sábado, 31 de maio de 2008

Foto com Palm #03








Sala de aula, cadeiras.

Fragmento de Novalis

Desejos e aspirações são asas - Há desejos e aspirações - que são tão pouco comensuráveis como estado de nossa vida terrestre, que podemos seguramente inferir [a existência de] um estado, em que eles se tornarão asas poderosas, [de] um elemento, que os alçará, e [de] ilhas, onde poderão pousar.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Poemas úteis

Poemas úteis


Um Homem é um Homem...
Afinal o que é um Homem?
B. Brecht



Não é que não goste de poesia, eu não as entendo... Ou não me identifico, sei lá.
A verdade é que eu entendo uma flor, até mesmo uma pintura tosca de uma flor, mais do que o poema sobre a flor. Também sou capaz de entender uma pessoa apaixonada mais do que um poema sobre o amor.
Gosto desses poemas abaixo, pra mim eles fazem sentido. Eles têm, digamos, uma função social e aqui vai uma idéia particular e que nem todos concordam: Acho que uma obra de arte além de ter que ser uma extensão do artista, do que ele acredita, deve ser útil, ter uma função social, nem que seja a de trazer paz de espírito ou divertir a gente cansada. A idéia de divertir pode ser inteligente, pode trazer consigo o raciocínio, como dizia o Galileu do Brecht, “pensar é um dos maiores prazeres da raça humana”, e também “penso melhor quando estou com a barriga cheia”.


*

Maiakovski (1893-suicidado em 1930)


Na primeira noite, eles se aproximam
E colhem uma flor no seu jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem,
Pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra
Sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
E, conhecendo o nosso medo,
Arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
Já não podemos dizer nada.


*

Bertolt Brecht (1898-1956)





Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como eu tenho emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo




*



Martin Niemöller ( 1892-1984) Símbolo da resistência nazista



Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
Meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
Já não havia mais ninguém para reclamar...




*


Os outros poemas são posteriores ao de Maiakovski.
É difícil acreditar que passado mais de um século, ainda vemos muita coisa que nos assusta.

Mas acabamos nos acostumando com elas. Todos nós.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

A pobre ou rica função da Arte... Onde Estamos?




“A poesia é indispensável.
Se eu ao menos soubesse para que...”
Jean Cocteau


*



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Todos nós sabemos que Arte vem sendo tratada como mercadoria e como tal, Tem sido diminuída e adequada a conteúdos e formas mais simplistas e coloridas para que venda (não é nem o caso da figura acima, essa foi só para ilustrar). Dessa maneira, nivela por baixo seu conteúdo. A televisão influencia isso de uma forma surpreendente e com seu ritmo alucinado e obrigatoriamente compreensível para todos, por vezes nos subjuga..., blá, blá,blá, etc. e tal.
Independente desta constatação simples, que precisa ser desenvolvida e na qual já se gastaram rios de tinta, a arte continua tendo uma função e parece continuar sendo necessária, porque mesmo simplista e às vezes medíocre ela continua sendo consumida e ainda desperta grande interesse. Algum papel lhe é reservada nas nossas vidas. Nos dias de hoje esse papel pode estar confuso, ao sabor da moda, das vendas, de sei lá o que...(Às vezes duvido se uma criatura vai a uma peça de teatro pra ver a obra ou para ver o (a) artista, mas vale a pena continuar refletindo.
Encontrei esse texto, ainda de 1966, de Ernst Fischer. Gosto muito dele e quero dividi-lo, gostaria de comentários, mesmo dos que acham que não entendem, as vezes são os melhores. Quero entender melhor toda essa bagunça.

*

“Como primeiro passo, é preciso advertir que tendemos a considerar natural (e aceitá-lo como tal) um fenômeno surpreendente. E, de fato, referimo-nos a algo surpreendente: milhões de pessoas lêem livros, ouvem musica, vão ao teatro e ao cinema. Por quê? Dizer que procuram distração, divertimento, a relaxação, é não resolver o problema. Por que distrai, diverte e relaxa o mergulhar nos problemas e na vida dos outros, o identificar-se com uma pintura ou musica, o identificar-se com os tipos de um romance, de uma peça ou de um filme? Por que reagimos em face dessas “irrealidades” como se elas fossem a realidade intensificada? Que estranho, misterioso divertimento é esse? E, se alguém nos responde que almejamos escapar de uma existência insatisfatória para uma existência mais rica através de uma experiência sem riscos, então uma nova pergunta se apresenta: por que nossa própria existência não nos basta? Por que esse desejo de completar a nossa vida incompleta através de outras figuras e outras formas? Por que, da penumbra do auditório, fixamos o nosso olhar admirado em um palco iluminado, onde acontece algo que é fictício e que tão completamente absorve a nossa atenção?
É claro que o homem quer ser mais do que apenas ele mesmo. Quer ser um homem total. Não lhe basta ser um individuo separado: além da parcialidade de sua vida individual, anseia uma “plenitude” que sente e tenta alcançar, uma plenitude de vida que lhe é fraudada pela individualidade e todas as suas limitações; uma plenitude na direção da qual se orienta quando busca um mundo mais compreensível e mais justo, um mundo que tenha significação. Rebela-se contra o ter de se consumir no quadro da sua vida pessoal, dentro das possibilidades transitórias e limitadas da sua exclusiva personalidade. Quer relacionar-se a alguma coisa mais do que o “Eu”, alguma coisa que, sendo exterior a ele mesmo, não deixe de lhe ser essencial. O homem anseia por absorver o mundo circundante, integrá-lo a si; anseia por estender pela ciência e pela tecnologia o seu “Eu” curioso e faminto de mundo até as mais remotas constelações e até os mais profundos segredos do átomo; anseia por unir na arte o seu “Eu” limitado com uma existência humana coletiva e por tornar social a sua individualidade.
Se não fosse da natureza do homem o não ser ele mais do que um individuo, tal desejo seria absurdo e incompreensível, porque então como individuo ele já seria um todo pleno, já seria tudo o que é capaz de ser.O desejo do homem de se desenvolver e completar indica que ele é mais do que um individuo. Sente que só pode atingir a plenitude se se apoderar das experiências alheias que potencialmente lhe concernem, que poderiam ser dele. E o que o homem sente como potencialmente seu inclui tudo aquilo de que a humanidade, como um todo, é capaz. A arte é o meio indispensável para essa união do individuo como o todo; reflete a infinita capacidade humana para associação, para circulação de experiências e idéias.”

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Os Mestres - Henri Cartier-Bresson


Um ser criativo não tem sua obra surgindo do nada. Geralmente existe um catalisador. Uma ou mais pessoas que formam a base inicial ou mudam as perspectivas de um fazer. No meu caso identifico claramente, pelo menos, três mestres: Henri Cartier-Bresson, André Kertész e Ansel Adams.



Quando vi pela primeira vez o trabalho de Cartier-Bresson não me impressionou muito. Era um livro sobre Paris. Claro que fiquei admirado com a qualidade, mas não entendia por que muitos fotógrafos o chamavam de mestre. Na época, estava em meu primeiro emprego, e foi lá que descobri minha grande paixão: a fotografia. Quem me mostrou o livro foi Carlos Carvalho, grande fotógrafo jornalista, que, aliás, lamento não ter podido explorá-lo mais, pois perdemos contato. Carlos tinha uma extraordinária admiração por Bresson. E depois percebi que muito da obra dele era resultado daquelas imagens.

Quando fazia um curso de laboratório cor, tive uma segunda apresentação. Mostraram-me a fantástica foto do homem pulando a poça (Behind the Gare Saint Lazare, 1932). Bresson fotografara um homem no ar a poucos centímetros do chão. Esta foto me chamou a atenção do que Bresson era capaz de fazer com sua Leica. Fiquei ainda mais admirado quando soube o quão difícil era aquela tomada. Uma câmera lenta, uma única chance, uma única foto!

Cartier-Bresson começou na pintura, concluindo estudos de Pintura e Filosofia na Universidade de Cambridge. Sua carreira como fotógrafo independente tem início em 1931. Ele também passa pelo cinema como assistente de fotografia de Jean Renoir e outros. Além de fazer alguns filmes documentários.

Em 1940 torna-se prisioneiro de guerra e se vê obrigado a enterrar sua câmera para que ela não caísse nas mãos dos alemães. Foge três anos depois e entra para a resistência francesa.

No fim da guerra volta a trabalhar como fotógrafo independente e a produzir livros de fotografia.
Em 1947 cria a agência Magnum juntamente com Robert Capa, George Rodger e David Seymour. Na agência, os fotógrafos eram totalmente independentes e livres na escolha de seus temas. Buscavam a profundidade reflexiva em suas coberturas além de uma grande preocupação estética.

Cartier-Bresson criou o conceito do “momento decisivo”. O momento em que a foto estaria em perfeito equilíbrio na composição e entre esta e a mensagem a ser passada. Um momento único. A foto representaria a essência da situação. Bresson parecia acreditar que era capaz de captar a realidade em seu momento de verdade. Para isso considerava sua tomada, o click, como a representação dessa verdade. Não editava com corte ou outras manipulações. A foto estava pronta já na câmera.

O momento decisivo era uma transposição do arqueiro zen e sua flecha espiritualizada. Dizia-se que “A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen” seria seu livro de cabeceira. (Obviamente eu e muitos outros o lemos). O livro é o relato de um professor de filosofia que morando no Japão resolve treinar a arte do Arco como forma de compreender a filosofia zen. Resumindo, o tiro com arco é uma experiência zen na busca da unidade. A busca do arqueiro é o tiro espiritualizado, em que ele, a flecha, o arco e o alvo se tornam uma coisa só. Quando se consegue isso, o arqueiro nunca erra o alvo. Bresson buscava algo assim em sua fotografia.

Sou impregnado com esses conceitos e fotografar para mim, ainda, é a busca daquele momento decisivo. Por muitos anos recusava a fotografia em cor e o corte da imagem, buscava fotografar como um exercício zen. Para muitos o limite na arte é castrador, mas para mim esse limite me obriga a alargar meu espaço sem transpor. A regra disciplina e aguça a criatividade. Hoje exploro as formas quadradas, panorâmicas, a cor e não sou mais tão rígido na questão do corte. Quando leciono fotografia, ainda, incentivo o aluno a começar limitando os efeitos criativos e fotografar do modo mais clássico possível. O domínio da técnica também educa o olhar. Tenho certeza de que o exercício do “arqueiro” desenvolveu o meu olhar. Por outro lado, a regra de antever a foto permanece. Aceito o acaso em algumas tomadas, mas o que me fascina é a caçada do arqueiro.

Herbert Macário






















sábado, 24 de maio de 2008

Como diria Chesterton

"Não existe assunto desinteressante; o que existe é pessoa desinteressada."

Vamos postar no tamanho que a gente quiser, não vamos nos impor limites maiores do que os que já nos cercam. Pra mim já basta a Gravidade.

O POR DE SOL

Quero partir... velho. Numa praia distante, longe de tudo.
Quero sentir a areia fria sob meu corpo, o vento gelado batendo em meu rosto e este, aquecido pela barba não feita.
Quero a minha frente um sol a se por no mar. Vermelho, vibrante e lento.
Quero estar só no mundo. Esquecido em paz.
Quero estar com um jeans rasgado e velho, como eu. Aquele que for o mais gostoso e querido
- à vontade -
Sem pressa ou memória. Esquecido.
Quero não querer nada, não precisar de nada e principalmente não ter nada. Só ser.
- Simples -
Quando ela, minha doce amiga vier, quero beijá-la com amor e respeito.
Espero... Não! Terei algo a dizer: Obrigado. Obrigado pelo sorriso que me deste.
Prefiro que o dia termine assim: Simples, lento e com um sorriso nos lábios.


Herbert Macário

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Foto com Palm #02





Passeio Público visto da janela do Instituto Goethe, fim de tarde.

Criaturas


Se prestarmos bem atenção, vamos descobrir que ainda estamos cercados por estes seres descritos aí abaixo. Eu sinceramente acredito que estas criaturas ainda estão entre nós... É só assistir a alguns noticiarios de TV ou ler alguns jornais com atenção, que vocês podem identifica-los. Talvez eles estejam um pouco mais fashions.
Mapa-mundi (a direita, o cefalópode na terra incógnita) Beato de Burgos de Osma – Século VIII

“E eis portanto, os Faunos; os Acéfalos, com olhos nos ombros e dois buracos no peito fazendo as vezes de nariz e boca; os Andróginos, com uma só mama e ambos os órgão genitais; os Artabantes que andam pronos como ovelhas; os Astômatos que à guisa de boca têm apenas um furinho e nutrem-se com um canudo; os Astomoros, sem boca, que se nutrem apenas de cheiros; os Bicéfalos; os Blemos, sem cabeça e com olhos e boca no peito; os Centauros; os Unicórnios; as Quimeras, bestas triformes com cabeça de leão, a parte posterior de dragão e a mediana de cabra; os Ciclopes; os

Cinocéfalos com cabeça de cachorro, mulheres com dentes de javali, cabelo até os pés e rabo de vaca; os Grifões com o corpo de águia na frente e de leão atrás; os Ponchos com as pernas rígidas sem joelhos, cascos de cavalo e falo no peito; outros seres com o lábio inferior tão grande que quando dormem cobrem com ele a cabeça; a Leucrococa de corpo de asno, traseira de cervo, peito e coxas de leão, pés de cavalos, um corno bifurcado, boca talhada até as orelhas da qual sai uma voz quase humana e em lugar dos dentes um só osso; a Mantícora, com três fileiras de dentes, corpo de leão, cauda de escorpião, olhos azuis, carnação cor de sangue, sibilar de serpentes; os Panócios, com orelhas que caem até os joelhos; os Fítios com pescoços longuíssimos, pés compridos e braços que parecem serrar; os Pigmeus, sempre em luta com os grous, altos três palmos, que vivem sete anos no máximo e casam-se e reproduzem-se aos seis meses; os Sátiros de nariz adunco, com chifres e a parte inferior caprina; serpentes com uma crista na cabeça e que caminham sobre pernas, com a goela aberta gotejante de veneno; ratos grandes como lebreiros, capturados por mastins, pois os gatos não conseguem pegá-los; homens que caminham com as mãos; homens que caminham sobre os joelhos e tem oito dedos em cada pé; homens com dois olhos na frente e dois atrás; homens com testículos que chegam aos joelhos; Cefalópodes, com uma só perna, com a qual correm velocíssimo e que esticam para cima quando vão repousar, para ficar à sombra de seu grandíssimo e único pé.” Umberto Eco


Faunos
Os Faunos, nascem hoje em dia, dos vermes que se formam entre a cortiça e a polpa de madeira das árvores; depois arrastam-se até o terreno, criam assas e enfim, perdem-nas. Então transformam-se em homens selvagens: e é sobre estes que os poetas compuseram tantos versos.

Andróginos
É uma raça bissexuada, que tem o seio direito de homem para trabalhar sem incômodo, e o esquerdo feminino para poder aleitar os neonatos. Segundo alguns copulariam entre si alternadamente, conseguindo assim reproduzir-se.

Astomoros
Homens desprovidos da boca, contrariamente a todos os outros, e não poderiam, portanto, comer nada: segundo testemunhas, aliás, mantêm-se em vida apenas respirando através das narinas.



Cinocéfalos
São seres com cabeça de cão, que não conseguem dizer uma só palavra sem que se interrompam a latir, misturando assim latidos e discurso.

Pigmeus
Raça de homens sombrios. Têm alguns poucos cúbitos de altura e dizem que são obrigados a fazer, juntos, a guerra.

Cefalópodes
Raça de homens que são chamados assim, na medida em que se protegem dos raios ardentes do sol estendendo-se supinos à sombra dos próprios pés. São velocíssimos, e têm um só pé e uma só perna; os joelhos, rígidos nas juntas, já não se dobram por nada.

Texto anônimo
(século VIII)
Liber Monstrorum

Para os peripatéticos

"deveis caminhar como um camelo o qual, ao que sabemos, é o único animal capaz de ruminar em marcha. Quando um viajante pediu à criada de Wordsworth para mostrar-lhe os estudos do amo, ela retrucou: 'Eis aqui sua biblioteca, mas os estudos, ele os faz na rua'."

Extraído de "Andar a pé" de Thoreau

Dilbert



quinta-feira, 22 de maio de 2008

Foto com Palm #01


Em frente ao prédio de letras da UFF tem uma estátua de Dom Quixote em metal.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Os Meninos


Abro os olhos. Olho para o alto. O sinal ainda está aberto. Acho que a febre está me afetando. O equilíbrio já era. Tô com frio. A multidão ao meu redor tá pingando, mas tô com frio. O relógio do outro lado da rua marca… 13:35, não! 13:25. Mal posso esperar pra chegar na barca e sentar por vinte minutos. O sinal ainda está aberto. O chão suado sob meus pés começa a incomodar. A febre tira o bom humor. Droga! O sinal ainda não fechou. Agora são… 13:25 ! O tempo não passa! Vô tentar esquecer o tempo. Aí ele vai passar. Meninos... Tem dois meninos sentados no meio fio. Na frente da multidão. Eles não ligam pro tempo. O senhor do meu lado resmunga algo, mas não entendo. Acho que é sobre os meninos. Acho que eles têm… uns… 12 anos. É, acho que uns 12. Sábado à tarde, toda cidade tá fugindo do Centro e eles ali, em casa. A Rio Branco galopa freneticamente pra casa e eles ali, sem pressa. Não parecem tristes, talvez não saibam nem o que é casa. Estão sorrindo. Presto atenção no que dizem. O pouco que entendo é palavrão. Falam muito palavrão. Bem… pra mim é palavrão, acho que pra eles é português. O sinal ainda não fechou. A pasta na minha mão também começa a suar. DROGA!! O sinal não fecha! Como será a vida deles? Sol, chuva, televisão muda… brigas… Não deve ser fácil. Mal posso esperar, tô com fome. Tomei café muito cedo. Deve ser por isso que tô com febre. Não se pode bobear com resfriado. Olho o relógio: 13:25. E o sinal ainda não fechou. Eu aqui reclamando do café e os meninos nem devem ter comido hoje. Talvez nem almocem. Ué?! Cadê eles? O sinal nada! Viro os olhos ao redor. Sumiram... Olho pro sinal: finalmente está fechando. O ônibus furou. Esse ainda mata um... Acho que a febre deixa a gente deprimido. Vou comprar um remédio. Até que em fim… o sinal fechou.

Herbert Macário

terça-feira, 20 de maio de 2008