencial séria e correta desse nosso momento, ou então, é a realidade que se transforma tão rápido que torna difícil o ato de fixá-la numa obra, ainda mais com o compromisso que o bom teatro e o cinema tem de ser eterno.
O tempo artístico hoje, o ritmo, a estética, o conteúdo, o bom, parece ser o que a televisão nos impõe e sabemos que ela nivela a inteligência, o bom senso e o bom gosto por baixo. Estamos prestes a não ter e nem saber mais ler o bom Teatro e o bom Cinema, pois temos o péssimo Teleteatro e o igualmente desastrado Tele Cinema.  A televisão é um excelente veículo de comunicação e cultura, poderia ser de arte também, tem o seu formato próprio e uma linguagem específica, é um instrumento notável  e importante,  mas infelizmente tem interferido de forma ruim, até sinistra eu diria, em outras linguagens artísticas. Hoje, ela é só de e para consumo rápido e é preciso que se tenha  um adequado distanciamento para se divertir com ela.
Qual o segmento da arte que foge desse estado de coisa hoje, qual o que pode fugir ou tenta fugir disso? A literatura? O cinema? As artes plásticas? A turma da Mônica?  Olha pessoal, eu também não sei, mas é sempre bom pensar nisso.